quinta-feira, 16 de junho de 2011

Governo quer atrair movimentos sociais ‘desorganizados’ da internet

Do Vi o mundo

Carta Maior: O portal da participação popular

Política| 14/06/2011 | Copyleft
Governo quer atrair movimentos sociais ‘desorganizados’ da internet
Acostumada a dialogar com movimentos sociais conhecidos, Secretaria Geral da Presidência pretende usar internet para atingir brasileiros que querem paricipar da vida pública mas não se sentem representados por partidos, mídia ou entidades tradicionais. Plano é criar um Portal de Participação Social em 2012 para levar voz da internet para dentro do Palácio do Planalto e incorporá-la à construção de políticas públicas.
André Barrocal, na Carta Maior
BRASÍLIA – A missão principal da Secretaria Geral da Presidência da República é aproximar o governo dos movimentos sociais, para que políticas públicas sejam, em algum grau, permeáveis a reivindicações populares. Seus interlocutores frequentes são centrais sindicais (CUT e Força Sindical, por exemplo), estudantes (UNE), camponeses (Contag), sem-terras (MST), índios (Cimi). Enfim, grupos de interesse organizados em entidades conhecidas.
A Secretaria Geral pretende, agora, ampliar a clientela e levar para dentro do Palácio do Planalto movimentos sociais “desorganizados”. Aqueles que, de forma anárquica e espontânea, nascem e manifestam-se pela internet. E que são desprovidos de vínculo com instâncias tradicionais no debate público, como os partidos políticos, a mídia ou os sindicatos.
O objetivo da Secretaria Geral – que lembra a ação feita pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na eleição norte-americana em 2008 – consta do planejamento estratégico dela para 2011. Caso se desenvolva como previsto, deve se materializar em 2012, com a criação de um “portal de participação social”, como já está sendo chamado.
“A idéia é ampliar a democracia. Os instrumentos tradicionais da democracia, sozinhos, hoje não dão mais conta da realidade”, diz Ricardo Poppi, responsável pelo projeto na Secretaria Nacional de Articulação Social, da Secretaria Geral. “A internet é o espaço por execelência de um novo tipo de representação, que é mais utópica, mais direta, como vimos nos países árabes no começo do ano.”
O projeto ainda é embrionário, mas Poppi já antecipa o que lhe vai pela cabeça sobre o futuro portal. Seria um espaço de consulta pública permanente, uma espécie de “ágora grega” virtual, onde as pessoas opinariam e deixariam críticas ou sugestões sobre temas propostos pelo governo ou que elas mesmas considerem importantes. Funcionaria ainda como um grande arquivo sobre as conferências nacionais patrocinadas pelo governo (juventude, comunicação, LGBT, por exemplo).
Algo parecido foi adotado recentemente pelo governo do Rio Grande do Sul, que montou um Gabinete Digital (um portal). Nele, os internautas podem fazer perguntas e escolher uma por mês para o governador Tarso Genro responder. A intenção do governo gaúcho não é tratar as perguntas como algo protocolar, mas incorporá-las efetivamente à agenda administrativa.
A Secretaria Geral pretende que aconteça o mesmo no governo da presidenta Dilma Rousseff. “O portal vai permitir que as pessoas tenham participação política e influenciem a formulação e a implementação de políticas públicas”, afirma Poppi. “Elas vão poder poder pautar o governo com temas que nem a imprensa nem a burocracia tinham percebido”, completa.
Com formação de nível médio em telecomunicações e de nível superior em ciência política, Poppi trabalhou anteriormente no ministério da Justiça, na coordenação de consultas públicas digitais. A proposta de Lei da Internet, ou de “marco civil” como o ministério a chama, passou por consulta coordenada por ele na qual houve mais de duas mil contribuições.
Para Poppi, a tecnologia digital pode ser um meio extraordinário de participação política. Cita como exemplo um episódio recente envolvendo uma professora do Rio Grande do Norte chamada Amanda Gurgel.
Em audiência pública na Assembléia Legislativa sobre salário dos professores, ela fez um discurso forte sobre a realidade da categoria que constrangeu os parlamentares. O vídeo com a manifestação foi parar no youtube, virou hit na internet e tornou-se assunto discutido pela população em mesa de bar. “Se não fosse a tecnologia, a fala dessa professora teria impacto apenas local”, afirma Poppi.

Arrecadação bate recorde para um mês de maio.

Do Conversa Afiada

Arrecadação explode.
Gasta, Dilma, gasta !



