terça-feira, 12 de outubro de 2010

Serra destila ódio e preconceito. Cadê a imprensa?

Do Tijolaço
Serra é o responsável pela baixaria

Em qualquer país onde houvesse uma imprensa digna deste nome, o Sr. José Serra estaria, neste momento, sendo publicamente execrado nos jornais, pelo estímulo que empresta, por ação e omissão, a uma campanha de ódios e preconceitos que, de uma maneira inacreditável, está reeditando, 50 anos depois, o clima de estupidez que levou ao golpe de 64.
Porque é ele quem está provocando esta onda de torpeza não apenas aceitá-la como estimulá-la.
E pior, o faz de forma covarde, usando pessoas irresponsáveis e dispostas a se expor, para depois seguir pela seara imunda que abriram.
Foi assim com Indio da Costa, que se prestou ao papel de acusar a campanha de Dilma de ligações com o narcotráfico e as ações armadas das FARC. Ele o secundou e está denunciado por isso pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul.
Depois, usou ou permitiu o uso de declarações de sua própria esposa de que Dilma “quer matar as criancinhas”.
Terrível que se beneficie disso um homem que, quando Ministro da Saúde, tenha escrito,  no jornal O Globode 15/8 de 1998, um artigo  sobre os problemas de gravidez precoce e dos riscos de “milhares de abortos que certamente são praticados para interromper a gravidez indesejada, a maioria das vezes nas mais precárias condições técnicas e de higiene” um texto com o qual, hoje, deveria ser confrontado:
“É obrigação do Ministério de Saúde combater essa absurda realidade, identificando suas diversas causas e propondo à sociedade brasileira sua correção. Se tocar essa ferida, num primeiro instante, causa incompreensões e até manifestações de hostilidade, que se pode fazer? Entre cumprir a obrigação e angariar simpatias, prefiro, sempre vou preferir, a primeira alternativa.”
Não, o Sr. José Serra preferiu mais do que a segunda alternativa. Não apenas faz o que pode para angariar simpatias com o tema, como se presta a promover incompreensões e hostilidade contra sua adversária, justamente uma mulher, mãe e avó.
Infelizmente, nossa imprensa acha tudo isso tolerável. Não houve um artigo de fundo, um editorial, muito menos uma manchete para denunciar uma campanha suja. Pior, além da suja vantagem eleitoral que tira em favor de um candidato, colocam um tema delicado e controverso na base de uma disputa simplória e fanática, com a qual ninguém se esclarecerá.
Ao contrário, exploram diariamente os temas e chegam ao ponto de reproduzir histórias sabidamente mentirosas e que chegam ao nível do desrespeito a qualquer critério ético.
A ínclita vice-procuradora eleitoral, que quis tirar do ar os blogs que criticavam José Serra, todos com autoria devidamente identificada, não moveu uma palha contra dezenas de outros, anônimos, que produzem material sujo para ser distribuído pelas imensas correntes de spam que visam beneficiar o serrismo.
Devemos dizer com todas as letras que isso é uma indignidade e, de imediato, levar o debate para aquele terreno que procuram encobrir com esta cortina de fumaça desumana. Serra usa a perversidade, a religiosidade, o sentimento humano que todos temos de amor à vida e às crianças porque não pode dizer a que vem.
Esta é a verdade que tem de ser proclamada: Serra vem para entregar nossas riquezas, para empacar nosso desenvolvimento, para submeter nosso país a uma volta ao passado que repugna ao povo brasileiro.
E usa a fé como os vendilhões usavam o templo.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Debate da Band: "Dilma recuperou o favoritismo"

Do Escrevinhador

Dilma joga pra militância, com firmeza; Serra apanha: pedirá cabeça da petista?

