Via blog da Maria Frô
sábado, 25 de dezembro de 2010
FAVELA GANHA CINEMA. OBRA DO PAC.
Via Terror do Nordeste
O PAC e a cultura do povo
Alemão tem o 1º cinema em favela
Simone Candida

Simone Candida
O Globo - 24/12/2010
Filme da Disney estreia hoje na 1ª sala de projeção numa favela
Os moradores do Complexo do Alemão e de seu entorno não precisarão mais se deslocar para outros bairros da Zona Norte para ir ao cinema. Na manhã de hoje, dentro do pacote de presentes de Natal que serão entregues à comunidade, a prefeitura inaugura ali a primeira sala de projeção construída numa favela do Rio: o CineCarioca Nova Brasília, com 93 lugares e equipamentos de última geração, como um projetor 3D. Construído em 12 meses, o cinema custou R$3 milhões, entre obras e equipamentos, e faz parte do projeto"Praças do Conhecimento", que prevê a instalação de salas de exibição e módulos de inclusão digital em áreas onde há obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Um dos maiores atrativos será o preço do ingresso, subsidiado pela prefeitura: R$8 a inteira. Só que todos os moradores da comunidade pagarão somente meia, bastando comprovar que residem na região.
Segundo o prefeito Eduardo Paes, o CineCarioca Nova Brasília terá padrão de conforto e de qualidade de som e de projeção semelhante às das melhores salas da cidade. A programação, segundo ele, também não vai decepcionar: será comercial, com exibição de filmes do chamado circuitão.
- Será um cinema com cara de cinema, um luxo, com 3D, cadeiras confortáveis. E nada de só programação "cabeça". Se tiver bons filmes nacionais, a gente coloca, se tiver bom filme de circuito, a gente exibe - disse o prefeito, que hoje, às 10h30m, vai entregar o presente à população numa sessão especial só para convidados.
As obras do CineCarioca Nova Brasília foram feitas pela Secretaria municipal de Habitação. A gestão e programação ficará sob a responsabilidade da RioFilme, que contratou a empresa CineMagic para gerenciar a sala. Serão quatro sessões diárias, com programação variada. Todos os 12 funcionários do cinema são moradores do Complexo do Alemão. A sessão de estreia vai exibir "Tron: o legado", da Disney, em 3D. Além de Paes e outras autoridades, 60 estudantes da rede municipal de ensino que moram no Alemão vão assistir ao filme.
A sala terá formato stadium, com 93 poltronas de couro - 88 regulares e cinco adaptadas para obesos e pessoas com necessidades especiais -, ar condicionado, isolamento acústico e bomboniere. Tudo será informatizado e, em cerca de 20 dias, adianta Sandro Rodrigues, diretor da CineMagic, os consumidores vão pode comprar ingressos pela internet ou pelo celular.
Paes conta que o projeto de construção do cinema já vinha sendo realizado desde o ano passado, mas que a chegada das forças de segurança ao local possibilitou uma inaguração mais tranquila:
- Que bom que a gente conseguiu inaugurar com a área pacificada. E o melhor é que vai servir não só aos moradores do Alemão, mas aos que vivem nos bairros em volta.
Desempregado há 8 meses, Wellington Cardoso, de 28 anos, que vive num loteamento ao lado da Nova Brasília, conquistou a vaga de gerente do cinema:
- Estou muito feliz por ter conseguido este emprego, perto de onde eu moro. Uma oportunidade de ouro. Sem contar que fico animado de ver as coisas acontecendo por aqui.
De acordo com o presidente da RioFilme, Sérgio Sá Leitão, a expectativa é levar ao cinema gente que nunca havia entrado numa sala de projeção antes:
- É uma comunidade imensa, impedida de ir ao cinema tanto pela questão do preço quanto pela distância, já que os cinemas mais próximos ficam em shoppings da Zona Norte - diz. - A iniciativa é importante tanto pela democratização do acesso quanto pelo desenvolvimento do mercado, já que estamos trazendo para o cinema um público que hoje está afastado deste universo.
Durante os dois primeiros meses de funcionamento do cinema, a prefeitura vai realizar uma pesquisa entre os frequentadores, tanto para medir o grau de satisfação com a sala e com a programção quanto para identificar o perfil do usuário.
De acordo com a RioFilme, o cinema do Alemão será uma sala comercial, com programação voltada para filmes de grande apelo de público, mas sempre haverá espaço para filmes nacionais.
- Não quisemos fazer um cinema dependente da prefeitura. É um cinema como outro qualquer, que segue as regras comerciais, exibindo o que o público quer. Não vamos impor programação. E, em termos de padrão de conforto e de qualidade de som e imagem, é uma das cinco melhores salas da cidade - garante Sérgio Sá Leitão, acrescentando que a projeção será tanto em padrão DCI (digital) quanto 35 mm, podendo exibir filmes em 3D ou 2D.
A inauguração do CineCarioca faz parte de um projeto maior que transformará toda a Praça do Terço, como é conhecido o local na comunidade Nova Brasília, numa área de lazer, esporte e cultura. Segundo o Secretário de Habitação, Jorge Bittar, em 12 meses o lugar, que tem área equivalente à da Praça Saens Peña, vai ganhar também uma quadra poliesportiva, creche, espaço para lazer e um centro de inclusão digital. Somente naquele trecho da praça foram necessárias 159 desapropriações.
- Foi uma feliz coincidência podermos inaugurar o cinema com a favela pacificada, pois durante as obras tivemos alguns problemas de segurança - comentou Bittar.
Filme da Disney estreia hoje na 1ª sala de projeção numa favela
Os moradores do Complexo do Alemão e de seu entorno não precisarão mais se deslocar para outros bairros da Zona Norte para ir ao cinema. Na manhã de hoje, dentro do pacote de presentes de Natal que serão entregues à comunidade, a prefeitura inaugura ali a primeira sala de projeção construída numa favela do Rio: o CineCarioca Nova Brasília, com 93 lugares e equipamentos de última geração, como um projetor 3D. Construído em 12 meses, o cinema custou R$3 milhões, entre obras e equipamentos, e faz parte do projeto"Praças do Conhecimento", que prevê a instalação de salas de exibição e módulos de inclusão digital em áreas onde há obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Um dos maiores atrativos será o preço do ingresso, subsidiado pela prefeitura: R$8 a inteira. Só que todos os moradores da comunidade pagarão somente meia, bastando comprovar que residem na região.