Resende ou como cortar o gastos com cavalariços

Saiu no G1:

Arrecadação bate record para um mês de maio.


Há cinco meses consecutivos a arrecadação federal entrega records para a JK de saias gastar com os pobres, como fez hoje no Minha Casa Minha Vida 2. 

A propósito, este Conversa Afiada NÃO recomenda a leitura do ininteligível artigo de André Lara Resende no Valor de hoje.

O referido economista, que pensa que a Economia é a Verdade, reproduz a ideologia corrente entre neoliberais: cortar os gastos com os pobres e aumentar os juros que engordam os bancos.

É o que eles dizem aqui e nos Estados Unidos.

Lá, eles quebraram a Economia.

Aqui, o Nunca Dantes e a JK de saias os devolveu ao anonimato acadêmico.

Este Conversa Afiada gostaria imensamente que o referido economista refutasse a tese do amigo blogueiro Luis Nassif, que, no livro “Cabeças de Planilha”, estabeleceu nexo suspeito entre o referido economista e a fixação do Real na largada do Plano.

Gasta, Dilma, gasta !

Até porque o Delfim, que, adormecido, entende mais de Economia do que todos os neoliberais despertos, a começar pela mais erudita deles, a urubóloga, o Delfim considera que a Presidenta tem conseguido reduzir o ritmo de expansão dos gastos – sem prejudicar os pobres.

Para os neoliberais, como se sabe, que não gostam do povão, pobres costumam ser cavalariços.


Paulo Henrique Amorim

terça-feira, 14 de junho de 2011

Para comemorar: Organização Mundial do Trabalho decide abolir qualquer discriminação legal sobre os empregados e empregadas domésticas.

Por Brizola Neto, no Tijolaço
O Brasil, hoje, deveria estar comemorando. Mas a notícia, não está tendo o destaque merecido. É a decisão da Organização Mundial do Trabalho de abolir qualquer discriminação legal sobre os empregados e empregadas domésticas. Em termos práticos, isso quer dizer que, a partir da ratificação do tratado, os trabalhadores e trabalhadoras domésticas passam a ter direito ao FGTS, adicional por noturno, jornada de trabalho regulamentadas e outras proteções que não  abrangem, atualmente, cozinheiras/os, babás, faxineiras e motoristas particulares, contratados por pessoa física.
Essa é ainda uma chaga que carregamos de séculos passados, quando os serviços domésticos eram feitos pelos “criados”, uma expressão que vem da entrega de crianças pobres para famílias capazes de sustentá-los em troca daquelas “obrigações”. Isso, no Brasil, ainda foi agravado pelas raízes escravistas de nosso passado.
Para que se tenha ideia da importância desta decisão, basta considerar que o emprego doméstico representava, em 2009,  a fonte de renda de cerca de 7,2 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, ou 7,8% do total de  pessoal ocupado no país.
Em relação ao mercado de trabalho feminino, os números são mais impressionantes: nada menos que 17% das mulheres que trabalham  tem um emprego doméstico. Delas, dois terços são mulheres negras.
E mesmo com a lei formalizando a igualdade da trabalhadora doméstica com os demais trabalhadores, teremos um longo caminho a percorrer para regularizar a vida profissional destas pessoas. Em 2009, as trabalhadoras domésticas apresentaram índice de formalização do trabalho  de apenas 26,3%, o que significa que, do contingente de 6,7 milhões de ocupadas nesta profissão, somente 1,7 milhão possuía alguma garantia de usufruto de seus direitos. Mesmo somando as que contribuem na condição de autômomas, este indice não chega a um terço do total.
Não vai bastar sermos rápidos na ratificação deste tratado. O plano Brasil sem Miséria da presidenta Dilma precisa, além as ações assistenciais e educacionais, fazer com que os Ministérios da Previdência e do Trabalho façam um esforço de simplificar a regularização destes trabalhadores para poder, ao mesmo tempo, exigir o cumprimento da lei.
Lei que, finalmente, trata a todos como iguais.

domingo, 12 de junho de 2011

Lula fatura eleição de aliados e espalha suas marcas pela AL

Via Portal Nassif


Como deve ser doído para o PIG, especialmente para a FSP, ter que noticiar aquilo que há tempos se comprova, a força de Lula por todos os continentes.