publicada segunda-feira, 11/10/2010
Apontado como “líder satanista” (na imunda boataria pró-Serra, que inundou a internet nas últimas semanas), Michel Temer (o vice de Dilma) foi quem analisou com mais calma e conteúdo o debate, numa entrevista rápida ainda dentro do estúdio da “Band”: a atuação da Dilma “vai jogar nas ruas a militância”.
O debate foi isso. Audiência baixa, cerca de 3 pontos. Quem tava acompanhando? O público mais ligado em política – dos dois lados.Dilma falou pra militância. E acho que surpreendeu positivamente a todos.
A turma do PT – meio ressabiada, porque esperava liquidar tudo no primeiro turno, e porque não via reação da campanha à onda difamatória das últimas semanas – recebeu uma injeção de ânimo.
Em vez de bater pesado no horário político gratuito (visto por um público mais amplo, que poderia rejeitar a estratégia mais dura) Dilma deu as respostas no debate – visto pela militância. Foi estratégia inteligente, certeira.
Serra, ao que parece, não esperava por isso. Engoliu em seco várias vezes. E acusou o golpe, falando que Dilma estava “agressiva”. Machismo puro. Mulher quando enfrenta é “agressiva”. Ele quer princesinha? Vai buscar na MTV…
O tucano é mal acostumado – como sabemos. Tem à sua volta uma imprensa amiga, que não o incomoda. E quando aparece um jornalista ou outro a fazer pergunta “inconveniente”, ele liga pra Redação e pede a cabeça do repórter. Ou, então, confisca as fitas (como fez depois de uma entrevista pra Márcia Peltier, na CNT).
Ao fim do debate, eu olhava pro Serra (que parecia aturdido e contrariado por apanhar tanto), e pensava comigo: será que ele vai ligar pro Lula e pedir a cabeça da Dilma?
Durante uma panfletagem no Rio, há poucas semanas, Serra botou a mulher dele (não a Soninha, mas a Mônica) pra acusar Dilma de “matar criancinhas”: é o papo sujo do aborto. Quando ficou frente a frente com Dilma, nesse domingo, ele não sustentou a frase. Fugiu. E não defendeu a mulher oficial. Covardia típica de machão mal-resolvido. Ainda por cima, não gostou da Dilma “agressiva”. Tá mal acostumado com certas apresentadoras e jornalistas “amigas”…
No conteúdo, Dilma foi bem ao desmascarar a campanha de calúnias, e ao marcar na testa de Serra o rótulo de “privatista”. Tão incomodado Serra ficou que, naquela entrevista rápida pós-debate, fez questão de dizer “sou defensor das empresas estatais”.
Sentiu o golpe.
Mauricio Stycer, ótimo repórter do UOL, postava no twitter pouco depois do encerramento: “Petistas comemoram e tucanos criticam estratégia de Dilma”.
Esse também é um bom resumo.
Os petistas gostaram de ver a candidata firme – o que deve ter incendiado a militância pra reta final.
Já os tucanos não gostaram do Serra acuado. Acostumados a bater na surdina, a usar pastores e padres para os ataques mais vis, e a se esconder no anonimato da internet, os líderes do serrismo choravam: pôxa, essa doeu.
Tenho a  impressão que a onda de otimismo virou de lado. Esse debate volta a lançar otimismo para o lado lulo-dilmista. E projeta sombras para o lado dos tucanos.
Vocês  – que me acompanham aqui – sabem que eu tenho lado e não escondo. Mas nem por isso brigo com os fatos. Quando a boataria religiosa veio pesada, eu falei que isso podia dar segundo turno. Assim como deixei claro que Dilma apanhar calada era o caminho pra derrota. Agora, vejo uma fase nova.
Essa campanha já teve vários momentos:
- no início do ano, os tucanos menosprezaram Dilma, espalharam que ela não tinha personalidade, e era um “poste”; o menosprezo fez com que fossem surpreendidos pela arrancada de Dilma dos 15% aos 50% nas pesquisas;
- em setembro, foi o PT que menosprezou a capacidade de reação dos tucanos e de seus aliados midiáticos; denúncias e boatos levaram votos pra Marina, garantindo segundo turno;
- com o segundo turno, já se ouvia na internet o discurso dos tucanos “ah, o PT perdeu uma eleição ganha; agora Serra vai crescer até a vitória, Dilma está perdiada, e a eleição está no papo”.
Os tucanos (com o segundo turno) sentaram na cadeira antes da hora. A soberba parece ter castigado Serra nesse domingo. Ele entrou no debate confiante demais. Apanhou até ficar tonto.
E, agora, vai ser difícil virar a onda de novo.
A turma dele vai tentar – com mais baixaria. Mas o recurso vai ficando gasto. Dilma recuperou a inciativa. Pra quem já tem 10 pontos de vantagem, trata-se de um passo gigantesco rumo à vitória.
Será uma eleição difícil até o fim. Mas Dilma recuperou o favoritismo inconteste. E, agora, sem a soberba que deu errado no primeiro turno.
É o quadro que vejo nessa segunda-feira, a 20 dias da eleiçâo. 

domingo, 10 de outubro de 2010

Dilma, Lula, a Fé Cristã e o Povo Brasileiro


Folha de São Paulo, via Blog do Miro

Dilma e a fé cristã

Frei Betto* (publicado na coluna "Tendências/Debates" da Folha de São Paulo)

Conheço Dilma Rousseff desde criança. Éramos vizinhos na rua Major Lopes, em Belo Horizonte. Ela e Thereza, minha irmã, foram amigas de adolescência. Anos depois, nos encontramos no presídio Tiradentes, em São Paulo. Ex-aluna de colégio religioso, dirigido por freiras de Sion, Dilma, no cárcere, participava de orações e comentários do Evangelho. Nada tinha de "marxista ateia".