Segundo o prefeito Eduardo Paes, o CineCarioca Nova Brasília terá padrão de conforto e de qualidade de som e de projeção semelhante às das melhores salas da cidade. A programação, segundo ele, também não vai decepcionar: será comercial, com exibição de filmes do chamado circuitão.
- Será um cinema com cara de cinema, um luxo, com 3D, cadeiras confortáveis. E nada de só programação "cabeça". Se tiver bons filmes nacionais, a gente coloca, se tiver bom filme de circuito, a gente exibe - disse o prefeito, que hoje, às 10h30m, vai entregar o presente à população numa sessão especial só para convidados.
As obras do CineCarioca Nova Brasília foram feitas pela Secretaria municipal de Habitação. A gestão e programação ficará sob a responsabilidade da RioFilme, que contratou a empresa CineMagic para gerenciar a sala. Serão quatro sessões diárias, com programação variada. Todos os 12 funcionários do cinema são moradores do Complexo do Alemão. A sessão de estreia vai exibir "Tron: o legado", da Disney, em 3D. Além de Paes e outras autoridades, 60 estudantes da rede municipal de ensino que moram no Alemão vão assistir ao filme.
A sala terá formato stadium, com 93 poltronas de couro - 88 regulares e cinco adaptadas para obesos e pessoas com necessidades especiais -, ar condicionado, isolamento acústico e bomboniere. Tudo será informatizado e, em cerca de 20 dias, adianta Sandro Rodrigues, diretor da CineMagic, os consumidores vão pode comprar ingressos pela internet ou pelo celular.
Paes conta que o projeto de construção do cinema já vinha sendo realizado desde o ano passado, mas que a chegada das forças de segurança ao local possibilitou uma inaguração mais tranquila:
- Que bom que a gente conseguiu inaugurar com a área pacificada. E o melhor é que vai servir não só aos moradores do Alemão, mas aos que vivem nos bairros em volta.
Desempregado há 8 meses, Wellington Cardoso, de 28 anos, que vive num loteamento ao lado da Nova Brasília, conquistou a vaga de gerente do cinema:
- Estou muito feliz por ter conseguido este emprego, perto de onde eu moro. Uma oportunidade de ouro. Sem contar que fico animado de ver as coisas acontecendo por aqui.
De acordo com o presidente da RioFilme, Sérgio Sá Leitão, a expectativa é levar ao cinema gente que nunca havia entrado numa sala de projeção antes:
- É uma comunidade imensa, impedida de ir ao cinema tanto pela questão do preço quanto pela distância, já que os cinemas mais próximos ficam em shoppings da Zona Norte - diz. - A iniciativa é importante tanto pela democratização do acesso quanto pelo desenvolvimento do mercado, já que estamos trazendo para o cinema um público que hoje está afastado deste universo.
Durante os dois primeiros meses de funcionamento do cinema, a prefeitura vai realizar uma pesquisa entre os frequentadores, tanto para medir o grau de satisfação com a sala e com a programção quanto para identificar o perfil do usuário.
De acordo com a RioFilme, o cinema do Alemão será uma sala comercial, com programação voltada para filmes de grande apelo de público, mas sempre haverá espaço para filmes nacionais.
- Não quisemos fazer um cinema dependente da prefeitura. É um cinema como outro qualquer, que segue as regras comerciais, exibindo o que o público quer. Não vamos impor programação. E, em termos de padrão de conforto e de qualidade de som e imagem, é uma das cinco melhores salas da cidade - garante Sérgio Sá Leitão, acrescentando que a projeção será tanto em padrão DCI (digital) quanto 35 mm, podendo exibir filmes em 3D ou 2D.
A inauguração do CineCarioca faz parte de um projeto maior que transformará toda a Praça do Terço, como é conhecido o local na comunidade Nova Brasília, numa área de lazer, esporte e cultura. Segundo o Secretário de Habitação, Jorge Bittar, em 12 meses o lugar, que tem área equivalente à da Praça Saens Peña, vai ganhar também uma quadra poliesportiva, creche, espaço para lazer e um centro de inclusão digital. Somente naquele trecho da praça foram necessárias 159 desapropriações.
- Foi uma feliz coincidência podermos inaugurar o cinema com a favela pacificada, pois durante as obras tivemos alguns problemas de segurança - comentou Bittar.
FELIZ NATAL
Do releituras.com
Vinicius de Moraes
Poema de Natal
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Discurso de despedida de Lula
Do Blog do Planalto, por e-mail

Com o pedido de apoio à presidente eleita, Dilma Rousseff, “em todos os momentos”, o presidente Lula fez uma prestação de contas à Nação em seu último pronunciamento transmitido na noite desta sexta-feira (23/12) em cadeia nacional de rádio e televisão. O apoio a Dilma, disse, “também significa cobrar, na hora certa, como vocês souberam me cobrar”. Ele pediu ainda que os cidadãos não perguntem sobre o seu futuro, mas sim “pelo futuro do Brasil” e afirmou que sua felicidade estará sempre ligada à felicidade do povo.
Lula iniciou o pronunciamento lembrando que deixará a Presidência da República dentro dos próximos dias. Para ele, os últimos oito anos “foram oito anos de luta, desafios e muitas conquistas. Mas, acima de tudo, de amor e de esperança no Brasil e no povo brasileiro”. E prosseguiu:”Com muita alegria, vou transmitir o cargo à companheira Dilma Rousseff, consagrada nas urnas em uma eleição livre, transparente e democrática. Um rito rotineiro neste país que já se firmou como uma das maiores democracias do mundo.
Ouça abaixo a íntegra do pronunciamento oficial do presidente Lula.
A seguir, os principais trechos do pronunciamento oficial do presidente Lula:
Transmissão da faixa Presidencial.
Com o pedido de apoio à presidente eleita, Dilma Rousseff, “em todos os momentos”, o presidente Lula fez uma prestação de contas à Nação em seu último pronunciamento transmitido na noite desta sexta-feira (23/12) em cadeia nacional de rádio e televisão. O apoio a Dilma, disse, “também significa cobrar, na hora certa, como vocês souberam me cobrar”. Ele pediu ainda que os cidadãos não perguntem sobre o seu futuro, mas sim “pelo futuro do Brasil” e afirmou que sua felicidade estará sempre ligada à felicidade do povo.