Marcas de Lula pela América Latina

Comentei na semana passada acerca dessa influência continental das concepções e ações políticas do  ex-presidente Lula, caso inédito no nosso país. Muita gente deve estar incomodada, a começar pelo FSP ao encabeçar a matéria com uma manchete cretina de tão dúbia.
Lula fatura eleição de aliados e espalha suas marcas pela AL
Ex-presidente vê "momento extraordinário" na região e compara onda progressista à liderada por Vargas e Perón
Petista exporta receitas para países vizinhos e mina a influência do venezuelano Hugo Chávez no continente
BERNARDO MELLO FRANCO
DE SÃO PAULO
O discurso do "nunca antes" já não cabe "neste país".
Empolgado com as vitórias de aliados pela América Latina, o ex-presidente Lula adotou um novo mote: o continente vive um "momento extraordinário", sob inspiração do seu governo no Brasil.
Ele tem se empenhado para espalhar marcas pela região, desde estratégias de campanha até programas sociais como o Bolsa Família.
A nova vitrine do "lulismo de exportação" é o Peru, onde Ollanta Humala triunfou ao trocar o nacionalismo do venezuelano Hugo Chávez pelo esquerdismo moderado que alçou Lula ao poder.
A receita eleitoral incluiu assessores do PT, como Luís Favre, e a divulgação de uma "Carta ao Povo Peruano" inspirada na "Carta ao Povo Brasileiro", de 2002.
Agora, prevê a reciclagem de programas petistas e a criação de um órgão similar ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.
"Se Ollanta for um fracasso, estamos derrotados", resumiu Lula após se encontrar com o aliado, na sexta-feira.
Ele chegou a convidar uma repórter do país vizinho a entrevistar ministros brasileiros para ter "um retrato fiel do que acontecerá no Peru".
A diferentes plateias, o petista tem se apresentado como líder de uma guinada à esquerda do continente, na contramão do que chama de "direitização da Europa".
"Os setores progressistas, em cinco décadas na América Latina, nunca estiveram no poder como estão agora", disse, ao lado de Humala.
Dois dias antes, ele comparou o momento atual à década de 50, quando os populistas Getúlio Vargas (Brasil) e Juan Perón (Argentina) ditavam as regras na região.
Num discurso semelhante ao que tem feito aos aliados latinos, Lula reivindicou um "milagre": a distribuição de renda com crescimento.
"Esse milagre aconteceu no Brasil e pode acontecer em qualquer país da América Latina", prometeu. "E, se algum de vocês se levantar de mau humor com a América Latina, ligue para mim!"
CHAVISMO
Na nova condição de ex-presidente, ele já foi recebido por outros ex-radicais que se elegeram ao imitar sua caminhada para o centro, como José Mujica (Uruguai) e Fernando Lugo (Paraguai).
Outro discípulo, Maurício Funes (El Salvador), venceu em 2009 depois de entregar sua campanha ao publicitário João Santana, que trabalhou com Lula e Dilma.
Embora o ex-presidente evite divergências públicas com Chávez, dois de seus assessores disseram à Folha que as vitórias dos "lulistas" minam a influência do modelo venezuelano, calçado no conflito permanente entre o governo e o empresariado.
O diagnóstico se alinha às crises enfrentadas por Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador), mais identificados com o chavismo.

O cuidado com a infância e a juventude

Da Secom, por e-mail

SEGUNDA-FEIRA
13 DE JUNHO DE 2011EDIÇÃO 1304
Notas
         
  

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TV NBR


Mais de 800 mil crianças de 3.534 municípios recebem bolsa para estudar em tempo integral

Objetivo do programa é proteger e retirar crianças e adolescentes de até 16 anos do trabalho precoce
O Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) terá R$ 279 milhões no Orçamento de 2011 para atender mais de 817,2 mil meninos e meninas de 3.534 municípios de todos os estados e DF. O dinheiro é usado em ações socioeducativas e de convivência e bolsas para crianças em situação de trabalho nestes municípios – o montante não inclui os recursos do Programa Bolsa Família.
O aumento do programa é automático, basta um novo município aderir ou que seja encontrada outra criança em situação de trabalho. 
Leia mais
Fiscalização retira 3.7 mil crianças do trabalho infantil este anoEm 2010, foram 5.620. Além de multar o empregador, as crianças passam a receber Bolsa Família e a ter um segundo turno socioeducativo além da escola
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) tem ampliado o número de ações fiscais, tirando crianças e adolescentes da situação irregular de trabalho infantil. Até a primeira semana de junho deste ano, foram afastadas do trabalho cerca de 3,7 mil crianças e adolescentes. Em 2010, foram 5.620. Luiz Henrique Ramos Lopes, chefe de divisão de Fiscalização do Trabalho Infantil do (MTE), afirmou ao EQ que o combate ao trabalho infantil é uma prioridade. Cada Superintendência Regional conta com um auditor fiscal como coordenador para este projeto, que é auxiliado por, no mínimo, outros três.Leia mais
Compromisso do País é erradicar trabalho de menores de nove anos até 2015Brasil vai sediar, em 2013, a III Conferência Mundial sobre o Trabalho Infantil


