terça-feira, 12 de julho de 2011

"A sua dor é a minha dor; o seu sofrimento é o meu sofrimento; a sua alegria é a minha alegria."

Do Portal Adital

Carta aberta à Presidenta Dilma Rousseff
Lurildo R. Saraiva
Professor Associado de Cardiologia da Universidade Federal de Pernambuco
Adital
Recife, 19 de maio de 2011.

Excelentíssima Senhora Dilma Roussef,
Presidenta da República Federativa do Brasil.

Prezada Senhora,

Antes de tudo, devo dizer-lhe da honra com que me invisto neste momento em que, aos 64 anos de idade, como médico e professor universitário há 40 anos, me dirijo pela primeira vez na vida, à autoridade maior do meu país. É uma honra indescritível.

Eu o faço com autoridade, pois, como Vossa Excelência, lutei contra a ditadura civilmilitar que nos infelicitou durante longos 21 anos, não atingindo eu, de longe sequer, a estatura que Vossa Excelência alcançou, ao sofrer torturas e manter-se digna e honrada, jamais delatando os nossos companheiros. Mas, nessa luta adquiri doença intestinal sem cura, que me limitará até o fim dos meus dias. Sofri muito também.

Bem sei que a visão do mundo que tem Vossa Excelência nos dias de hoje é um pouco diferente da que teve nos primórdios de sua juventude. Eu, no entanto, trabalhando com oprimidos e excluídos deste país, nesses anos todos, muito pelo contrário, solidifiquei cada dia mais a crença de que somente uma sociedade de natureza socialista produzirá paz e justiça no mundo. Cearense, da região do Cariri, onde reinou o Padre Cícero, chegando ao Recife aos 14 anos, já sequioso de justiça social, descobri que um dos homens mais ricos de Pernambuco era o Senhor Armando Monteiro Filho, hoje, 50 anos depois, Senhora, um dos seus filhos mais ricos é o Senhor Armando Monteiro Neto, amigo dileto do Presidente Lula. Quando aqui vim, meninote, surpreendi-me ao ver morros desabarem por chuvas, matando os infelizes habitantes de lugar tão impróprio à dignidade humana, hoje, após 50 anos, os morros desabam e matam esses infelizes do mesmo modo. O que mudou, Excelência, a riqueza e a pobreza não se encontram nas mesmas mãos? Recife cresceu, sim, mas prédios se multiplicaram e enfearam uma das cidades mais bonitas do Brasil, surgindo uma violência jamais vista nos anos 60, a luta de classes a tomar aspecto dramático e por demais perigoso.

Vossa Excelência, com justíssima razão, diz que o combate à miséria será um dos seus maiores objetivos. Mas, Vossa Excelência sabe, muito mais que eu, que é da essência do Capitalismo a produção de pobres e a corrupção. Nos Estados Unidos da América, país capitalista exemplar, há 46 milhões de habitantes que dependem do bolsa família daquele país, são desvalidos na nação mais rica do mundo, o que se constitui uma ofensa ao Criador e Pai, como pregava Dom Helder Camara.

Senhora, eu trabalho com crianças e adolescentes portadores de febre reumática nos anos todos da minha vida de médico. Conhecida na França como "Maladie de Bouillaud”, quando estive em Bordeaux, em 2005, os colegas ficaram estupefatos quando souberam que minha Tese de Doutorado estudou esse mal, simplesmente porque ele inexiste naquele país há mais de 30 anos, inclusive já não mais sendo ministrado no currículo médico, não há mais necessidade, é coisa da História da Medicina na França. Na Dinamarca, é de notificação compulsória desde 1860 - pense, Excelência, 1860 - aqui no nosso país, por incúria do Ministério da Saúde, até hoje não o é. E, no entanto, Senhora Presidenta, por complicações em valvas cardíacas humanas, mata aqui em Pernambuco, e mata sem piedade. Cerca de um terço das cirurgias valvares no Brasil são feitas em valvas danificadas pelo reumatismo. O Ex-Ministro da Saúde, Senador Humberto Costa, foi meu aluno e sabe disto, mas se omitiu.

Carrego no meu coração dezenas de cadáveres de meninos, meninas, adolescentes, mortos no alvorecer da vida por complicação de doença facilmente preventiva, por um Serviço de Saúde Pública, que identificasse os casos, mudasse o estilo de habitação, proporcionasse na própria residência a administração da penicilina regular que evita as recidivas da moléstia, mapeasse os que moram nas vizinhanças, como se faz em Cuba e na França. Entre nós, pelo contrário, dificultou-se o uso do antibiótico por "fantasias” criadas a respeito do seu uso, entre elas, a de que "pode matar”, mas, tal possibilidade, que nunca vi em 40 anos de vida profissional, pode haver em 0,02% das vezes, enquanto a ação protetora é de 97,5% - os números são eloquentes, Senhora, eles falam por si.