“Saio do governo para viver a vida das ruas. Homem do povo que sempre fui, serei mais povo do que nunca, sem renegar o meu destino e jamais fugir à luta. Não me perguntem sobre o meu futuro, porque vocês já me deram um grande presente. Perguntem, sim, pelo futuro do Brasil! E acreditem nele. Porque temos motivos de sobra para isso. Minha felicidade estará sempre ligada à felicidade do meu povo. Onde houver um brasileiro sofrendo, quero estar espiritualmente ao seu lado. Onde houver uma mãe e um pai com desesperança quero que minha lembrança lhes traga um pouco de conforto. Onde houver um jovem que queira sonhar grande, peço-lhe que olhe a minha história e veja que na vida nada é impossível.”Nesta última parte da fala -- com duração de quase 11 minutos -- o presidente se dedicou a agradecer “a vocês por terem me ensinado muitas lições. E por terem me fortalecido nas horas difíceis e ampliado minha alegria nas horas alegres”. “Vivi no coração do povo e nele quero continuar vivendo até o último dos meus dias. Mais que nunca, sou um homem de uma só causa e esta causa se chama Brasil! Um feliz Natal e próspero Ano Novo a todos vocês e muito obrigado por tudo”, concluiu.
Lula iniciou o pronunciamento lembrando que deixará a Presidência da República dentro dos próximos dias. Para ele, os últimos oito anos “foram oito anos de luta, desafios e muitas conquistas. Mas, acima de tudo, de amor e de esperança no Brasil e no povo brasileiro”. E prosseguiu:”Com muita alegria, vou transmitir o cargo à companheira Dilma Rousseff, consagrada nas urnas em uma eleição livre, transparente e democrática. Um rito rotineiro neste país que já se firmou como uma das maiores democracias do mundo.
Ouça abaixo a íntegra do pronunciamento oficial do presidente Lula.
A seguir, os principais trechos do pronunciamento oficial do presidente Lula:
Transmissão da faixa Presidencial.
“É profundamente simbólico que a faixa Presidencial passe das mãos do primeiro operário presidente para as mãos da primeira mulher presidenta. Será um marco no belo caminho que nosso povo vem construindo para fazer do brasil, se deus quiser, um dos países mais igualitários do mundo. País que já realizou parte do sonho dos seus filhos. Mas que pode e fará muito mais para que este sonho tenha a grandeza que o brasileiro quer e merece.”Autoestima da população.
“Hoje, cada brasileiro – e brasileira -- acredita mais no seu país e em si mesmo. Trata-se de uma conquista coletiva de todos nós. Se algum mérito tive, foi o de haver semeado sonho e esperança. Meu sonho e minha esperança vêm das profundezas da alma popular -- do berço pobre que tive e da certeza que, com luta, coragem e trabalho, a gente supera qualquer dificuldade. E quando uma pessoa do povo consegue vencer as dificuldades gigantescas que a vida lhe impõe, nada mais consegue aniquilar o seu sonho, nem sua capacidade de superar desafios. E quando um país como o Brasil, cuja maior força está na alma e na energia popular, passa a acreditar em si mesmo, nada, absolutamente nada, detém sua marcha inexorável para a vitória. Foi com esta energia no peito que nós, brasileiros e brasileiras, afugentamos a onda de fracasso que pairava sobre o país quando assumimos o governo. Agora, estamos provando ao mundo -- e a nós mesmos -- que o brasil tem um encontro marcado com o sucesso.”Resultados do governo.
“Se governei bem, foi porque antes de me sentir presidente, me senti sempre, um brasileiro comum que tinha que superar as suas dores, vencer os preconceitos e não fracassar. Se governei bem, foi porque antes de me sentir um chefe de estado, me senti sempre um chefe de família, que sabia das dificuldades dos seus irmãos para colocar comida na mesa, para dar escola para seus filhos, para chegar em casa, todas as noites, a salvo dos perigos e da violência. Se governamos bem, foi, principalmente, porque conseguimos nos livrar da maldição elitista que fazia com que os dirigentes políticos deste grande país governassem apenas para um terço da população. E se esquecessem da maioria do seu povo, que parecia condenada à miséria e ao abandono eternos. Mostramos que é possível e necessário governar para todos -- e quando isso se realiza o grande ganhador é o país.”O crescimento econômico e social.
“O Brasil venceu o desafio de crescer econômica e socialmente e provou que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. Construímos, juntos, um projeto de nação baseado no desenvolvimento com inclusão social, na democracia com liberdade plena e na inserção soberana do brasil no mundo. Fortalecemos a economia sem enfraquecer o social; ampliamos a participação popular sem ferir as instituições; diminuímos a desigualdade sem gerar conflito de classes; e imprimimos uma nova dinâmica política, econômica e social ao país, sem comprometer uma sequer das liberdades democráticas. Ao receber ajuda e apoio, o nosso povo deu uma resposta dinâmica e produtiva, trabalhando com entusiasmo e consumindo com responsabilidade, ajudando a formar uma das economias mais sólidas e um dos mercados internos mais vigorosos do mundo. Em suma : governo e sociedade trabalharam sempre juntos, com união, equilíbrio, participação e espírito democrático.”O Brasil das grandes obras.
“O Brasil demonstra, hoje, sua pujança em obras e projetos que estão entre os maiores do mundo e vão mudar o curso da nossa história. Me refiro às obras das hidrelétricas de Jirau, Santo Antônio e Belo Monte; às refinarias de Pernambuco, Rio de Janeiro, Maranhão e Ceará; às estradas que vão abrir rotas inéditas e estratégicas, como as ligações com o Pacífico e o Caribe; e às ferrovias Norte-Sul, Transnordestina e Oeste-Leste, além do projeto, em licitação, do trem de alta velocidade, que vai ligar São Paulo ao Rio. Também estamos fazendo os maiores investimentos mundiais no setor de petróleo, principalmente a partir da descoberta do Pré-sal, que é o nosso passaporte para o futuro. Ele vai gerar milhões de empregos e uma riqueza que será, obrigatoriamente, aplicada no combate à pobreza, na saúde, na educação, na cultura, na ciência e tecnologia e na defesa do meio ambiente.”Programas de transferência de renda.