Nossos torturadores, sim, praticavam o ateísmo militante ao profanar, com violência, os templos vivos de Deus: as vítimas levadas ao pau-de-arara, ao choque elétrico, ao afogamento e à morte.

Em 2003, deu-se meu terceiro encontro com Dilma, em Brasília, nos dois anos em que participei do governo Lula. De nossa amizade, posso assegurar que não passa de campanha difamatória - diria, terrorista - acusar Dilma Rousseff de "abortista" ou contrária aos princípios evangélicos. Se um ou outro bispo critica Dilma, há que se lembrar que, por ser bispo, ninguém é dono da verdade.

Nem tem o direito de julgar o foro íntimo do próximo. Dilma, como Lula, é pessoa de fé cristã, formada na Igreja Católica. Na linha do que recomenda Jesus, ela e Lula não saem por aí propalando, como fariseus, suas convicções religiosas. Preferem comprovar, por suas atitudes, que "a árvore se conhece pelos frutos", como acentua o Evangelho.

É na coerência de suas ações, na ética de procedimentos políticos e na dedicação ao povo brasileiro que políticos como Dilma e Lula testemunham a fé que abraçam. Sobre Lula, desde as greves do ABC, espalharam horrores: se eleito, tomaria as mansões do Morumbi,
em São Paulo; expropriaria fazendas e sítios produtivos; implantaria o socialismo por decreto...

Passados quase oito anos, o que vemos? Um Brasil mais justo, com menos miséria e mais distribuição de renda, sem criminalizar movimentos sociais ou privatizar o patrimônio público, respeitado internacionalmente.

Até o segundo turno, nichos da oposição ao governo Lula haverão de ecoar boataria e mentiras. Mas não podem alterar a essência de uma pessoa. Em tudo o que Dilma realizou, falou ou escreveu, jamais se encontrará uma única linha contrária ao conteúdo da fé cristã e aos princípios do Evangelho.

Certa vez indagaram a Jesus quem haveria de se salvar. Ele não respondeu que seriam aqueles que vivem batendo no peito e proclamando o nome de Deus. Nem os que vão à missa ou ao culto todos os domingos. Nem quem se julga dono da doutrina cristã e se arvora em juiz de seus semelhantes.

A resposta de Jesus surpreendeu: "Eu tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; estive enfermo e me visitastes; oprimido, e me libertastes..." (Mateus 25, 31-46). Jesus se colocou no lugar dos mais pobres e frisou que a salvação está ao alcance de quem, por amor, busca saciar a fome dos miseráveis, não se omite diante das opressões, procura assegurar a todos vida digna e feliz.

Isso o governo Lula tem feito, segundo a opinião de 77% da população brasileira, como demonstram as pesquisas. Com certeza, Dilma, se eleita presidente, prosseguirá na mesma direção. 
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*Autor de 51 livros, editados no Brasil e no exterior, Frei Betto nasceu em Belo Horizonte (MG). Estudou jornalismo, antropologia, filosofia e teologia. Frade dominicano e escritor, ganhou em 1982 o Jabuti, principal prêmio literário do Brasil, concedido pela Câmara Brasileira do Livro, por seu livro de memórias Batismo de Sangue. Em 1986, foi eleito Intelectual do Ano  pelos escritores filiados à União Brasileira de Escritores, que lhe deram o prêmio Juca Pato por sua obra “Fidel e a religião”. Seu livro "A noite em que Jesus nasceu" (Editora Vozes) ganhou o prêmio de "Melhor Obra Infanto-Juvenil" de 1998, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte. Em 2005, o júri da Câmara Brasileira do Livro premiou-o mais uma vez com o Jabuti, agora na categoria Crônicas e Contos, pela obra “Típicos Tipos – perfis literários” (Editora A Girafa). 