A História lhe entregou, Senhora Presidenta, em dois momentos da sua vida, duas missões raras e singulares. Na primeira, tão jovem, Vossa Excelência se saiu com altivez e honra, no combate aos tiranos de 1964. A segunda, a Senhora a recebe neste momento. Compete-lhe, agora, Excelência, se desejar, mudar o destino trágico de um povo sofrido, bom, amável, digno. O modelo econômico neoliberal é cruel demais com os desgraçados, como os nomeava o grande Graciliano Ramos, e enriquece em demasia os que já são ricos de nascença. Mude isto, Excelência, que orgulho de semelhante ação da Senhora terão os nossos filhos e netos, os nossos descendentes, como a História lhe louvará!

O mundo dos pobres em que trabalho remonta, em vários aspectos, à Inglaterra descrita por Charles Dickens, no século 19. O último paciente que perdi, Elvis Paulo de Andrade, sabendo-me doente, ele próprio gravemente enfermo também, em mensagem, disse-me: "Doutor, a sua dor é a minha dor; o seu sofrimento é o meu sofrimento; a sua alegria é a minha alegria”. A nação perde um menino desses, de tanta sensibilidade, no alvorecer dos seus melhores anos, aos 25 anos, deixando sua mãe arrasada, pois que lhe era seu único filho homem, ajudando-a com o salário mínimo, que eu lhe conseguira pelo INSS. Sinto esgotar a minha capacidade humana de ver e sentir tanto sofrimento, que eu sei de natureza fundamentalmente sócioeconômica.

Vossa Excelência ama a obra de Mozart. Então, Excelência, ouvindo o "Concerto número 21 para piano e orquestra” desse gênio -dizem, a música preferida de Deus- leia e medite estas palavras do inesquecível José Saramago:

"Penso que estamos cegos, Cegos que veem, Cegos que, vendo, não veem”

Com respeito e grande admiração,
Lurildo Saraiva

O improvável é ainda possível

Da Agência Carta Maior
A perda de confiança na ordem atual


DEBATE ABERTO

Vigora uma desconfiança generalizada de que deste sistema não poderá vir nada de bom para a humanidade. Estamos indo de mal a pior em todos os itens da vida e da natureza. O futuro depende do cabedal de confiança que os povos depositam em suas capacidades e nas possibilidades da realidade. E esta confiança está minguando dia a dia.

Na perspectiva das grandes maiorias da humanidade, a atual ordem é uma ordem na desordem, produzida e mantida por aquelas forças e países que se beneficiam dela, aumentando seu poder e seus ganhos. Essa desordem deriva do fato de que a globalização econômica não deu origem a uma globalização política. Não há nenhuma instância ou força que controle a voracidade da globalização econômica. Joseph Stiglitz e Paul Krugman, dois prêmios Nobel em economia, criticam o Presidente Obama por não ter imposto freios aos ladrões de Wall Street e da City, ao invés de se ter rendido a eles. Depois de terem provocado a crise, ainda foram beneficiados com inversões bilionários de dinheiro público. Voltaram, airosos, ao sistema de especulação financeira.

Estes excepcionais economistas são ótimos na análise; mas, mudos na apresentação de saídas à atual crise. Talvez, como insinuam, por estarem convencidos de que a solução da economia não esteja na economia, mas no ‘refazimento’ das relações sociais destruídas pela economia de mercado, especialmente, a especulativa. Esta é sem compaixão e desprovida de qualquer projeto de mundo, de sociedade e de política. Seu propósito é acumular maximamente, apropriando-se de bens comuns vitais como água, sementes e solos e destroçado economias nacionais.

Para os especuladores, também no Brasil, o dinheiro serve para produzir mais dinheiro e não para produzir mais bens. Aqui o Governo tem que pagar 150 bilhões de reais anuais pelos empréstimos tomados, enquanto repassa apenas cerca de 60 bilhões para os projetos sociais. Esta disparidade resulta eticamente perversa, consequência do tipo de sociedade a qual nos incorporamos, sociedade essa que colocou, como eixo estruturador central, a economia, que de tudo faz mercadoria até da vida.

Não são poucos que sustentam a tese de que estamos num momento dramático de decomposição dos laços sociais. Alain Touraine fala até de fase pós-social ao invés de pós-industrial.

Esta decomposição social se revela por polarizações ou por lógicas opostas: a lógica do capital produtivo cerca de 60 trilhões de dólares/ano e a do capital especulativo, cerca de 600 trilhões de dólares sob a égide do“greed is good” (a cobiça é boa). A lógica dos que defendem a maior lucratividade possível e a dos que lutam pelos direitos da vida, da humanidade e da Terra. A lógica do individualismo que destrói a “casa comum”, aumentando o número dos que não querem mais conviver e a lógica da solidariedade social a partir dos mais vulneráveis. A lógica das elites que fazem as mudanças intrassistêmicas e se apropriam dos lucros e a lógica dos assalariados, ameaçados de desemprego e sem capacidade de intervenção. A lógica da aceleração do crescimento material (o PAC) e a dos limites de cada ecossistema e da própria Terra.