“Estamos, ainda, realizando um dos maiores projetos de combate à seca do mundo: a transposição das águas do São Francisco, que irá matar a sede e diminuir a pobreza de milhões e milhões de nordestinos. Ao mesmo tempo em que realiza grandes obras, o brasil, acima de tudo, cuida das pessoas
- em especial das pessoas mais pobres.”
“Temos, hoje, os maiores e mais modernos programas de transferência de renda, segurança alimentar e assistência social do mundo. Entre eles, o Bolsa Família, que beneficia quase 13 milhões de famílias pobres e é aplaudido e imitado mundo afora. Nosso modelo de governo também permitiu que o salário mínimo tivesse ganho real de 67% e a oferta de crédito alcançasse 48% do PIB em 2010, um recorde histórico. O investimento em agricultura familiar cresceu oito vezes e assentamos 600 mil famílias -- metade de todos os assentamentos realizados no brasil até hoje.”Luz para Todos.
“Com o Luz para Todos levamos energia elétrica a 2 milhões e 600 mil pequenas propriedades. E, através do minha casa minha vida, estamos construindo 1 milhão de moradias, e as famílias que recebem até 3 salários mínimos serão as mais beneficiadas. Na área da saúde, tivemos vários avanços como o SAMU, o Brasil Sorridente e as Unidades de Pronto Atendimento, as UPAs, que estão sendo construídas Brasil a fora.”O Brasil mudou de patamar.
“Triplicamos o investimento em educação, elevando a qualidade do ensino em todos os níveis. Inaguramos 214 escolas tecnicas federais, mais do que foi feito em 100 anos. E implantamos 14 novas universidades e 126 novas extensões universitárias em todas as regiões do país. O PROUNI beneficiou 750 mil jovens de baixa renda, com bolsas universitárias.”
“Temos, quase US$ 300 bilhões de reservas internacionais próprias -- dez vezes mais do que tínhamos no início do nosso governo. Nossa taxa média anual de crescimento dobrou. Agora, em 2010, por exemplo, vamos ter um crescimento recorde de quase oito por cento -- um dos maiores do mundo.”A fé em três fundamentos.
“E outras quatro grandes conquistas provam, com força simbólica e concreta, que nosso país mudou de patamar. E também mudou de atitude. Geramos 15 milhões de empregos, um recorde histórico, e hoje começamos a viver um ciclo de pleno emprego. Promovemos a maior ascensão social de todos os tempos, retirando 28 milhões de pessoas da linha da pobreza e fazendo com que 36 milhões entrassem na classe média. Zeramos nossa dívida com o Fundo Monetário Internacional e agora é o Brasil que empresta dinheiro ao FMI. E, ao mesmo tempo, reduzimos como nunca o desmatamento na Amazônia.”
“A minha maior felicidade é saber que vamos ampliar todas estas conquistas. Minha fé se alicerça em três fundamentos: as riquezas do Brasil, a força do seu povo e a competência da presidenta Dilma. Ela conhece, como ninguém, o que foi feito e como fazer mais e melhor. Tenho certeza de que Dilma será uma presidenta à altura deste novo Brasil, que respeita seu povo e é respeitado pelo mundo. Este país que, depois de produzir seguidos espetáculos de crescimento e inclusão, vai sediar os dois maiores eventos do planeta: a Copa do Mundo e as Olimpíadas.”
“Este país que reduziu a desigualdade entre as pessoas e entre as regiões e vai seguir reduzindo-a muito mais. Este país que descobriu que não há maior conquista do que recuperar a autoestima do seu povo.”
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
O machismo dos sem graça do ex-casseta
Por Eduardo Guimarães, em seu blog
Casseta cai por ser machista e sem graça
Enquanto a patrulha politicamente correta perde tempo com blogs, o moribundo programa “humorístico” global “Casseta & Planeta” veiculou, na última terça-feira, um dos maiores incentivos ao machismo que já vi em um meio de comunicação de massas. E o que é pior, no maior meio do país e no horário de maior audiência.
No programa em questão, os doublés de humorista Hubert e Cláudio Manoel interpretam, respectivamente, o presidente Lula e Dilma Rousseff. O diálogo sem graça, politiqueiro e desrespeitoso com a condição feminina explica à perfeição porque a tradicional atração da Globo vem perdendo audiência ano após ano, sobretudo depois da morte de Bussunda.
Como se sabe, Após 18 anos no ar o humorístico “Casseta & Planeta urgente” terá sua última edição neste mês de dezembro, segundo anúncio da Central Globo de Comunicação feito no dia 26 do mês passado.
Os comediantes terão férias compulsórias após o fim de dezembro. Apesar de os defenestrados por falta de público dizerem que haverá um novo projeto de humorístico que entraria no ar a partir do segundo semestre de 2011, o próprio grupo reconhece que não há uma idéia de como será o novo programa. “Se a gente tivesse uma [idéia] não precisaríamos sair dessa forma”, disse Hélio de la Peña em entrevista ao G1.
Pouco adiantou o histriônico Marcelo Madureira, o mais politizado dos cassetas, ir bajular a imprensa golpista lá no instituto Millenium. Televisão é audiência e os Marinho não gastam vela com mau defunto, nessas questões, por mais que seus artistas achem que o caminho para um programa humorístico é o de debochar dos adversários políticos do patrão.
Os cassetas terão que apresentar à Globo uma idéia que funcione, se quiserem voltar ao ar. E, lamentavelmente, eles se perderam, pois a perda de audiência se deve ao quadro que este post descreve a seguir e que passou batido por essa turma que anda se arvorando em porta voz do feminismo verde-amarelo, pois ficam preocupados em patrulhar o micro enquanto o macro debocha da capacidade da mulher de liderar.
Reproduzo, abaixo, o diálogo da edição do Casseta& Planeta de 21 de dezembro último. Tal diálogo se dá entre o presidente Lula e Dilma Rousseff, que assim aparecem caracterizados na transcrição.
“Lula” (Hubert) – Ah, Dilmandona, parabéns pela sua vitória nessa tal de eleição, entendeu, mas eu vou logo avisando, hein: não quero trairagem comigo, não. Quem vai mandar, sou eu… He, he, he…
“Dilma” (Cláudio Manoel) com voz rouca igual à de “Lula – Pode ficar tranqüilo, eu vou ser bem obediente e boazinha.