O Brasil assumiu a meta de erradicar o trabalho de menores de nove anos até 2015. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PNAD/IBGE), a situação atingia 123 mil crianças em 2009 (0,9% do total dos brasileiros dessa idade). O objetivo para a faixa entre 10 e 13 anos é reduzir a ocorrência a menos de 3% da população. Segundo a PNAD, esta proporção estava em 5,7% do total em 2009, ou 785 mil crianças. Leia mais

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Presidenta manda aviso a oposição 'sem noção'

Via Terror do Nordeste

Dilma avisa: "Oposição não irá inibir governo"


Na posse de Gleisi, Dilma avisa: "Oposição não irá inibir governo"
Dilma comemorou ter mais uma mulher competente, firme e capaz no time do governo (Foto: Roberto Stuckert\ Presidência)       


São Paulo – Após o pedido de demissão de Antonio Palocci da chefia da Casa Civil, a presidenta Dilma Rousseff afirmou estar “triste”. Na solenidade de posse da nova ministra, Gleisi Hoffman, a presidenta afirmou que seu governo não irá parar por questões politicas nem inibir-se em função da oposição.


Dilma usou uma parcela de seu curto discurso para deixar um recado para a oposição. “A oposição não irá inibir a atuação de meu governo. Não pararemos por questões políticas”, declarou. A nova ministra também recebeu um alerta da presidenta: “Prepare-se, nossos compromissos são ousados”.


Logo no início de sua fala, Dilma explicitou seu aborrecimento com a situação. “Estaria mentindo se dissesse que não estou triste, tenho muitos motivos para lamentar a saída de Antonio Palocci”, lamentou. Ela lembrou a importância do ex-ministro desde a campanha até o último dia em que se manteve no cargo.


“Assim como estou triste com a saída de um parceiro de lutas (Palocci), estou satisfeita com a solução que encontrei para a casa civil (Gleisi)”, afirmou Dilma. A tentativa foi de deixar para trás a crise política na qual envolveu-se o ex-ministro. A presidenta ainda se mostrou otimista em relação ao futuro: “Tenho certeza que ela (Gleisi) será bem sucedida nessa importante função”.


Por fim, Dilma lembrou que Gleisi é mais uma “mulher competente, firme e capaz” a fazer parte de seu governo, desejou boa sorte à nova ministra e agradeceu o ex-ministro e amigo Palocci.


Palocci formalizou sua demissão na terça-feira (7), por meio de carta encaminhada a Dilma. Ele não resistiu ao desgaste provocado pela divulgação de que seu patrimônio cresceu 20 vezes nos últimos quatro anos, período no qual conciliou o mandato de deputado federal com trabalhos na Projeto Consultoria. A empresa, da qual é sócio, prestava serviços a grandes companhias do país, o que motivou suspeitas e acusações de oposicionistas por tráfico de influência.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Gleisi é a nova primeira-ministra em lugar de Palocci

Do Conversa Afiada

Hoffmann substitui Palocci.
Dilma manda PT de SP à …




Hoffmann detonou os projetos do Tony

Vera Magalhães diz na Folha online que Palocci já era.

Como faço sempre nessas horas de aguda dramaticidade telefono ao Oráculo de Delfos.

Pelo BG, percebo que ele está no shopping a gastar dinheiro à toa.

- A Vera Magalhães diz que o Palocci dançou.

- Que beleza !

- Que beleza, por quê ?

- Porque o Governo volta a andar.

- Bom, então voltamos ao ponto em que estávamos…

- Meu filho, você ainda tem que aprender muito.

- Aprender o quê ?

- A queda do Palocci muda a natureza do Governo Dilma.

- Como assim ?

- E ainda bem que muda logo no começo, com seis meses de Governo.

- Mudou como ?

- A queda de Palocci é a derrota de um estilo de fazer política.