Vigora uma desconfiança generalizada de que deste sistema não poderá vir nada de bom para a humanidade. Estamos indo de mal a pior em todos os itens da vida e da natureza. O futuro depende do cabedal de confiança que os povos depositam em suas capacidades e nas possibilidades da realidade. E esta confiança está minguando dia a dia.

Estamos nos confrontando com esse dilema: ou deixamos as coisas correrem assim como estão e então nos afundaremos numa crise abissal ou então nos empenharemos na gestação de uma nova vida social, capaz de sustentar um outro tipo de civilização. Os vínculos sociais novos não se derivarão nem da técnica nem da política, descoladas da natureza e de uma relação de sinergia com a Terra. Nascerão de um consenso mínimo entre os humanos, a ser ainda construído, ao redor do reconhecimento e do respeito dos direitos da vida, de cada sujeito, da humanidade e da Terra, tida como Gaia e nossa Mãe comum. A essa nova vida social devem servir a técnica, a política, as instituições e os valores do passado. Sobre isso venho pensando e escrevendo já pelo menos há vinte anos. Mas é voz perdida no deserto. “Clamei e salvei a minha alma” (clamavi et salvavi animam meam), diria desolado Marx. Mas importa continuar. O improvável é ainda possível.


Leonardo Boff é teólogo e escritor.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

COMBATER A HOMOFOBIA. IMPRESCINDÍVEL!

DO BLOG DA MARIA FRÔ

“Mídia corporativa burguesa” e sua ideia enviesada de ‘pluralidade’: Época e a homofobia



Revista Época depois de dar voz e vez ao homofóbico Bolsonaro, merecendo até mesmo uma crítica interna de um de seus colunistas, Paulo Moreira Leite no artigo Bolsonaro ataca mais uma vez, agora convoca no twitter os leitores para colaborarem na entrevista com o deputado Jean Wyllys. 
Juliana Freitas assim retweetou o link de Época:
.@, eu até gostaria de enviar pergunta ao @, mas ñ abro link nem compro revista q dá voz a tipos como Bolsonaro
Está pluralidade artificial presente na mídia institucional, que vive dando voz a preconceituosos que não respeitam os direitos constitucionais e se protegem com a capa de imunidade de seus mandatos parlamentares, fica cada dia mais explícita na crítica dos brasileiros a esta prática.
Impossível ser mais claro como fez este jovem manifestante diante do microfone de um foca da TV Globo no programa Profissão Repórter:
Aos poucos, os brasileiros vão aprendendo que a verdadeira democratização da comunicação é algo muito diferente do que a mídia velha deseja preservar.

RACISMO: JUSTIÇA CONDENA MÉDICA A INDENIZAR VÍTIMA DE RACISMO

Do Vi o mundo

Médica é condenada a indenizar vítima de racismo em R$ 10 mil

Médica acusada de racismo em Sergipe é condenada a indenizar funcionário da Gol em R$ 10 mil
ARACAJU – A médica Ana Flávia Pinto Silva foi condenada pelo Tribunal de Justiça de Sergipe a pagar R$ 10 mil de indenização ao funcionário da Gol, Diego José Gonzaga, informou o site Emsergipe.  Em outubro de 2009, no Aeroporto Santa Maria, em Aracaju, um vídeo feito por celular e divulgado pela internet mostrou Ana Flávia chamando Diego de ‘nego’, ‘morto de fome’ e ‘analfabeto’, além de humilhar outros funcionários da companhia aérea por ter chegado atrasada para o check-in de um voo para a Argentina, onde passaria lua-de-mel.
Segundo decisão tomada esta manhã pela 3ª Vara Criminal do Fórum Gumercindo Bessa, a médica também não poderá sair de casa após às 22h durante dois anos e, neste mesmo período, não poderá sair do estado por mais de 30 dias.
- Entendemos que houve justiça. Ela terá que indenizar a vítima além de sofrer com sanções perante a sociedade – disse o promotor João Rodrigues Neto, responsável pela denúncia.
O caso aconteceu no saguão do aeroporto e provocou revolta em movimentos negros de Sergipe. Segundo a delegada Georlize Teles, Delegacia de Grupos Vulneráveis, que investigou o crime, o voo para a Argentina estaria programado para sair por volta das 5h e a passageira teria chegado ao balcão para fazer o check-in trinta minutos antes.
O boletim de ocorrência relata que Ana Flávia teria invadido o espaço destinado aos funcionários da companhia aérea após ser informada de que não poderia embarcar. Em depoimento à polícia, o supervisor da Gol disse que a médica teria ficado descontrolada e gritado que a viagem para a Argentina seria de lua de mel. Em seguida, ainda de acordo com o depoimento do funcionário da companhia aérea, ela passou a quebrar objetos do balcão da empresa e a jogar papéis no chão.
- O fato nunca será esquecido, a humilhação foi grande, mas fico feliz por houve justiça. Tenho certeza que ela vai pensar duas vezes antes ofender alguém, ela vai pagar pelo que fez. Que isso sirva de lição para as outras pessoas – disse Diego.
Na ocasião, em nota, a médica disse que “o episódio foi fruto de um somatório de circunstâncias as quais me afetaram emocionalmente, induzindo-me a uma situação de extremo estresse” e que “minhas atitudes, em nenhum momento, foram revestidas de qualquer tipo de preconceito contra quem quer que seja”. Ela ainda acrescenta que fez o check in “‘depois de uma noite atribulada em razão do estresse, ansiedade e desgaste físico relacionados às fases antes, durante e pós núpcias”. No fim do texto, a médica ainda pedia “desculpas ao funcionário da Gol , Diego José Gonzaga, e a toda sociedade sergipana pelo lamentável episódio”.