“Lula” – Eu sei, mas você vai ter que seguir o meu regime…
“Dilma” – É claro, chefinho, eu vou fazer tudo igualzinho, vou nomear até os mesmos ministros.
“Lula” – Não, não é nada disso que eu to falando, não. Tu vai ter que seguir o meu regime alimentar. Ó só: tu vai comer ovo, repolho, batata-doce e feijão. Todo dia… He, he, he…
“Dilma” – Mas chefinho, se eu comer isso todo dia vai dar muito pum.
“Lula”, segurando os ombros de “Dilma” e conduzindo-a à “cadeira presidencial” – Eu sei, mas eu quero que você esquente a cadeira pra mim. Assim, quando eu voltar, vai estar bem quentinha… He, he, he…
Muito engraçado, não? Perdoem-me se não morro de rir de humor tão “inteligente”. Meia dúzia de chavões do colunismo golpista para um público que, em quase unanimidade, idolatra o presidente e que, segundo pesquisas de opinião recentes, crê que sua sucessora fará um governo igual ou melhor que o dele.
Dilma é apresentada como um marionete, sendo conduzida por Lula pelos ombros e prometendo ser “boazinha e obediente”. Piada sem graça que estimula essa visão tão tragicamente disseminada de absoluto desprezo pela capacidade da mulher de liderar, de ser protagonista em vez de coadjuvante.
Isso é o que acontece quando humoristas e patrulheiros perdem o foco. O primeiro ventinho mais forte os leva embora. Todavia, sendo construtivo, julgo que os cassetas são um caso perdido, mas essas pessoas que levantam bandeiras e que perderam o foco, ainda podem refletir e tratar de combater o que interessa.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Para História, definitivamente!
Do blog do Ale Porto
Imagens de uma diplomação histórica. Seja bem vinda Dilma Rousseff
Dilma foi diplomada hoje presidenta do Brasil e entre suas muitas manifestações, prometeu cuidar da estabilidade econômica. Nós que tanto trabalhamos anonimamente ou não por essa vitória, que é uma vitória do projeto político liderado pelo Partido dos Trabalhadores, devemos reconhecer que esse é um patrimônio a ser realmente preservado. A estabilidade, a ousadia das reformas microeconômicas, a aposta no crédito, as políticas de transferência de renda entre outros, transformaram o Brasil no gigante econômico que ele sempre prometeu. E prometeu principalmente para os que sofriam as conseqüências desse país marcado pela desigualdade.
E foram fundamentais para que o presidente Lula tivesse cacife para nos oferecer uma candidata que parecia improvável. Se não pelas suas incontestáveis qualidades pessoais, mas por inexperiência polítco-eleitoral. A gente sabia que o “poste”tinha tudo para virar “farol”. Mas fizeram de tudo pra nos convencer do contrário.
Além disso, se Dilma quer de fato consolidar as conquistas econômicas do trabalhador brasileiro, precisa mirar com lupa os gargalos da produtividade para que os ganhos da recuperação econômica, da saída estagnação, se tornem de fato sustentáveis. Qualificar mão de obra é fundamental, mas antes disso é preciso educar para felicidade, apostar no ser humano.
Como comentei ontem, Dilma montou uma equipe afinada, experiente e comprometida com a herança bendita que ela ajudou a construir. Essa ousadia, no entanto, não pode se afastar dos compromissos ambientais, sem cair na falsa agenda santuarista. A preservação da biodiversidade não deve ser um mero discurso ou aceitação passiva de pressões externas, mas uma forte compreensão de que a nossa grande riqueza está no patrimônio ambiental. Preservá-lo é dar vida longa a esse ativo, que é de todos nós. Seja a Amazônia, sejam os rios e os mares, seja o Pré-Sal e solo agrícola. São matérias primas para o nosso desenvolvimento, que ao longo dos séculos vimos escapulir por pouco ou nenhum valor.
Seja bem vinda Dilma Rousseff. A trilha já foi aberta; juízo, equilíbrio, coragem e perseverança.
Ah!. E alguém reconhece esse galã de cinema?
Imagens de uma diplomação histórica. Seja bem vinda Dilma Rousseff
Dilma recebendo o diploma do presidente do TSE, ministo ro Ricardo Lewandowski
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Dilma foi diplomada hoje presidenta do Brasil e entre suas muitas manifestações, prometeu cuidar da estabilidade econômica. Nós que tanto trabalhamos anonimamente ou não por essa vitória, que é uma vitória do projeto político liderado pelo Partido dos Trabalhadores, devemos reconhecer que esse é um patrimônio a ser realmente preservado. A estabilidade, a ousadia das reformas microeconômicas, a aposta no crédito, as políticas de transferência de renda entre outros, transformaram o Brasil no gigante econômico que ele sempre prometeu. E prometeu principalmente para os que sofriam as conseqüências desse país marcado pela desigualdade.
E foram fundamentais para que o presidente Lula tivesse cacife para nos oferecer uma candidata que parecia improvável. Se não pelas suas incontestáveis qualidades pessoais, mas por inexperiência polítco-eleitoral. A gente sabia que o “poste”tinha tudo para virar “farol”. Mas fizeram de tudo pra nos convencer do contrário.
Além disso, se Dilma quer de fato consolidar as conquistas econômicas do trabalhador brasileiro, precisa mirar com lupa os gargalos da produtividade para que os ganhos da recuperação econômica, da saída estagnação, se tornem de fato sustentáveis. Qualificar mão de obra é fundamental, mas antes disso é preciso educar para felicidade, apostar no ser humano.
Como comentei ontem, Dilma montou uma equipe afinada, experiente e comprometida com a herança bendita que ela ajudou a construir. Essa ousadia, no entanto, não pode se afastar dos compromissos ambientais, sem cair na falsa agenda santuarista. A preservação da biodiversidade não deve ser um mero discurso ou aceitação passiva de pressões externas, mas uma forte compreensão de que a nossa grande riqueza está no patrimônio ambiental. Preservá-lo é dar vida longa a esse ativo, que é de todos nós. Seja a Amazônia, sejam os rios e os mares, seja o Pré-Sal e solo agrícola. São matérias primas para o nosso desenvolvimento, que ao longo dos séculos vimos escapulir por pouco ou nenhum valor.