- Você quer me dizer que a Dilma mandou o PT de São Paulo àquela parte ?

O Oráculo cai na gargalhada.

- Mandou ou não mandou, Oráculo ?

- Só o PT de São Paulo, não.

- O PMDB também ?, perguntei.

O Oráculo continou a gargalhar e se dirigiu a um McDonalds.

Em tempo: Gleisi Hoffmann deve substituir Palocci segundo Folha online. Foi Hoffmann quem, numa reunião do PT,  disse que o partido não tinha a obrigação de apoiar os “projetos pessoais” do ex-chefe da Casa Civil.
Em tempo 2: volto  falar com o Oráculo sobre a escolha da Hoffmann.
- Fantástico, ele diz.
- Prefiro espetacular, reajo, firme..
- Então, espetacular.
- Por que espetacular ?
- Já mostrou que é boa senadora. Serena, firme, independente.
- Chega ! Calma !
- Estou calmo e todo lambuzado de molho de tomate.
Pano rápido.
Paulo Henrique Amorim

segunda-feira, 6 de junho de 2011

UMA METÁFORA DO SISTEMA NEOLIBERAL

Do adital.org
Strauss-Kahn: uma metáfora das práticas do FMI

Leonardo Boff
Teólogo, filósofo e escritor
Adital


O leitor ou leitora pensará que foi uma tragédia o fato de o Diretor-gerente do FMI, Strauss-Kahn, ter dado asas ao seu vício, a obsessiva busca por sexo perverso, nu, correndo atrás de uma camareira negra na suíte 2806 do hotel Sofitel em Nova York, até agarrá-la e forçá-la a praticar sexo, com detalhes que a Promotoria de Nova York, descreve em detalhes e que, por decência, me dispenso de dizer. Para ele não era uma tragédia. Era uma vítima a mais, entre outras, que fez pelo mundo afora. Vestiu-se e foi direto para o aeroporto. O cômico foi que, imbecil, esqueceu o celular na suíte e assim pôde ser preso pela polícia ainda dentro do avião.

A tragédia ocorreu não com ele, mas com a vítima que ninguém se interessa em saber. Seu nome é Nifissatou Diallo, da Guiné, africana, muçulmana, viúva e mãe de uma filha de 15 anos. A polícia encontrou-a escondida atrás de um armário, chorando e vomitando, traumatizada pela violência sofrida pelo hóspede da suíte, cujo nome sequer conhecia. A maior parte da imprensa francesa, com cinismo e indisfarçável machismo, procurou esconder o fato, alegando até uma possível armadilha contra o futuro candidato socialista à Presidência da República. O ex-ministro da cultura e educação, Jacques Lang, de quem se poderia esperar algum esprit de finesse, com desprezo, afirmou: "Afinal não morreu ninguém”. Que deixe uma mulher psicologicamente destruída pela brutalidade do Mr. Strauss-Kahn não conta muito. Finalmente, para essa gente, se trata apenas de uma mulher e africana. Mulher conta alguma coisa para este tipo de mentalidade atrasada, senão para ser mero "objeto de cama e mesa”?

Para sermos justos, temos que ver este fato a partir do olhar da vítima. Ai dimensionamos seu sofrimento e a humilhação de tantas mulheres no mundo que são sequestradas, violadas e vendidas como escravas do sexo. Só uma sociedade que perdeu todo o sentido de dignidade e se brutalizou pela predominância de uma concepção materialista de vida que faz tudo ser objeto e mercadoria, pode possibilitar tal prática. Hoje, tudo virou mercadoria e ocasião de ganho desde o bens comuns da humanidade, privatizados (commons como água, solos, sementes), até órgãos humanos, crianças e mulheres prostituídas. Se Marx visse esta situação ficaria seguramente escandalizado, pois para ele o capital vive da exploração da força de trabalho, mas não da venda de vidas. No entanto, já em 1847 naMiséria da Filosofia intuía: "Chegou, enfim, um tempo em que tudo o que os homens haviam considerado inalienável se tornou objeto de troca, de tráfico e podia alienar-se. O tempo em que as próprias coisas que até então eram comunicadas, mas jamais trocadas, dadas, mas jamais vendidas: adquiridas mas jamais compradas como a virtude, o amor, a opinião, a ciência e a consciência, em que tudo passou para o comércio. Reina o tempo da corrupção geral e da venalidade universal....em que tudo é levado ao mercado”.