domingo, 10 de julho de 2011

Países europeus redescobrem a pobreza

Via Portal Nassif

A pobreza rondando a Europa

Países europeus redescobrem a pobreza - economia - Estadao.com.br

Países europeus redescobrem a pobreza
Em apenas três anos, a taxa de desemprego é recorde, renda da população desaba e número de pobres aumenta no Velho Continente

10 de julho de 2011 | 0h 00

Jamil Chade - O Estado de S.Paulo
No momento em que o Lehman Brothers faliu, em setembro de 2008, governos europeus se apressaram em declarar que não havia chance de que o Velho Continente fosse afetado. Três anos depois, não só a crise ainda não foi superada como a Europa redescobre seus pobres. Em apenas três anos, dados oficiais mostram que o desemprego é recorde, a renda principalmente da população na periferia do continente desabou e o número de pobres aumenta.

Segundo pesquisadores, essa é a primeira vez desde o pós-guerra que a Europa registra um aumento real no número de pobres, pelo menos na parte Ocidental do bloco. A classificação de pobre usado na Europa não é a mesma da ONU, que colocou a taxa de miséria em uma renda de US$ 1,25 por dia. Na Europa, a taxa varia dependendo do país e é estabelecida com base num salário que mantenha uma família de forma adequada.
Nas últimas semanas, estudos publicados pela União Europeia (UE), pelos governos nacionais e entidades de pesquisa revelam o que já vem sendo chamado de "nova pobreza". Centenas de empresas fecharam as portas. Mas foram os cortes drásticos nos investimentos dos governos que aprofundou ainda mais a recessão social.

Portugal. O desemprego oficial em Portugal atinge 12,5%, a maior taxa em 30 anos. Estão inscritos nos centros de empregos do país, para obter ajuda social, 600 mil portugueses. Mas, com os novos cortes de gastos, apenas metade tem direito a algum tipo de seguro social de 528,56 por mês. O desempregado português tinha uma renda mínima garantida por três anos. Com o pacote de austeridade, a ajuda será limitada a 18 meses. A partir do sexto mês, o cidadão terá o benefício cortado em 10%.

Hoje, um quinto dos portugueses vive com menos de 360 por mês - cerca de R$ 800, não muito distante do salário mínimo brasileiro. No total, esse universo abrange quase 2 milhões de pessoas. Uma fatia de 4% não tem condições financeiras para fazer uma refeição a cada dois dias com carne ou peixe. Os dados oficiais da UE apontam que o risco de pobreza em Portugal, que em 2008 atingia 18% da população, hoje já é de 23%.

Espanha. A expansão da pobreza também é uma realidade para os espanhóis. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística da Espanha, 800 mil pessoas a mais passaram à situação de exclusão social severa desde 2007. Hoje, a pobreza relativa chega a 20,8% da população, quase 10 milhões de espanhóis. O desemprego passou de pouco mais de 11% em 2008 para 21% em 2011. Diante das dificuldades em voltar a trabalhar, 500 mil pessoas sequer recebem mais a ajuda social do Estado.

Grécia. A crise na Grécia foi sentida de forma ainda mais forte e fez o país perder dez anos pelo menos em seu progresso social. Em um índice estabelecido pela UE para determinar a disparidade social dentro do bloco, os números desde 2007 mostram uma queda importante na renda grega. Pelo índice, o número 100 é considerado como a média da UE. Em 2008, a Grécia estava com 94 pontos, abaixo já da média do bloco. Apenas três anos depois, a taxa caiu para 89, situação equivalente ao que estava nos anos 90. O índice ainda mostra que a renda de um grego é hoje metade do que ganha um norueguês. Em 2011, um terço dos gregos ganhava menos de 470 por mês.

Irlanda. A queda da renda do irlandês também é evidente. Entre 2008 e 2009, a renda semanal foi reduzida em 12%, para 796. Segundo o Escritório Central de Estatística, 25% das famílias estavam com pelo menos uma de suas contas atrasadas. Em 2008, esse número era de apenas 10%.

Para especialistas, o que mais preocupa é a falta de perspectiva de melhora na situação da periferia da Europa. Para Sha Zukang, vice-secretário-geral da ONU, o desemprego na Europa voltará às taxas de 2007 apenas em 2015. O brasileiro Otaviano Canuto, vice-presidente do Banco Mundial para o combate à pobreza, também aponta um cenário pouco animador para a Europa nos próximos anos. "Veremos um crescimento apenas modesto da economia europeia por algum tempo ainda", alertou Canuto, em declarações ao Estado.

"O número de pessoas abaixo da linha da pobreza aumentará em 2011 e talvez por alguns anos mais", alertou o professor de Economia da Universidade de Barcelona, González Calvet. 

Clique aqui para ir à notícia

Para acompanhar pelo Twitter: http://twitter.com/luisnassif

sábado, 9 de julho de 2011

"ERVA-DE-SÃO-JOÃO É MELHOR QUE PROZAC"

VIA BLOG DO FAVRE

Edzard Ernst: “A homeopatia não tem efeito algum”

O chefe do primeiro centro britânico a estudar terapias alternativas diz que há pouca ciência por trás delas

Teresa Perosa – Época

O médico alemão Edzard Ernst, de 63 anos, foi o primeiro pesquisador no Reino Unido a comandar um departamento acadêmico especializado em analisar cientificamente a eficácia das terapias alternativas, como homeopatia, acupuntura e ervas medicinais. À frente da Unidade de Medicina Complementar da Universidade de Exeter desde 1993, Ernst amealhou evidências a favor do uso da acupuntura para tratar artrose e trouxe novas provas do efeito antidepressivo da erva-de-são-joão (Hypericum perforatum). Mas também concluiu – “com tristeza” – que a homeopatia não funciona. “A homeopatia parece não ser nada além de uma preparação sem efeito algum”, diz Ernst, que é ex-homeopata. A seguir a entrevista que ele deu a ÉPOCA.
ENTREVISTA – EDZARD ERNST
Divulgação
QUEM É
É médico e pesquisador de medicina alternativa. Nasceu na Alemanha, mas vive na Inglaterra com sua mulher francesa. Tem 63 anos
O QUE FEZ
Foi diretor do primeiro departamento acadêmico britânico a estudar as técnicas de medicina alternativa, criado em 1993 pela Universidade de Exeter
O QUE PUBLICOU
É autor de Medicina complementar – Uma avaliação objetiva (Editora Manole, 2001) e Trick or treatment? Alternative medicine on Trial, de 2008, sem edição no Brasil
ÉPOCA – Depois de estudar terapias alternativas por quase 20 anos, qual é sua conclusão? Elas funcionam?
Edzard Ernst – 
Depende de cada técnica. Essa área inclui práticas muito diferentes entre si. Os melhores resultados estão na área de ervas medicinais. A planta Hypericum perforatum, conhecida como erva-de-são-joão, foi uma das mais estudadas. Diria que ela não é apenas eficaz contra a depressão. Ela é melhor que os antidepressivos. Em minha opinião, é melhor que o Prozac. A acupuntura funciona para algumas condições, não para todas. Há fortes evidências de que ela é eficaz no tratamento da artrose, uma doença que causa a degeneração da cartilagem nas articulações, causando dor e rigidez. O melhor resultado é no tratamento de dores no joelho. Já a homeopatia parece não ser nada além de um placebo, uma preparação sem efeito algum.
ÉPOCA – Como o senhor recebeu esses resultados, sendo homeopata?
Ernst – 
Teria adorado provar que homeopatia funciona, porque eu ganharia o Prêmio Nobel de Medicina e seria muito rico. Mas fico triste em dizer que a evidência mostra exatamente o contrário. Atualmente, há cerca de 200 testes clínicos em andamento e a maioria dos resultados não é favorável à prática. É preciso dizer que os fundamentos do tratamento homeopático são implausíveis. Diluir remédios não os torna mais poderosos, mas os faz menos eficazes. Esse assunto é o mais polêmico em minha área porque as pessoas que acreditam na homeopatia o fazem quase com fervor religioso.
ÉPOCA – Por quê?
Ernst – 
A realidade que o médico vê no consultório é diferente daquela que acontece em um laboratório. Você, como médico, atende um paciente com enxaqueca, decide receitar remédio homeopático e em 15 dias ele volta dizendo que a dor desapareceu. A maioria dos homeopatas diria que isso mostra que a homeopatia funciona. Mas, como cientista, você aprende a pensar de maneira diferente. Em minha opinião, a melhora do paciente não quer dizer absolutamente nada. Pode ser consequência do efeito placebo ou, simplesmente, a evolução natural da condição. A experiência como médico pode ser bastante ilusória. É exatamente por isso que nós precisamos de pesquisas. Um bom médico deve confiar em evidências científicas tanto quanto confia em sua experiência diária.
ÉPOCA – O senhor fez muitos inimigos?
Ernst – 
Os resultados dos estudos do meu grupo em relação à homeopatia e à quiropraxia, técnica que usa o alinhamento da coluna para tratar dores, foram muito negativos. Os defensores dessas duas práticas não gostam do meu trabalho, não gostam de mim e me atacam pessoalmente. Eles se mostraram extremamente agressivos. Não ligo para esses ataques, se eles não forem muito pessoais ou de baixo nível. Encaro essas controvérsias como resultado do meu trabalho. Às vezes, até provoco discussões de propósito. Acho que estimula o pensamento crítico, exatamente do que precisamos nessa área.
“Os estudos não respondem a questões cruciais, como o
mecanismo que explicaria os efeitos das práticas no corpo”
ÉPOCA – O senhor acha que não há rigor suficiente nas pesquisas sobre terapias alternativas?
Ernst – 
A maior parte dos estudos atuais não aplica análise crítica em grau suficiente. Querem apenas promover a medicina alternativa, mostrar que funciona. Os estudos não respondem a questões cruciais, como o mecanismo fisiológico que explicaria os efeitos das práticas no corpo. O que a área precisa é de ciência rigorosa, em vez de promoção pura e simples. Precisamos de cientistas que pesquisem de verdade as técnicas de medicina alternativa. Se você não é cético, não pode ser um cientista.
ÉPOCA – Acreditar na eficácia da terapia pode atrapalhar o resultado da análise?
Ernst – 
O ângulo errado de encarar uma pesquisa é dizer: “Estou convencido de que esse tratamento funciona e vou usar a ciência para provar”. Para testar uma hipótese é preciso tentar derrubá-la. Se você tenta provar que um tratamento não funciona e o submete às mais extremas e severas condições e, ainda assim, ele apresenta resultados eficazes, é sinal de que funciona em qualquer circunstância. Mas não é assim que a maioria de meus colegas no mundo inteiro trabalha. Eles partem do pressuposto que a terapia é eficaz e querem provar isso. Pesquisar medicina alternativa é muito desafiador.
ÉPOCA – Quais são as dificuldades?
Ernst – 
Os efeitos dessas práticas costumam ser muito discretos. Não dá para dizer que a acupuntura e a homeopatia têm efeitos revolucionários sobre a vida dos pacientes. Isso significa que os estudos precisam ser realizados em uma amostra muito grande de pacientes, porque só assim temos condições de conseguir medir os efeitos. O problema é que pesquisas com muitos voluntários são caras. O segundo desafio é encontrar uma boa maneira de avaliar se a técnica funciona. Em testes de medicamentos comuns, um grupo de pacientes toma o remédio de verdade e o outro toma placebo, uma pílula falsa, de farinha, que não tem efeito algum. O resultado da pílula verdadeira tem de ser muito melhor que o da falsa. Na medicina alternativa é infinitamente mais difícil encontrar placebos. Por exemplo, como é possível substituir as agulhas de acupuntura? Aqui na unidade nós desenvolvemos uma “agulha placebo”, semelhante às facas usadas no teatro. Elas não penetram de verdade na pele.
ÉPOCA – Como ficarão as pesquisas agora que o senhor anunciou a aposentadoria?
Ernst – 
Ainda não abandonei o posto completamente. Estou trabalhando meio período até achar um sucessor. Mas, quando deixar meu cargo, não vou parar. Vou escrever um livro, talvez vários. Vou ser uma voz muito crítica, vocês vão ouvir falar muito de mim.

Social e Religioso

Do adital.org
A Teologia da Libertação: reflexão teológica necessária
Magno Marciete do Nascimento Oliveira
Padre, mestre em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, doutorando pela mesma instituição e Professor na PUC- Minas
Adital



Hoje quando se olha para o passado recente de nossa história no Brasil e na América Latina, dentro e fora da Igreja, não é possível desconsiderar a forte presença da Teologia da Libertação (TdL). Ela floresceu no fértil terreno das lutas emancipatórias latino-americanas. No acirramento entre as duas formas de organização política, capitalista e comunista, a TdL edificou um pensamento compreensível às massa pobres do nosso continente, desde suas raízes culturais, religiosas e políticas. Não caminhou à parte da história, mas dentro dela e num contexto preciso: o dos empobrecidos latino-americanos. Desta realidade, seu discurso teológico será capaz de ser a um só tempo, intrinsecamente, social e religioso. Isto lhe conferiu, no bojo da modernidade crítica à religião, à fé, à experiência religiosa e, em muitos casos, rigorosamente anti-transcendente, ser um fato social e eclesial(1). Na dimensão social encarnou todas as forças de libertação de inspiração cristã, porém sendo muito mais um fato eclesial, despertando a consciência da Igreja para o objeto de sua reflexão, servindo, assim, a comunidade e a pastoral(2).

Os críticos da TdL, contudo, vendo nela mais o fato social do que o eclesial sempre olharam com reticências para a mesma. Até a identificaram-no com um momento histórico e ideológico, restringindo seu alcance a algumas décadas do século XX, com o fim de sua relevância e atuação com a queda do Muro de Berlim. Certamente, como todo pensamento e teologia desdobrada na história, a TdL é marcada pelos traços genéticos de sua origem. Todavia, sua originalidade e inspiração desborda o seu próprio tempo. Limitá-la aos fatos sociais de onde ela surge é não compreendê-la. Mais do que a análise crítica do capitalismo ou sua proximidade com o socialismo em função dos valores evangélicos, caracteriza a TdL o seu método(3), sua interpretação, a partir do empobrecidos. E mesmo aqui, se faz necessário dizer, o seu discurso de libertação não se confunde com a mera superação de problemas sociais crônicos(4). Talvez lembrando as palavras de Jesus, sem querer arrancá-las de seu contexto, sentido, de que "sempre tereis pobres convosco...” (Jo 12, 8), possamos entender que o cuidado com eles na correta ligação com o próprio Jesus, comporta dimensões maiores para o compromisso cristão, se este quer ser também libertado dos perigos de não perceber a pobreza que perpassa as várias facetas da humanidade, necessitada da abundância oferecida pela vida de Jesus (Jo 10, 10). Sim, pobres sempre teremos, e temos a necessidade de uma teologia capaz de oferecer sua crítica à desigualdade que gera pobreza em todos os níveis da vida humana.

Enquanto fato social e, sobretudo, eclesial, a TdL não termina sua vida nos recentes acontecimentos. A trilha aberta permanece. Se não se tem os mesmos entusiasmos de outrora, segue a perspectiva construída em plena validade. Apesar dos movimentos adversos, o jeito de fazer teologia na América Latina foi profundamente influenciado pelas coordenadas desta teologia. Sob o aspecto social a TdL, no âmbito prático e teórico explicita o ser da teologia enquanto pensar não desvinculado do mundo no qual se localiza, levando em consideração o problema da injustiça numa sociedade de explorados. Eclesialmente, torna-se uma teologia com o diferencial de se tornar mediação na interlocução dos fiéis com o mundo a partir da fé. Desta forma, os dados da revelação se tornam mensagem direta para a vida em sociedade, questionando as estruturas sociais e pessoais de pecado. Com isso, rompe com o aparente abismo existente entre o discurso da fé e a vida e torna-se crítica rigorosa a todo tipo de realidade contrária ao Reino de Deus, como instância norteadora do processo teológico, nunca esgotado pelo mesmo fazer teológico.

E como não é uma teologia que se possa considerar morta e nem tão pouco acabada em suas dimensões estruturais e temáticas, ligada à dinamicidade do próprio social, é que a TdL, a partir de seu profundo ponto de partida eclesial, mostra-se viva, auspiciosa, atenta não aos pruridos das novidades, mas aos problemas candentes dos últimos anos. Será nesse sentido, que Gustavo Gutiérrez, na introdução à décima quarta edição, do seu Teologia da Libertação, chamará atenção para a maturação da TdL. Segundo o autor, há uma ampliação do espaço reflexivo para esta teologia. Isso tudo leva à melhor percepção do essencial com a perca da relevância do que é acessório(5). Soma-se ao fato as contribuições vindas de outras confissões cristãs no âmbito da libertação, e ainda o esforço de uma TdL para além dos muros cristãos nas confissões de fé judaicas e mulçumanas(6). Nesta última situação, temos tanto o ecumenismo como o diálogo inter-religioso.

Observe-se, porém, que, aberta aos sinais dos tempos, às novas perspectivas, TdL manterá a herança inegociável da opção pelos pobres(7). O lugar social deles é sempre referência inolvidável para esta teologia. Mais: os pobres não são só destinatários e objetos da reflexão teológica, mas para que ela alcance seu objetivo real, a libertação como processo, não oferecido, mas protaganizado pelos oprimidos, precisa ser também reflexão consciente dos mesmos. Ora, sob este aspecto, a emblemática contribuição freiriana, de que ninguém liberta ninguém nem ninguém se liberta sozinho, mas nos libertamos em comunhão, é fundamental(8). A libertação é dialógica e não um monólogo. Por isso, não ser somente teologia clerical é um dos grandes desafios para a TdL(9). E se chega a ser teologia dos pobres, do Povo de Deus em marcha constante para a edificação do Reino, embora imperfeito na nossa caminhada terrena, essa teologia expressa coerentemente seu perfil eclesial, inserindo os crentes, enraizados na fé, na crença no Deus da Vida, nos complexos movimentos sociais, manifestando, assim, sua correta caracterização social. Isto quer dizer que o engajamento social é fruto direto da experiência de Deus, e de modo cristão como mergulho no mistério da encarnação enquanto sentido redentor e libertador para toda a humanidade.

Isso não significa atribuir maior importância a TdL do que a outras formas de teologia. Tal colocação nos permite afirmar sua validade como pensamento teológico. O seu lugar na história da teologia está ligado à sua contribuição peculiar de como trabalhar os dados da fé. Sua vida é riqueza para a Igreja, uma contribuição para as razões da fé vivida no embate cotidiano, sobretudo nos conflitivos. Sua vocação social explícita(10) nos leva à demanda de uma teologia crítica, de uma fé crítica das formas de vida. No Evangelho de Mateus, por exemplo, essa forma crítica da fé e do seguimento em Jesus é um pedido do próprio mestre. O Nazareno pede que os seus sejam luz do mundo e sal da terra (Mt 5, 13-16). Isso, por outro lado, só ocorre quando em não conformidade como o mundo se trilha o caminho feliz apontado pelas bem-aventuranças da pobreza evangélica na luta por justiça. Jesus também reza pelos seus, pois estão no mundo, mas não pertencem ao mundo (Jo 17, 9-15)(11). As exigências do Reino e do Amor põem o cristão em confronto com as situações nas quais imperam na vida os sinais do Anti-Reino. Será nesse sentido que o apóstolo Paulo incentivará os cristãos a não estarem acordes com este mundo, mas pede transformação das mentalidades para a construção de uma nova vida, de acordo com a vontade do Pai (Rm 12, 1-2). E em nada disso se apresenta evasão das realidades sociais, mas empenho crítico diante das mesmas para renová-las segundo o desígnio de Deus. Será essa a marca reflexiva constante da TdL e o seu refrão.

A ótica social da TdL é a visão da fé. Dela não se separa e a pressupõe sempre. Todavia, como já expresso aqui, esse viés teológico privilegiará o lugar dos mais fracos e a libertação destes para gerar seus aportes teóricos. Daí sua premência e vigência, sobretudo quando assistimos à perigosa onda de encobrimento da pobreza e do grito dos pobres, em alguns casos cooptados por políticas e programas governamentais dispostos a fazê-los mais consumidores e menos cidadãos. Acompanhamos, o que bem analisou José de Souza Martins, uma nova desigualdade, não possível de ser compreendida pelo conceito de exclusão. Vemos por toda parte uma inclusão marginal, precária e instável(12). Os empobrecidos são enganados ao receberem lugares residuais na sociedade bem como os bens de consumo para a satisfação mimética dos que se refestelam sobre a máquina que constrói a pobreza(13). Não se pode esquecer ainda que, contra a recordação dos empobrecidos, está, em voga, um espiritualismo vazio. Neste, o discurso é marcado por generalidades, terapias espirituais, ascensões mágicas e toda sorte de psicologismos rasteiros. E no discurso eclesiástico oficial, em geral, e quase sempre, as intervenções nos problemas sociais ficaram restritas à problemática do aborto e eutanásia, parecendo ser a única forma de defender a vida. A vida existente, entre o nascer e morrer, anda esquecida.

Ora, posto isto, a não colocação da TdL no primeiro plano dos debates teológicos atuais, até mesmo no seu nascedouro, não implica sua falta de importância nem sua morte, mas um movimento pendular do poder que em momentos de crise se vê posto contra a parede pelos legítimos empreendimentos dos pequenos e suas representações teóricas, simbólicas e práticas, contundo se restabelecendo contra os fracos em outras ocasiões por meio da violência ou mesmo pela suavidade e alegria ideológica. E se não está morta, a TdL dá seus sinais nas brechas do sistema, visto ser expressão não do acessório e sim do essencial cuidado com a vida nos seus setores mais frágeis, como pede o Evangelho. Sua existência se respalda da lídima missão cristã de lembrar e cuidar dos mais débeis a fim de que não só eles sejam salvos, mas também os que oprimem, pela via da conversão pessoal e social. Entretanto, ressalta-se, dentro do mundo marcado por divisões, pela falta de paz e de justiça, a luta pela justiça do lado dos injustiçados é a vertente ética e espiritual profética da TdL. Ela é um bem necessário à teologia e à sua tradição como pensamento. Mais do que conceitos a TdL sempre lembra dos empobrecidos.

Notas:

(1) Ver LIBANIO, J. B. Teologia da Libertação. Roteiro didático para um estudo. São Paulo: Edições Loyola, 1987. pp. 15-36
(2) Op. Cit. pp. 17, 25
(3) BETTO, Frei. "A teologia da libertação ruiu com o Muro de Berlim?” in BETTO, Frei. Cotidiano e Mistério. São Paulo: Olho d’água, 1996. pp. 107
(4) Op. Cit. pp. 108
(5) GUTIÉRREZ, Gustavo. Teologia de la Liberación. Perspectivas. Ediciones Sígueme: Salamanca, 2004, p. 19
(6) Op. Cit. p. 19
(7) TEIXEIRA, Faustino Luiz Couto (Org.). Teologia da Libertação. Novos Desafios. São Paulo: Edições Paulinas, 1991, p. 9. Na apresentação à obra, que é um conjunto de entrevistas, Faustino destaca esse importante ponto da TdL, que se trata de uma constante epistemológica de seu pensamento.
(8) FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 2005, pp. 58-64
(9) Op. Cit. p. 133. Essa é a percepção de José Comblin em resposta à pergunta de Teixeira sobre os desafios.
(10) Falamos de vocação explícita pelo fato de toda teologia ser social, embora nem todas as formas de teologia explicitem esse caráter.
(11) A compreensão sobre o mundo no Evangelho de João está em conexão com o tipo de mundo construído pela ação inspirada em Deus ou pelas forças do Mal. Por isso, o não pertencer ao mundo não está contra a vida e o criado, mas contra as edificações perversas do mundo enquanto sociedade.
(12) MARTINS, José de Souza. Exclusão Social e a Nova Desigualdade. São Paulo: Paulus, 2003, p.26
(13) Op. Cit. p. 36