Seja bem vinda Dilma Rousseff. A trilha já foi aberta; juízo, equilíbrio, coragem e perseverança.
Dilma com a filha e a mãe
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Dilma e seus "Três Porquinhos"
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Dilma Rousseff foi diplomada na tarde desta sexta-feira, 17, presidente da República, ao lado do seu vice, Michel Temer. A cerimônia, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi rápida. Em pouco mais de 20 minutos, foram entregues os diplomas. Tanto Dilma e como o presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandowski, fizeram breves discursos.
Em sua fala, Dilma fez questão de elogiar a atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Sei da responsabilidade de suceder um governante da estatura do presidente Lula", declarou. "Quanto orgulho temos ter um homem do povo conduzindo o país", ela diz, ao ressaltar que agora a "ousadia" do povo foi ter escolhido uma mulher para assumir a presidência.
Ela afirmou ainda que vai "honrar as mulheres, cuidar dos mais fracos e governar para todos". Prometeu cuidar da estabilidade econômica e dos investimentos. "Nenhuma estratégia política ou econômica é efetiva se não se refletir na vida de cada trabalhador, de cada empresário, de cada pessoa desse País."
Estiveram presente à cerimônia o presidente do Superior Tribunal de Justiça, Ari Pagendler, os ministros do Supremo Tribunal Federal, Ellen Gracie, Carlos Ayres Britto e José Antônio Dias Toffoli. Os chamados "três porquinhos" – José Eduardo Cardozo, José Eduardo Dutra e Antônio Palocci -, que coordenaram a campanha de Dilma, também estavam no TSE, além dos ministros Luiz Paulo Barreto (Justiça) e Nelson Jobim (Defesa) e do presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP), entre outros.
Ah!. E alguém reconhece esse galã de cinema?
Obrigado presidente.
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terça-feira, 21 de dezembro de 2010
FEMINISMO CONTEMPORÂNEO
Do blog da Maria Frô
Heleieth Saffioti e o feminismo de humanização dos seres humanos
Heleieth inaugurou o feminismo contemporâneo no Brasil
Por Fátima de Oliveira, em O Tempo
21.12.2010
Deixou-nos em 13.12.2010 um ícone do feminismo: Heleieth Saffioti (1934-2010), socióloga, autora de “A Mulher na Sociedade de Classes: Mito e Realidade” (1969), algo como a pedra inaugural do feminismo contemporâneo no Brasil. Não consegui ir ao seu enterro e lamentei que ela não realizou três desejos: acariciar o meu cavalo Taj Mahal, banhar-se na cachoeira de Lea Melo e conhecer minha neta Maria Clara.Desfazíamos as malas no quarto do hotel quando ela bateu à porta. Os “presentes” da Lívia, em cima da cama. E, quando ela pousou os olhos neles, eu disse: “Mas Heleieth…”. “Não tenho nada a ver com isso que você está pensando. A Lívia está de prova que eu os guardei na frente da aeromoça. Como ela não disse nada, até riu, nós trouxemos, não foi Lívia? Espero que tenha dito a verdade para sua mãe!”. Era pra rir. E rimos tanto que fomos às lágrimas.Tiete dela, eu a conheci na fundação da União Brasileira de Mulheres (UBM), em Salvador, em 1988, onde, numa fala memorável, ela, encarniçadamente, aprontou poucas e boas! Nem lembro direito. Ela era contra a licença- maternidade, de 120 dias. Prometo recuperar a historia com Ana Maria Rocha. Em 1994, nas preparatórias da IV Conferência Mundial sobre a Mulher (Beijing, 1995), ficamos amigas.Morávamos em Sampa. Meu filho Arthur era pequeno e ela adorava seus “olhos de jabuticabas”. E o entupia de refrigerante: “Pode pedir, Arthur, estou pagando!” Eu raramente dava refrigerante pra minhas crianças. Ela achava um absurdo! Depois que voltei para Beagá (1995), quando ia a Sampa, ela fazia um lauto e refinado jantar em seu belíssimo apartamento na praça da República. Bebíamos Miolo Seleção até alta madrugada. Conversávamos muito por telefone e por e-mail.Ela achava o máximo de coragem eu ter três filhas e dois filhos. Um dia, indagando pela meninada, respondi: “A Maria ainda mora no Rio; a Débora, em Porto Alegre; a Lívia e o Gabriel, em Imperatriz. Comigo, só o Arthur”. Gargalhando, retrucou: “Meniiiiiiiiina, você povoou o Brasil!” Em 5 de março de 2008, recebi um poema dela:“(…) Nossa! Como somos iguais, irmã de ideias! Não foi preciso nascermos irmãs, nos tornamos irmãs!/ Quantas diferenças cultivadas no fértil terreno da igualdade!/ Que a humanidade entenda nossa proposta e irmane-se a nós:/ juntos, construiremos a sociedade igualitária, tornando possível maior felicidade para homens e mulheres,/ minando o campo do desencontro homem-mulher e procurando propiciar o encontro amoroso entre estes seres humanos./ Há que humanizar os seres humanos. Como sou sonhadora! Nesta idade,/ pensando que ainda tenho fôlego para essa gigantesca empreitada./ Dividamos o trabalho:/ Você, que é mais jovem, responsabiliza-se por 99% da tarefa. / Eu, já passada em anos, tentarei dar conta dos 1% restante./ De acordo?” íntegra: (“Minha querida irmã Fátima”: Heleieth Iara Bongiovani Saffioti).Numa viagem a João Pessoa (13º Encontro Nacional Feminista, 2000), em São Paulo, ela arrumou tanta confusão no avião que conseguiu sentar ao lado da “feministinha”. Era Lívia, minha filha! E danou-se a mandar que ela pedisse vinho, vinho e mais vinho! Para quem? “Quer um travesseirinho e um cobertor da Varig?” “Ah, querer eu quero, mas a gente não pode levar!” E ela toda arteira: “Não conte pra sua mãe!” E, zap!, na frente da aeromoça, colocou numa bolsa um travesseiro e um cobertor: “Ah, já sou velha, posso levar. Ninguém vai me mandar abrir a bolsa!”.
*Fátima de Oliveira é médica: - fatimaoliveira@ig.com.br
domingo, 19 de dezembro de 2010
Gil Carvalho: em todos os momentos
Via blog do Favre
*E com os politicos? Parece que não tem muito jeito.
*E a presenca do Jose Dirceu? O que achou de ele ter dito que nunca havia saido do Palacio?
*Como Lula reagiu no dia dos dolares na cueca?
‘Se houver dificuldades, Lula poderá voltar’
Gilberto Carvalho fala sobre piores e melhores dias do governo
GILBERTO CARVALHO em seu gabinete: como ele vai ficar no Planalto, petistas brincam que será o ”olho” de Lula la, mas ele diz que será o ”olho” de Dilma nos movimentos sociais
ENTREVISTA Gilberto Carvalho
Numa sala quase colada a do presidente Lula, no terceiro andar do Palacio do Planalto, o petista paulista Gilberto Carvalho presenciou, nos ultimos oito anos, os piores e os melhores momentos do governo. Viu de tudo um pouco e levou as maiores broncas de Lula, o amigo que o chama carinhosamente de Gilbertinho. Amigo que Gilberto conhece tanto e tão bem que arrisca afirmar: - Se houver dificuldades, e ele for a solução para a gente ter uma vitoria (em 2014), ele pode voltar.
Em janeiro, Gilberto troca de sala. Ficará mais distante do gabinete presidencial, mas nem por isso tera mais tranquilidade. Petistas brincam que ele será ”o olho” de Lula na casa de Dilma. Com calma e tranquilidade tipicas de ex-seminarista, diz que, como secretario-geral da Presidencia, será apenas ”o olho de Dilma nos movimentos sociais”.
Nesta entrevista ao GLOBO, concedida quinta-feira à tarde em seu gabinete, confessa que, no auge do mensalao, foram muitos os dias em que se achava por ali que Lula não terminaria o mandato. E diz tambem que 2014 esta aberto para Lula: dependerá da gestao de Dilma.
Diana Fernandes e Chico de Gois – O GLOBO
BRASÍLIA – O GLOBO: O que muda na rotina do Planalto com a saída de Lula e a chegada de Dilma Rousseff?
GILBERTO CARVALHO: A gente vai perder a coisa muito espontânea, calorosa do presidente. Ele, o tempo todo, até quando dá broncas — e não são poucas nem fáceis —, em seguida faz uma brincadeira, uma gozação.
* O senhor levou muitas broncas?
GILBERTO: Muitas. Uma vez, no primeiro mandato, estava com um grupo de ministros na sala. Eu havia preparado a agenda do dia seguinte. Ele tinha pedido para colocar (uma audiencia) na parte da manha, mas joguei para a tarde e precisava mostrar a ele. Ele me deu um grito fora do tom na frente dos ministros. Devia estar com outra coisa na cabeca. Falou uma barbaridade: ”isso e uma incompetencia. Nao e possivel que você nao aprenda”. Fiquei emputecido. E pensei: ”Eu te pego”. Mas não podia reagir ali, na frente dos ministros.
*E ficou por isso mesmo?
GILBERTO: No dia seguinte, quando estava terminando o dia, antes que eu falasse, ele disse: ”Ontem fui para casa e não consegui dormir. Marisa perguntou o que eu tinha e eu disse que tinha sido meio grosso com você. Falei para ela que não tinha sido legal. Ela perguntou se eu ia pedir desculpa. Ah, pedir desculpa p… nenhuma. Va a m…” Foi a forma de ele pedir desculpa.
*Com Dilma será diferente, nao e?
GILBERTO: Tenho ligação muito legal com Dilma. Quando ela me chamou, ela disse: ”A gente se conhece ha oito anos, você confia em mim e eu, em você, e quero que você esteja ao meu lado, dizendo as verdades, me ajudando a enxergar as coisas”. Ao contrario do que pode parecer, ela tem enorme sensibilidade para arte, musica…
* E para pessoas, tambem?
GILBERTO: Com as pessoas também. Mas ela tem um trato muito objetivo da coisa. Ela é mais direta.
*E com os politicos? Parece que não tem muito jeito.
GILBERTO: A Dilma tem uma incrivel capacidade de aprendizado. Se você pensar que é uma pessoa que nunca tinha sido candidata e, de repente, ter nos ombros uma candidatura a Presidencia da República, e com a obrigação de ganhar, é uma carga muito grande. E ela era subestimada. Sentar naquela cadeira traz um peso e uma responsabilidade. Ela vai continuar, com os mais proximos, dando broncas, como ele tambem fazia. Para algum lado, o cara tem de explodir.
*Na sua opiniao, a presidente eleita vai tentar uma aproximação maior com o povo? Lula diz que e isso que o fortalece. Ou será mais voltada para a gestao?
GILBERTO: Ela vai dar muita importancia para a gestão, porque Dilma vai aos detalhes. Ela descentraliza, mas cuida muito das coisas. Agora, não vai se descuidar deste lado (buscar contato com o povo). Ela me disse que sabe que os movimentos sociais, para ela, serão mais importantes do que foram para o Lula. Com o Lula era uma coisa natural.
* O senhor tera papel de interlocução da presidente com o PT?
GILBERTO: Sem duvida. Tenho consciencia disso. Não exclusivamente eu, porque temos muitos petistas no governo. Mas devo ter uma atenção especial nisso, nessa relação com o partido. Mas vocês podem notar que ela foi muito bem assimilada pelo PT.
*E a presenca do Jose Dirceu? O que achou de ele ter dito que nunca havia saido do Palacio?
GILBERTO: Nao entendi o que ele quis dizer. Ele nunca mais foi visto aqui. O Ze teve alguns contatos esporádicos com o presidente. Nunca aqui no Palacio. Tive contatos com ele de vez em quando. A gente é amigo. O Ze é um cara que contribui. E um grande formulador. Ele tem seus problemas, mas não seria inteligente o partido deixar um quadro como esse solto.
*Mas, no governo Dilma, ele pode ajudá-la?
GILBERTO: O Ze esta absolutamente centrado no processo dele. Toda ação dele é precedida da logica de trabalhar pela absolvição (no STF, no processo do mensalão). Vai ser semelhante ao que foi no governo Lula. De vez em quando vai conversar com a Dilma, dar um pitaço aqui, outro la.
*No governo do Lula, a relação dele com a imprensa foi quase um caso de amor e odio. Como o senhor acha que vai ser com Dilma?
GILBERTO: Acho que, como ela vai ter menos rompantes que o presidente, essas fases serão menos evidentes. Nesta historia tem uma coisa que é do jogo: nunca o governo vai estar satisfeito com a imprensa, e vice-versa. Porque e da tensão natural das coisas. Mas não me lembro de um unico fato de ameaça a liberdade de imprensa neste governo. O que ele (Lula) se deu o direito? De criticar a imprensa. E toda vez que ele faz uma critica, vira chavismo. Com Dilma, ela tera uma leveza em relação a isso.
*E a regulação da midia?
GILBERTO: Isso tera continuidade, mas nao sera feito com um decreto. Nada que ameace a liberdade de imprensa. Não tera controle de conteúdo. Isso vai passar pelo Congresso, vai ter muito debate, audiencia publica.
*O que mais marcou os oito anos de governo, para o bem e o mal?
GILBERTO: O que deixa a gente orgulhoso é uma coisa mais espiritual que material. é a mudanca na autoestima do povo. Hoje, as pessoas se identificam mais como brasileiros, tem mais crença no pais e em si mesmas. Ela foi costurada a partir de uma serie de elementos. Um deles foi ter um presidente com a cara das pessoas do povo. Outro foi a mudança real na distribuição da renda, a questao da ascensão. A politica externa. E mais uma coisa: a abertura do Planalto para todos os segmentos da sociedade.
*Onde erraram, fizeram menos?
GILBERTO: As falhas foram muitas. Não conseguimos mudar o modelo de gestão do Estado. Não conseguimos inovar suficientemente na modernização da maquina e ganhar eficiencia. Na corrupção, apesar de todo o nosso esforço – a Policia Federal entrou aqui no Palacio, pela primeira vez, fiscalizou os nossos, coisa que antes não fazia. Apesar disso, ha uma frustração de ver que a cultura da corrupção continua. No nosso governo, os elementos da corrupção ficaram mais expostos, coisa que antes estava debaixo do tapete. E não da para não mencionar o assim chamado mensalão.
*Lula disse que vai se dedicar a desmontar “a farsa do mensalão”…
GILBERTO: A insurgencia do Lula sobre isso se da mais sobre essa pecha de que o governo dele precisou comprar deputados para votarem a favor. Ele rejeita isso. O que houve foi um erro da tesouraria do PT em transformar os bancos BMG e Rural na tesouraria do partido.
*Voces achavam na epoca que o presidente tinha chance de se reeleger?
GILBERTO: Houve muitos momentos em que a gente nem sabia se chegava ao final do governo. Houve dois dias em que as coisas foram muito dificeis. Um deles foi o depoimento do Duda Mendonca. Dava a impressao de que, de fato, o impeachment estava muito vizinho. Outro foi o famoso dia dos dolares na cueca. Aquele dia deu a impressão de que a gente nao sabia o que mais podia ocorrer.
*Como Lula reagiu no dia dos dolares na cueca?
GILBERTO: Ele cobriu o rosto com as maos, me lembro bem. E diziamos: “Aonde esse pessoal doido vai nos levar?”. Mas ele aguentava a pancada toda e ainda consolava os aflitos.
*Em algum momento ele pensou em jogar a toalha?
GILBERTO: Ele foi muito forte. Quando teve aquela famosa conversa – e os personagens todos negam hoje (um deles o ex-ministro Marcio Thomaz Bastos) – em que disseram que era melhor ele fazer um acordo com a oposição e nao tentar a reeleição, para terminar o mandato… Ele não deu resposta. Eu soube no dia seguinte, quando ele me contou: ”Fico pensando que essas pessoas nao tem noção da minha ligação com o povo. Nao tem hipotese de isso acontecer. E eu vou ganhar esta eleição dos caras”. Eu mesmo tinha muitas duvidas.
*E qual foi o momento que deixou Lula mais feliz?
GILBERTO: E dificil pontuar. A cabeça do Lula, o lado bom, funciona muito em função das boas noticias. Por exemplo: divulgação do Caged. Toda vez que vem noticia de que aumentou o emprego, ele fica feliz. Quando vem noticias de apoio popular, o bicho veio fica feliz. Tambem tem muito orgulho da politica externa.
*Mas a posição do Brasil em relação aos direitos humanos não e bem vista la fora. A propria Dilma disse que discorda de decisões nessa area.
GILBERTO: Não é que ele não concorde que os direitos humanos são importantes. Claro que ele sabe. Mas ele sabe da complexidade. Sabe o que esta em jogo quando se toma uma decisão dessas. A politica externa tem muito de xadrez e bilhar. Você bate aqui para reverberar la, faz concessões as vezes para poder conquistar outro objetivo la na frente.
*A candidatura da Dilma foi uma teimosia dele, para provar ”olha como eu sou bom”?
GILBERTO: Eu avalio que foi uma enorme teimosia dele, sob, inclusive, a descrença de muita gente aqui dentro do Palacio, que não sabia se seria possivel fazer da Dilma uma pessoa com viabilidade eleitoral. Alguns ate diziam que ele escolheu a Dilma porque, se perdesse, nao perderia nada. Mas não era assim. Ele falava que iamos ganhar.
*O senhor acha que ele volta em 2014?
GILBERTO: Eu acho que essa e uma questão muito aberta na cabeça dele. A minha opinião é que ele vai ficar olhando a conjuntura. Num cenario de a Dilma fazer um governo bom, ã evidente que ela vai a reeleiçao. Se houver dificuldades, e ele for a solução para a gente ter uma vitoria, ele pode voltar. Isso não é um dogma para ele.
*Não seria um risco grande depois de sair com a popularidade recorde?
GILBERTO: Seria. Mas ele voltaria numa situação muito favoravel. Ou muito necessaria.
*Como sera o futuro de Lula? O instituto que ele quer criar?
GILBERTO: Ele pretende fazer um centro memorial, não mais com coisa dele, mas vinculada a uma universidade, provavelmente vinculada a Federal do ABC. E tambem tratar dos projetos voltados para a Africa. Mas nada de cargo em organismo internacional. Ele não vai ficar amarrado a nada. ■
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