Strauss-Kahn é uma metáfora do atual sistema neoliberal. Suga o sangue dos países em crise como a Islândia, a Irlanda, a Grécia, Portugal e agora a Espanha como fizera antes com o Brasil e os países da América Latina e da Ásia. Para salvar os bancos e obrigar a saldar as dívidas, arrasam a sociedade, desempregam, privatizam bens públicos, diminuem salários, aumentam os anos para as aposentadorias, fazem trabalhar mais horas. Só por causa do capital. O articulador destas políticas mundiais, entre outros, é o FMI, do qual Strauss-Kahn era a figura central.

O que ele fez com Nafissatou Diallo é uma metáfora daquilo que estava fazendo com os países em dificuldades financeiras. Mereceria cadeia não só pela violência sexual contra a camareira, mas muito mais pelo estupro econômico ao povo, que ele articulava a partir do FMI. Estamos desolados.

domingo, 5 de junho de 2011

Os ventos dos grandes eventos

Do Vi o mundo

Rio de Janeiro: A pobreza como “questão paisagística”

Prezado Luiz,
Aqui no Rio de Janeiro estamos passando por um processo crítico de total desrespeito à legislação urbana, em função das obras para a Copa e Olimpíada. A pobreza está deixando de ser tratada como problema social e se tornando só uma questão paisagística a ser resolvida com remoções. Isso está documentado em consultorias que a prefeitura do Rio encomendou de planejadores urbanos de Barcelona (ou seja, é legitimado pela Estado), e está acontecendo também em várias cidades por onde ocorrerão os megaeventos. Segue anexa uma fotografia que uma aluna minha tirou (sou professora de Geografia na UERJ), no Rio de Janeiro, que ilustra um pouco dos conflitos urbanos que estão acontecendo em função do território de exceção que se instaurou por aqui. Os movimentos organizados aqui no Rio (e aí em Porto Alegre também) estão preocupados e desesperançosos em função da quase inexistente repercussão que estão tendo os despejos e os conflitos que estão acontecendo (pois são abafados pelo furor em função dos jogos e pelo discurso do recebimentos de investimentos que as cidades vão receber – esquecendo das dívidas que estas cidades estão contraindo com infra-estrutura que só vai servir para os grandes investidores, aos custos do dinheiro público). Seria possível você divulgar esta fotografia, fazendo menção aos acontecimentos em função dos megaeventos?
Caso seja possível, ficarei muito grata!
Um abraço,
Carla Hirt
Obs: A foto é na localidade de Campinho, no Rio de Janeiro e foi tirada por Alessandra Migueis. Inúmeros despejos estão acontecendo lá, e em outras partes da cidade.
PS do Viomundo: More sempre perto de um estádio de futebol. Aqui em São Paulo, às vésperas de um jogo da seleção brasileira no Pacaembu, a prefeitura refez o asfalto de todas as ruas vizinhas em tempo recorde e com altíssima qualidade. Quem disse que o poder público é incompetente?

sábado, 4 de junho de 2011

A doutrina do choque

Do blog Os Amigos do Brasil

A Doutrina do Choque: As raízes do choque de gestão neoliberal

Sábado 4, junho 2011
O excelente documentário “A Doutrina do Choque: A Ascensão do Capitalismo do Desastre”, baseado no livro de Naomi Klein, descreve como a exploração social e econômica do neoliberalismo, foi utilizado em catástrofes, guerras e crises financeiras.
A “Doutrina do Choque” contém as bases do “Choque de Gestão” demo-tucano aplicado nos governos de Aécio Neves e Antonio Anastasia, Geraldo Alckmin, José Serra, Yeda Crusius, Jaime Lerner e Beto Richa, Fernando Henrique Cardoso, e outros que aplicaram o neoliberalismo.
A parte 5 é, talvez, a mais chocante, porque mostra o que aconteceu quando levado às últimas consequências (no Iraque), e o futuro que os EUA e Europa vislumbram para a Líbia.
Mas o documentário mostra que o extremismo da Doutrina do Choque cometido no Iraque foi o mesmo aplicado anos antes no Chile, no golpe de Pinochet.
Vale a pena assistir a íntegra deste documentário, para entender melhor o risco que representa a Doutrina do “Choque de Gestão”.
No link abaixo tem a lista de reprodução da íntegra do documentário:
Se você está sem tempo, ou com conexão lenta, a parte 5, sintetiza o conceito de Doutrina do Choque, com o exemplo iraquiano: