sexta-feira, 8 de julho de 2011

Gastar bem

Por Brizola Neto, no Tijolaço

Ontem, no discurso de inauguração do teleférico do Morro do Alemão, no Rio – veja o vídeo no final do post – a presidenta Dilma disse que era preciso “fazer com que o Estado brasileiro assuma sua função de gastar recursos com aqueles que mais precisam, porque foram abandonados durante anos e anos”.
Hoje, um comunicado do IPEA traduziu em números como o Governo Lula fez isso.
Você pode ver que eles cresceram, no período Lula – após 2004, pois o Orçamento de 2003 foi feito ainda em 2002 – com o dobro da velocidade em que aumentaram durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.
Mas isso não quer dizer que tenhamos passado ao assistencialismo, não.
Porque o gasto, durante a maior parte do Governo Lula, apesar de consumir uma parcela maior do PIB que durante o Império Tucano, se manteve mais ou menos constante em relação ao PIB.
O que aconteceu foi que o crescimento da economia se refletiu no crescimento destes gastos. Isto e, o crescimento foi distribuído também a quem mais precisava.
Há um momento diferente, porém, bem marcado na série histórica descrita pelo IPEA, que você pode ver no segundo gáfico, aí ao lado.
É 2009, o ano em que enfrentamos a crise. Aí, em vez de apertar o cinto dos mais pobres, o nosso governo fez o contrário da cartilha neoliberal. Quando a economia despencou, não deixou despencar o gasto com quem precisava dele para sobreviver.
Quem tinha muito pouco não teve de perder o quase nada. O “dicumê”, como se diz no Norte.
É algo como aquela saudosa reviravolta que o Papa Paulo IV fez na igreja, no Concílio Vatino II : a opção preferencial pelos pobres.

O papel de Marina

Do blog do Miro

Marina e o PV: divórcio consumado

Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador:

Não estou entre os que se encantaram com a “novidade” representada por Marina Silva na eleição de 2010. Humildemente, acho que ela ajudou os tucanos a levar eleição ao segundo turno, e ainda colaborou para consolidar a agenda conservadora “anti-aborto” que tomou conta da campanha eleitoral.

Mas é preciso ficar atento aos movimentos de Marina. O papel que ela cumprirá daqui pra frente não precisa, necessariamente, ser o mesmo. Há um cansaço generalizado com a democracia representativa – não no Brasil, mas no mundo.

Um mal-estar, com a sensação de que os partidos não representam mais a vontade popular. As rebeliões (recuso-me a falar em “revolução”) no Egito, Argélia e Espanha foram feitas “por fora” dos partidos e das organizações tradicionais.

No Brasil, esse movimento aparece, de forma tímida, na rebelião dos bombeiros do Rio, no movimento ”antiMicarla” de Natal (RN), na revolta dos trabalhadores de Belo Monte. E, apesar do crescimento econômico, há um mal-estar entre o que restou da esquerda, por conta do início do governo Dilma.

Marina Silva pode surfar nessa onda. Com qual programa? O liberal-ecologismo de Gabeira? Ou algo mais consistente e renovador?

A conferir.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Uma grande obra em benefício de muitos

Via Portal Nassif

Dilma no Alemão se emociona ao se lembrar de Lula

Por cariry
Dilma se emociona no Alemão. Foto de Gabriel de Paiva
RIO - A presidente Dilma Rousseff, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes participaram, nesta quinta-feira, da cerimônia de inauguração do teleférico do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, na manhã desta terça-feira. Cabral agradeceu a presença de Dilma e disse que a obra é um resultado da parceria nas três esferas de governo. A presidente fez menção ao ex-presidente Lula que, nos últimos dias de seu mandato, foi ao complexo conhecer o novo sistema de transporte. O projeto era um dos mais esperados do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Rio.
- Não voltamos (por meio do PAC) a investir somente na infraestrutura de rodovias e de hidrelétricas. O que governo vem fazendo desde a época do presidente Lula, e o que vou aprofundar, é o investimento nas pessoas. Fazemos obras para beneficiar a vida diária de cada um- afirmou.
Dilma ressaltou que, naquele momento, sentia a falta da presença do ex-presidente, pois foi ele quem impulsionou a obra, demonstrando amor e carinho. Quando Cabral mencionou o nome de Lula, a presidente chegou a se emocionar de maneira discreta.
- O teleférico será visto por todos com olhos da boa inveja - disse Dilma, explicando que a obra além de necessária, é bonita e mostra respeito aos moradores.
Antes da cerimônia, Dilma passeou das estações de Bonsucesso ao Alemão. O vice-governador Luiz Fernando Pezão também participou do evento.
Dilma no Complexo do Alemão. Foto de  Gabriel de Paiva
No discurso, Dilma falou da carta que recebeu da moradora Rosinete Nascimento da Silva, que tem dois filhos, de 11 e 7 anos. Na carta, a moradora agradecia a obra do teleférico e dizia que já estava prestes a se mudar para outro lugar. Rosinete, que estava na plateia, ficou muito emocionada ao ser lembrada e disse que está se sentindo "uma princesa e não vai mais sair do bairro onde mora há 19 anos".
O teleférico deve atender a cerca de três mil pessoas por hora, em média 30 mil por dia. O transporte tem 3,5 quilômetros de extensão e contará com 152 gôndolas. Seis estações foram construídas entre Bonsucesso e Fazendinha, mas inicialmente apenas três entrarão em funcionamento: Bonsucesso, Adeus e Baiana.
A obra do teleférico foi lançada por Lula em 2008, quando ele batizou a presidente Dilma, então ministra da Casa Civil, como mãe do PAC, e Pezão, responsável pela obra, como pai do PAC.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Os motivos da campanha presidencial antecipada da rede Globo

Do Observatório da Imprensa

Logo Observatório da Imprensa 
 Quarta-feira, 06 de Julho de 2011   |   ISSN 1519-7670 - Ano 16 - nº 649 - 05/07/2011

TV GLOBO

A campanha eleitoral antecipada

Por Luís Eustáquio Soares em 27/06/2011 na edição 648

A TV Globo perdeu as três últimas eleições presidenciais.
Essa é uma afirmação aparentemente inverossímil porque, como sabemos, a TV Globo não é um partido político, mas uma empresa de comunicação; um conglomerado, melhor dizendo, que explora o espectro radioelétrico aberto e fechado, além de editar também jornais, livros, CDs, revistas.
Por outro lado, um partido político é o que o nome diz, literalmente: instituição criada para representar parte da sociedade, logo parte dos interesses das diversas classes sociais existentes num país ou noutro. É assim que é possível dilatar o sentido de partido político porque, quer queiramos ou não, todos nós, mesmo inconscientemente, tomamos partido e de forma passiva e ativa somos partidos políticos, para além dos rótulos ou das instituições sociais produzidas para falar em nome de.
É nesse sentido que a TV Globo perdeu as três últimas eleições porque, para além das classificações institucionais – que no geral servem para despistar – a TV Globo é, por excelência, o partido político brasileiro do capitalismo mundial, ainda que disfarçado de neutro sistema de comunicação, embora seja, a bem da verdade, o sistema de comunicação partidarizado do poder econômico global.
Inviabilizar o futuro
A TV Globo, como todo poder econômico, não tem pátria, logo não é brasileira; é transnacional e está programada a tomar o partido do centro financeiro do mundo. É nesse sentido que ela é um partido politico midiático a serviço de Wall Street, das multinacionais, da indústria bélica e, por extensão, da cultura americana, como âncora bélica comunicacional da expansão colonizadora do capital imperialista.
É por isso mesmo que a TV Globo está intrinsecamente contra os interesses da população brasileira, do povo pobre do Brasil porque ela é um partido político comunicacional da colonização/exploração das riquezas existentes no Brasil, as que interessam ao modelo produtivo parasitário do atual capitalismo global: as riquezas advindas da diversidade étnico-cultural brasileira, as riquezas energéticas, as da biodiversidade de nossa flora e fauna; as riquezas, enfim, que fazem desta região do mundo, onde habitamos, um dos mais fascinantes locais do planeta, por ser uma região de ativos minerais, culturais, energéticos, étnicos, estéticos, intelectuais, eróticos, biológicos; por, enfim, podermos nos tornar, se coletivamente assim decidirmos, a experiência civilizatória da única humanidade viável no planeta Terra: a humanidade da biodiversidade, da alegria do encontro, da festa de existir coletivamente, singularmente.
O Brasil, pelo bem e pelo mal, é o futuro de todo o mundo, que deve brasilizar-se, pois somos o mundo em nós. Qualquer outra humanidade, no planeta – não brasilizada, não misturada, não comum, não coletivizada – é impraticável. É por isso que o futuro revolucionário, inclusivo, coletivo, do Brasil, é igualmente o futuro possível de toda a humanidade. Nosso aborto, como povos de presente e de futuro, é o igual aborto de todos os povos do planeta, como povos igualmente presentes e futuros.
Esse é, pois, o partido tomado pela TV Globo: inviabilizar o futuro exemplar do povo brasileiro, de povo-mundo, de povo para o mundo, de povo comum, singular em sua multiplicidade, orquestrada para incluir, cuidar, plantar, amar, viver, celebrar, coletivamente, para além de qualquer fundamentalismo econômico, étnico, cultural, religioso. Sob o ponto de vista do imperialismo global, o povo brasileiro – e qualquer outro povo do mundo – não pode fazer-se livremente; não pode multiplicar suas singularidades e potencialidades, expandindo-as para o bem comum; não pode, enfim, expressar sua infinita beleza benfazeja.
Partido do imperialismo
Eis aí o traidor papel do partido político de extrema-direita brasileiro chamado TV Globo: inviabilizar as potências expressivas do povo brasileiro, abortando-as e domesticando-as em múltiplas frentes: a cultural, a social, a estética, a comportamental, a científica, a econômica, a eleitoral.
É por isso que a TV Globo entra de sola em todas as campanhas eleitorais como o partido oficioso do partido político, num dado contexto histórico, que mais incorpora os interesses do capital imperialista. É igualmente por isso que a TV Globo hoje é o principal partido não oficial a serviço do PSDB porque o PSDB é esse partido da plutocracia imperialista, hoje, no Brasil, embora o PT, se prosseguir no caminho que está tomando, rapidinho tomará mais esse lugar do PSDB. É ainda por isso que a TV Globo não pode deixar de partidarizar, como partido do imperialismo, as eleições brasileiras, especialmente as presidenciais porque, mesmo perdendo, ela, de alguma forma, incorpora vitórias porque em menor ou maior grau passa a ocupar a agenda política do novo governo, governando o Brasil indiretamente, ainda que não hegemonicamente.
É aqui que entra a autopropaganda eleitoral antecipada da TV Globo, que está em descarada campanha política, não oficial, para presidente do Brasil. Globo 2014, para presidente! A TV Globo está em campanha eleitoral por três motivos básicos: 1) ela não é o partido hegemônico, mesmo que oficioso, hoje, do Brasil; 2) ela disputa, em campanha eleitoral permanente, a agenda política do governo Dilma com o objetivo de impor o seu ritmo;3) ela se prepara antecipadamente para a próxima eleição para presidente do Brasil porque não é hegemônica hoje e pretende sê-lo no futuro próximo, além do fato de sua propaganda eleitoral antecipada ter a vantagem de incorporar, por tabela, o primeiro e o segundo motivos explicitados, simultaneamente.
É esse último ponto que pretendo analisar mais detidamente neste artigo. Eis que retomo, pois, o argumento inicial, expandindo-o: a TV Globo perdeu as três últimas eleições porque o PT não era – e ainda se espera que continue não sendo – o partido político do imperialismo americano, ao qual a TV Globo está naturalmente vinculada.
Soluções dispersas e fragmentárias
Após, assim, mais essa derrota eleitoral, a cúpula de comando da TV Globo se reuniu e traçou o plano de campanha eleitoral antecipada para a próxima eleição para presidente do Brasil. Antes de traçar esse plano, a cúpula global fez mea culpa e procurou verificar, em sua programação da era Lula, o motivo pelo qual ela de repente notou que não conseguia dialogar diretamente com o povo brasileiro, especialmente considerando a seguinte questão: como é possível um perfil como Lula falar mais fundo e diretamente com o povo brasileiro que a própria TV Globo em conjunto?
A partir dessa questão, a programação da TV Globo começou a ser reprogramada e essa reprogramação é que responde pelo nome de campanha eleitoral antecipada da TV Globo para presidente do Brasil: Globo 2014! Por isso, o principal objetivo da nova programação eleitoreira da TV Globo é o de reconquistar o povo brasileiro, especialmente o nordestino. Para tal, ela já está utilizando – e utilizará cada vez mais –, as seguintes estratégias demagógicas em sua grade de programação:
O objetivo da programação local da TV Globo, já em pleno andamento, é o de transformar o jornalismo editado pelas filiais de cada estado da federação em jornalismo do tipo “prestação de serviços gerais” para a população, através de profissionais ou âncoras simpáticos e geralmente jovens, prontos a informar e a cobrar (com largos sorrisos ou carrancudas teatrais bocas) a oferta de emprego da capital de tal ou qual estado; os cuidados médicos dos pais com os filhos de até dois anos de idade; a situação do trânsito, os cuidados com a alimentação; receitas para emagrecer com saúde, os buracos nos passeios do centro da cidade, os bolos da vovó e assim por diante. Trata-se do jornalismo cujo estilo, não sem ironia, pode ser assim chamado: “demagógicas pequenas notícias, grandes negócios eleitorais”.
É precisamente aí, nesse estilo demagógico, que a TV Globo pretende, a partir de sua programação local, instituir-se como mediadora-mor entre o poder público municipal e estadual e a população, a fim de, em processo, incorporar mais prestígio perante a população, que tenderá – esse é o objetivo – a ver a TV Globo como uma espécie de padre do e no confessionário noticioso dos dramas cotidianos do povo abandonado do Brasil, embora ela não tenha intenção alguma de colaborar para o fim efetivo desse abandono histórico, posto que sua função mediadora é demagógica e só produz catarse ou teatro de soluções de problemas coletivos porque são soluções, quando se efetivam, sempre dispersas e fragmentárias, além de alienadas das reais causas históricas do abandono da população brasileira.
A salvadora da pátria
Esse mesmo estilo de jornalismo, de tipo prestação de serviços gerais, fará parte, em menor e maior medida, de todos os programas da TV Globo: jornalismo, novelas, programas de auditório, de esporte, entretenimento. Existe uma compreensão acertada, por parte de seus dirigentes, de que a população brasileira é carente de informações básicas, pela simples razão de que o Estado brasileiro, com suas instituições elitistas, não tem oferecido os serviços básicos de que a população brasileira necessita. É por isso que a TV Globo está acreditando, como estratégia demagógica, nesse estilo de programação, tecido e entretecido com informações básicas para a população brasileira, abarcando a área de saúde, de educação informal e formal; de esporte, de trabalho; de monitoramento superficial da sucateadas instituições públicas, como as da saúde, as da educação, do sistema de transporte e o sem fim de outras.
Toda a programação da TV Globo doravante encenará situações diversas nas quais o povo simples, pobre, de diversas regiões do Brasil, aparecerá, ora como vítima de toda sorte de carências; ora como protagonista de pequenas ações e atitudes heroicas. O que poderia ser uma mudança de orientação significativa e necessária da TV Globo, cuja programação geral detém uma dicção nitidamente classe-mediana, é, no entanto, manipulação, demagogia e sedução hipócrita, por dois motivos básicos, a saber:
1) Porque tais demagogias e manipulações constituem formas de apresentar e representar a população pobre não como população ou classe social que vive situações de exploração de extrema violência, em função de uma estrutura social hierárquica, racista, segregacionista, cuja causa ou razão de ser está diretamente relacionada com o fato de vivermos na periferia do sistema-mundo, na qual e através da qual o que prevalece é um sistema produtivo baseado naquilo que Marx chamava de acumulação primitiva de capital, o que significa dizer, concretamente, que a miséria do povo brasileiro – mas não apenas – é a miséria comum de quem é, em carne e osso, em vida, o rosto abandonado da acumulação primitiva do capital: moenda ou biocombustível humano para o centro do lucro imperial.
Seria, obviamente, pedir demais à TV Globo que considerasse o modelo de produção vigente do capitalismo brasileiro para apresentar e representar as causas do abandono da população, sua miséria e sofrimento. Por isso mesmo, como é impossível a consideração das causas estruturais do abandono de nossa população, tendo em vista o modelo de produção extrativista do capitalismo brasileiro, a TV Globo só pode se aproximar da população brasileira demagogicamente, representando-a não como classe social, mas a partir de perfis isolados, através dos quais pais de família, mães, filhos; ou essa ou aquela família, em conjunto, será ou serão objeto de toda sorte de demagogia ou manipulação, de modo que suas isoladas histórias são e serão utilizadas para provocar choro, comoção, sempre tendo a própria TV Globo como salvadora da pátria, como justiceira, como acorre no programa Caldeirão do Huck, no qual essa ou aquela família, escolhida a dedo, obtém finalmente a conquista de sua casa própria, com Luciano Huck como o novo benfeitor global, demagogia barata que esconde, por exemplo, o abatimento que a TV Globo faz em sua declaração de Imposto de Renda a partir de suas altruístas intenções ou, em última instância, das empresas que publicitariamente financiam a demagogia global.
Dramatização demagógica
Antes de tudo, enfim, o que quero ressaltar é isto: a TV Globo é agora uma TV falsamente popular de sorte que esta é a sua palavra de ordem; seduzir o telespectador, representando demagogicamente – e de forma isolada – o povo brasileiro como passivo, eis o paradoxo, protagonista da nova grade, literalmente considerada, grade, cadeia da programação geral da TV Globo.
A atual novela das seis, Cordel do Reino encantado, com a cultura nordestina como pano de fundo, é parte da demagogia eleitoreira da TV Globo, uma parte que não é exceção, mas regra geral. A TV Globo é o Pedro Álvares Cabral do Brasil atual; ela está “redescobrindo o Brasil” a fim de colonizá-lo e tomá-lo não apenas para si, mas antes de tudo para entregá-lo ao abandono histórico de país colonizado, submisso e rendido, como se fosse a sua vocação natural.
É aqui que entra o segundo motivo pelo qual a programação eleitoreira da TV Globo, de aproximar-seduzir-induzir o povo brasileiro, constitui-se como descarada demagogia e manipulação cínica, que é:
2) Se a intenção da TV Globo, com sua campanha eleitoral antecipada, é a de constituir-se hegemonicamente como o centro manipulador do histórico abandono colonizado da população brasileira, sua demagogia ou estratégia eleitoral só pode fundar-se na lógica religiosa da caridade, no velho estilo medieval do catolicismo, razão pela qual povo bom é povo abandonado, humilhado, alienado, ignorante e empobrecido, pois assim fica mais fácil induzi-lo e cooptá-lo, bastando, para tanto, uma esmola informativa aqui, no jornalismo local; outra esmola noveleira ali, na programação nacional; ou ainda outra esmola de auditório, também na programação nacional, através da dramatização demagógica do drama encarnado do abandono do povo – encarnado na história testemunhal isolada de João, Maria, Joaquim, como representantes do povo, sem conectá-la às causas históricas do abandono, motivo pelo qual o abandono sempre nos será apresentado como fatalidade, destino, infelicidade, má-sorte na vida, mas nunca como injustiça causada por um modelo econômico de exploração do qual a TV Globo não apenas sempre foi beneficiária como antes de tudo existe, desde sua fundação, para garantir a sua perpetuação pelos tempos e tempos, amém.
Tio Sam nos salvará
Por outro lado, como toda estratégia de poder, de dominação, tem dois lados, um primeiro que passa pelas vias da democracia burguesa, logo pela demagogia; e outro, caso não funcione a via democrática, isto é, demagógica, pela força bruta, como a de golpes militares, a TV Globo tem também seu Plano B, caso não consiga reconquistar hegemonicamente o poder no Brasil. Esse Plano B também já faz parte de sua programação atual e tenderá aprofundar-se cada vez mais, em consonância ou relação de simultaneidade com sua campanha eleitoral antecipada. O Plano B da TV Globo é, como não poderia deixar de ser, golpista e tem como estratégia outra e sinistra forma de propaganda: a do imperialismo americano, como salvador do mundo, logo como possível salvador do Brasil.
Para tanto, a TV Globo, dentre outras estratégias, cada vez mais transmitirá filmes americanos de vocação imperialista na Sessão da Tarde e em outros horários diários, e não apenas nos finais de semana, como ela fazia antes. Tais filmes são escolhidos a dedo, pois foram produzidos precisamente para apresentar os Estados Unidos como bons, como democráticos, como magnânimos, como salvadores do mundo. O objetivo explicitamente oculto da TV Globo, nesse caso, é o de procurar fazer com que a população brasileira, ou as nossas difusas classes médias, acostumem-se com a possibilidade, sempre no horizonte, de uma invasão americana direta ou indireta, através do apoio econômico e logístico a novos golpes militares, senão concretamente no Brasil, em alguns países da América Latina, como a Venezuela, por exemplo.
Esse Plano B é baseado na mais antiga e cafajeste forma de dominação e funciona como recurso possível e necessário – sob o ponto de vista da dominação –, motivo pelo qual sua lógica está ancorada na seguinte premissa ou missa colonizadora: “Caso não funcione o circo midiático global, com suas estratégicas molas de esmolas, para alienar o povo de si mesmo, façamos uso da paulada!”
Convoquemos o Grande Irmão, Tio Sam, que nos salvará dessas trevas e nada mais! As trevas, bem entendido, para eles – logo para a TV Globo – porque a nossa liberdade expressiva, nosso direito de existir com dignidade, sem mediação demagógica, de si para si, é a pior treva para os donos do mundo, por potencialmente constituir-se como o paraíso na Terra de um mundo sem donos, de todos e ninguém, como a poesia, água de todos e de ninguém; como a vida, tanto mais primaveril quanto mais florimos, sem nome próprio, sem roubo da riqueza comum, sem muros, livres de demagogias e de pauladas.
***
[Luís Eustáquio Soares é poeta, escritor, ensaísta e professor da Universidade Federal do Espírito Santo]

Omissão... indignação!

Por Eduardo Guimarães, em seu blog

Um minuto da sua indignação, por favor!




Parem tudo. Não quero falar da Copa de 2014, do escândalo do Ministério dos Transportes, da fusão dos supermercados, da política miúda, do namoro entre Dilma e FHC ou dos problemas mentais de Jair Bolsonaro. Quero falar de decência com o leitor desta página. Peço a você, leitor, que tenha a decência de se indignar, já que esta sociedade parece anestesiada e insensível ao impensável.
Peço indignação da imprensa, da classe política, do Executivo, do Legislativo, do Judiciário, da OAB, do Ministério Público, mas, antes de qualquer coisa, peço a sua indignação, leitor, porque é dela que nascerá alguma providência e o sentimento de um povo de que qualquer um de nós que for aviltado da forma como relatarei representará a todos, pois todos devemos nos sentir atingidos como se, não uma família pobre, mas cada um de nós tivesse sido vitimado
Na grande imprensa, só notas lacônicas relatando um crime de lesa-humanidade que não ganhou manchetes principais, não fez a ultra-esquerda e a direita aliadas pedirem CPIs, não gerou manifestação na avenida Paulista, não mereceu pronunciamento de prefeitos, governadores ou da presidente, mas que simboliza a vergonha maior para um povo.
O fato:
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FOLHA DE SÃO PAULO
6 de julho de 2011
Reintegração de posse termina com 11 feridos em Ribeirão Preto
PM nega ter havido abusos e diz que vai investigar as denúncias
ANA SOUSA
DE RIBEIRÃO PRETO
Onze pessoas ficaram feridas e duas tiveram de ser socorridas, ontem, durante a reintegração de posse de uma favela invadida há pelo menos seis meses por 700 pessoas, em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo).
Os moradores colocaram fogo em uma Brasília e fizeram barricadas para evitar o avanço da Polícia Militar.
Após três horas de negociação, o Batalhão de Choque invadiu a área, chamada de favela da Família. Houve disparos de balas de borracha e bombas de efeito moral.
Os advogados Paulo Merli Franco e Wanderley Caixe Filho, da Comissão de Direitos Humanos da OAB de Ribeirão, que acompanhavam as negociações, foram atingidos por balas de borracha.
A PM nega ter havido abusos. Segundo o tenente Antonio Campos Rivoiro, as denúncias serão investigadas.
O advogado Marcos Rogério dos Santos, que representa a empresa dona do terreno, diz que os moradores concordaram em deixar a área durante uma audiência de conciliação em fevereiro.
Moradores recorreram a familiares depois que os barracos foram demolidos.
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A notícia acima é a penúltima do primeiro caderno do jornal que a publicou. Ontem (terça-feira), durante o dia, algumas chamadas discretas na internet e até um ou outro “flash” nos telejornais. No jornal só saiu hoje, depois que as tevês veicularam alguma coisa…
Foi só na manhã desta quarta-feira que apareceu uma notícia menos discreta, no programa de Ana Maria Braga, que eclodiu na minha tevê logo após o Bom Dia Brasil enquanto terminava de me vestir para ir trabalhar. Famílias inteiras, mais uma vez, foram jogadas na rua sem que o Estado e a sociedade dispensassem um grama de preocupação com o seu destino.
Policiais invadiram as casas e não deram a mulheres, crianças e velhos nem tempo de recolher suas roupas, ao menos. As pessoas não podiam cumprir a ordem judicial de reintegração de posse do terreno da favela, que pertence a uma empresa, porque não tinham para onde ir. Por isso estavam lá, vivendo naquelas condições. Mas o capitalismo hidrófobo que se pratica por aqui não tem tempo para essas coisas.
Um capitão da Polícia Militar que você verá no vídeo ao fim deste texto diz que ele e sua horda de bárbaros estavam tendo “uma paciência enorme” com aquela gente. E pregou que “as pessoas entendam a lei e cumpram a lei”. Que lei é essa que põe até bebês de colo no meio da rua em pleno inverno sem se preocupar com nada? Isso é lei? Para mim, é barbárie.
Sinto vergonha de ser brasileiro.
Peças de vestuário, eletrodomésticos, móveis, tudo ficou sob as esteiras ou rodas de tratores que derrubaram os barracos em que aquelas famílias mal e porcamente sobreviviam. Sem nada, sem serviços públicos, muitas vezes mal tendo o que comer.
Sabem quando veríamos isso acontecer em Cuba, no inferno na Terra que esse capitalismo hidrófobo pinta na sua mídia subornada? Nunca. Por lá eles não tem carros de 300 mil dólares rodando nas ruas, mulheres não usam vestidos de 30 mil reais para irem  a uma reunião besta, não se pode gastar mil reais num almoço, mas os seres humanos se reconhecem como tais e, assim, respeitam-se.
Um país que assiste ao que se relata que ocorreu em Ribeirão Preto – e que vive ocorrendo –, não se indigna e permite que essas tragédias prossigam, ano após ano, não pode ser chamado de país. Somos um ajuntamento de comunidades para as quais o mundo se resume ao círculo social de cada um e mais nada.
Comecei mal este dia, com aquelas cenas. Sinto desesperança. Pergunto-me se este país tem jeito e se é em meio a este povo em transe, egoísta, frio, insensível, alienado, cruel e cínico que quero morrer. Pergunto-me, neste momento, se a minha filha do meio, de 25 anos, não está certa por ter ido morar na Austrália e por não querer voltar a este Brasil estarrecedor que a cada dia me decepciona mais.
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Assista ao vídeo, abaixo

terça-feira, 5 de julho de 2011

Jornalista 'cheirosa' da Folha de SP parece ser bipolar

Do blog da Glória Leite

Eliane Cantanhede é bipolar

Do Blog do Valdir

Energia Brasil

Via Tijolaço

“No passado, o Brasil cresceu. Mas cresceu de forma muito desigual. Muitas pessoas ficaram muito pobres e poucas pessoas ficaram muito ricas.Nós queremos um desenvolvimento diferente.”
A frase é parte do discurso, reproduzido no vídeo acima, da Presidenta Dilma Rousseff, na cerimônia que marcou o desvio das águas do Rio Madeira, em Rondônia, para a construção da enorme usina Usina de Santo Antônio que, junto com a de Jirau, vai explorar o potencial energético da região.
Ela destacou que a geração de energia hidrelétrica representa um potencial brasileiro de ter fontes de energia limpa, sem depender fortemente das usinas nucleares, como países que têm seu potencial de geração hidráulico esgotado.
Mesmo lembrando os progressos sociais dos últimos anos, Dilma foi enfática: “nós não podemos aceitar que este país continue com 16 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Violência doméstica. Denúncias aumentam.

Via blog do Favre

Denúncias de violência doméstica já crescem em toda a capital paulista


Mapeamento inédito revela explosão de registros com o avanço de serviços especializados; em 1 ano, vara pulou de 49 para 2.522 casos

Valéria França – O Estado de S.Paulo

Com base nas estatísticas de 11 fóruns regionais, uma pesquisa inédita mapeou pela primeira vez os índices de violência doméstica contra a mulher em São Paulo. A pesquisa encomendada pela juíza assessora da presidência da Seção Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo Maria Domitila Domingos mostra que este é um problema comum a todas as áreas da cidade – e não só às regiões mais carentes.
“O estudo reforça a necessidade de um trabalho mais especializado”, diz Maria Domitila. Desde que a Lei Maria da Penha foi aprovada, em 2006, a Justiça ganhou instrumentos legais para combater esse tipo de crime. Muitos casos, no entanto, não chegam ao tribunal. Bem antes disso, ainda na delegacia, caem na vala comum dos crimes, e não raro são encarados como uma “briguinha de marido e mulher”. “É um crime que acontece dentro de quatro paredes e acaba sendo banalizado pela sociedade”, diz a promotora Maria Gabriela Manssur. “Identificá-lo com rapidez pode significar salvar uma vida.”
A preocupação da Justiça é evitar casos como o de Eliza Samudio, que em outubro de 2009 fez um boletim de ocorrência denunciando ter sido agredida e forçada a tomar remédios abortivos pelo então amante, o goleiro Bruno. Nenhuma medida legal foi tomada. Acusado de matar a jovem, Bruno foi condenado a 4,5 anos de prisão por lesão corporal, cárcere privado e constrangimento ilegal em dezembro do ano passado.
Especialização. “Os números reais da violência contra a mulher são superiores ao volume que chega à Justiça”, diz Maria Gabriela. Há dois anos, no Fórum da Barra Funda, foi criada a primeira vara especializada, o Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. “Na época, questionava-se se haveria demanda que justificasse seu funcionamento”, lembra a desembargadora Angélica de Maria de Almeida Mello, do Tribunal de Justiça de São Paulo. “Bastou criar um sistema especializado para as denúncias surgirem.”
Quando o serviço abriu as portas eram 49 casos. A vara fechou 2010 com 2.522 inquéritos e processos em andamento. Não por outra razão, o Fórum da Barra Funda aparece no mapa da violência como o campeão em volume de processos e inquéritos, seguido pelo Fórum de Santo Amaro, com 1.595, e Itaquera, 1.385.
Isso não quer dizer que a região do Fórum da Barra Funda seja a com maior número de vítimas, mas sim onde elas encontram recursos mais ágeis e específicos para seguirem com suas denúncias. Ali foi montada uma equipe multidisciplinar, com uma psicóloga e uma assistente social, responsáveis por analisar o caso e encaminhar a vítima e o agressor, quando necessário, para ONGs e serviços públicos, como grupos de dependentes químicos e alcoólicos anônimos, entre outros. A vítima tem facilidades como o direito a um defensor público – e não apenas o réu. Além disso, a vara concentra os casos da região e de toda capital, quando graves, cujas vítimas correm risco de morte.
Há muitas mulheres que desistem da denúncia. Dependência econômica, pressão do companheiro, filhos e o envolvimento emocional pesam na hora de se defenderem na Justiça. “Não é um crime comum. O agressor é alguém íntimo da vítima”, diz Maria Gabriela. No Fórum de Santo Amaro, apenas 30% dos inquéritos viram processos.
“Esse dado nem sempre avalia agilidade e êxito da Justiça”, diz Aparecida Angélica Correia, juíza da 1.ª Vara Criminal do Juizado da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher do Fórum Regional de Pinheiros.
Respeito. “As mulheres querem ser respeitadas. Elas chegam esperando uma ação rápida e eficaz da Justiça, mas nem sempre o processo é o melhor caminho, ao contrário, pode levar à perda do emprego do agressor, considerado muitas vezes bom pai, e piorar o drama familiar.”
A juíza tenta resolver a situação com acordos provisórios. “Muitas brigas são motivada pela separação dos bens”, conta. Depois do acordo firmado, ela continua controlando o desenrolar do caso para ver se medidas mais duras serão necessárias.
“Estamos vivendo uma mudança de mentalidade”, diz o juiz Sergio Hideo Okobayashi. “Hoje, nos BOs já existe espaço especial para a Lei Maria da Penha. Mas o machismo é grande.”

sábado, 2 de julho de 2011

Wikileaks: Brasil além de ter um programa de combate HIV/Aids bem sucedido é o “mais progressista do mundo”.

Do Blog da Maria Frô

#Wikileaks: Para EUA, o Brasil é prafrentex demais no combate à AIDS



Estive em Moçambique, a AIDS é um problema sério no país e a ajuda brasileira primordial. Durante o governo Lula a médica brasileira dr. Rosana del Bianco formou 800 médicos moçambicanos para o combate à epidemia de HIV e o Brasil montou uma fábrica de antirretrovirais entre outras ações importantes na área da saúde em Moçambique e outros países africanos.
Muito interessante ler um documento estadunidense que embora tenha um teor puritano, moralista, reconhece que o Brasil além de ter um programa de combate HIV/Aids bem sucedido é o “mais progressista do mundo”.
WIKILEAKS: EUA se preocuparam com modelo anti-Aids brasileiro em Moçambique
Telegrama da embaixada dos Estados Unidos em Maputo, capital de Moçambique, vazado pelo Wikileaks revela preocupação da diplomacia norte-americana com o modelo brasileiro de combate a HIV/Aids.
Por: Anselmo Massad, especial para  a Pública
Um telegrama enviado a Washington da embaixada americana em Moçambique revela preocupações dos americanos sobre a atuação brasileira no combate a AIDS no país.
O documento datado de 10 de junho de 2005 ainda recomenda que ações de auxílio da Casa Branca ao país lusófono africano aproveitem a experiência e os materiais brasileiros em português, mas sejam conduzidas com cuidado, devido a características do programa brasileiro que divergem de orientações dos Estados Unidos.
O documento descreve os resultados de visitas do então presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e de seu ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, a Moçambique. Uma série de convênios e acordos firmados entre os países são descritos, incluindo ações de educação e desenvolvimento agrícola, que envolveriam a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), estatal vinculada ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento.
Em meio aos detalhamentos de termos assinados para o combate à epidemia de HIV em Moçambique, o funcionário da embaixada recomenda o aproveitamento da experiência brasileira no país africano, mas com cautela. “O apoio direto do governo brasileiro a organizações e ONGs em Moçambique podem provocar problemas. Em maio (de 2005), o governo do Brasil recusou US$ 40 milhões da Usaid (agência de ajuda internacional dos EUA, por considerar que assinar uma declaração de condenação a prostutição e tráfico de drogas seria colocar em perigo o sucesso brasileiro de controlar a epidemia”, contextualiza.
O modelo brasileiro para combater HIV/Aids é considerado bem sucedido e o “mais progressista do mundo”, na definição do diplomata. “É baseado na aceitação” e  “em políticas abertas” para trabalhadoras do sexo, para usuários de drogas injetáveis, para “homens que fazem sexo com homens” e para “outros grupos de ‘alto risco’”. Por outro lado, as medidas defendidas pelo governo dos EUA demandam que as organizações que pleiteam recursos oponham-se e reprimam o trabalho sexual e o uso de entorpecentes de qualquer espécie.
A recomendação para a Casa Branca é que se considere a possibilidade de apoiar acordos com o Brasil para auxiliar os moçambicanos, mas com uma ponderação. A aproximação do governo de Lula é analisada no âmbito da pretensão brasileira de ser uma “ator no palco mundial”. Assim, qualquer esforço do governo norte-americano teria de ser “abordada com cautela”, levando em conta as “sensibilidades” que afetassem relações bilaterais EUA-Brasil.