sábado, 9 de outubro de 2010

A HIPOCRISIA DO CANDIDATO DAS ELITES

DO VI O MUNDO

As mulheres que Serra vai mandar prender se for eleito

por Luiz Carlos Azenha
O Brasil é um país hipócrita. O aborto, embora ilegal no papel, é prática cotidiana. Mulheres com poder aquisitivo procuram clínicas e hospitais que existem em todas as grandes cidades. Quem não tem dinheiro — e, portanto, acesso aos hospitais — se vira.
Um grave problema de saúde pública. O aborto, na prática, já é descriminalizado. Qual foi a última mulher brasileira que foi parar na cadeia por causa de um aborto?
Ao promover, no Brasil, a aliança político-eleitoral que elegeu Ronald Reagan e George W. Bush nos Estados Unidos — da extrema-direita com religiosos conservadores –, José Serra abre espaço para um futuro preocupante.
Se chegar ao Planalto, será pressionado para colocar na cadeia todas as mulheres que admitiram ter cometido o crime. Será pressionado para fechar hospitais e clínicas, prender médicos e as mulheres de classe média que fizeram aborto.
Eu vi isso acontecer nos Estados Unidos, onde o aborto é legal: fanáticos religiosos cercando clínicas, perseguindo e atacando médicos e pacientes.
É isso o que queremos para o Brasil? Leis ditadas não pelo Congresso, mas por extremistas religiosos que não tiveram um voto sequer?
Repito: para tentar ganhar a eleição, José Serra tomou um caminho lamentável, que ameaça os direitos civis de todos os brasileiros e que contribui para solapar o estado laico.
PS do Viomundo: Todas as clínicas dispõe de arquivos de pacientes. Nos Estados Unidos, era isso o que os fanáticos queriam, ao queimar clínicas: acesso aos arquivos.
Com a colaboração da NovaE e do Escrevinhador, seguem algumas das mulheres que estariam sujeitas a passar de um a três anos na prisão:
Para além disso, é preciso lembrar que quem combate o aborto jamais teria assinado as normas técnicas para implantá-lo no Sistema Único de Saúde (SUS), como José Serra fez quando ministro da Saúde.
Para o kit completo da hipocrisia de Serra, clique aqui.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O difamador Serra: Juiz aceita ação contra Serra por crimes de difamação e calúnia

DO VI O MUNDO



Vermelho: Campanha sugere denúncia de crimes de calúnia e difamação

8 de Outubro de 2010 – 20h16
Juiz aceita ação contra Serra por crimes de difamação e calúnia
O juiz José Ricardo Coutinho Silva, da 111ª Zona Eleitoral de Porto Alegre (RS), aceitou nesta sexta-feira (8) a denúncia feita pelo MPE (Ministério Publico Eleitoral) contra o candidato José Serra (PSDB) por difamação e calúnia. Entre os caluniados, está o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT).
A denúncia traz provas de que Serra cometeu crimes de calúnia e difamação. Ela foi apresentada por Fernando Pimentel, quando ele ainda era candidato ao Senado pelo PT-MG. Em entrevista a uma emissora de rádio da capital gaúcha, em julho deste ano, Serra repetiu declarações de seu vice, Índio da Costa (DEM) ligando o PT às Farc e ao narcotráfico, além de acusar Pimentel de ter sido o autor de um suposto dossiê contra membros do PSDB. O suposto dossiê nunca apareceu.
O caso será analisado pelo juiz José Ricardo Coutinho Silva, responsável pela 111ª Zona Eleitoral de Porto Alegre.

Calúnia e difamação na internet: denuncie
Não é apenas o epsiódio de Pimentel que mostra a opção da campanha de Serra pela calúnia e difamação como armas da disputa eleitoral. Apoiadores do candidato –e suspeita-se que até mesmo sua coordenação de campanha– apelou de vez para o jogo sujo neste segundo turno.
Textos apócrifos, carregados de conservadorismo, preconceito, moralismo e falsidades, circulam pelas redes sociais e correios eletrônicos atacando a candidatura de Dilma Rousseff (PT).
Contra esta onda de baixaria, o endereço oficial da candidata na internet criou uma central onde qualquer pessoa pode conferir se um boato recebido por email ou de outra forma sobre ela é verdade ou é mentira. “Contra a corrente do mal, que espalha mentiras e calúnias, vamos enviar uma mensagem do bem”, diz o texto que informa à militância sobre a novidade. O endereço é esse: http://www.dilma13.com.br/verdades
A campanha de Dilma está recomendando aos seus apoiadores denunciar na Polícia Federal através do endereço ( http://www.safernet.org.br/site/ ) e no Ministério Público Eleitoral ( pge@pgr.mpf.gov.br ) as mesnagens que contém crime de calúnia e difamação. “Atribuir a uma pessoa crime que a pessoa não cometeu, é crime de quem acusa. Em caso de candidatos às eleições, é agravante, por que a ofensa não é apenas pessoal, mas perturbação à ordem democrática, sujeitando os criminosos a penalidades como formação de quadrilha, alarmismo, etc”, diz o comando da campanha petista.
Eles orientam, no entanto, que no caso de receber o e-mail difamatório de um conhecio, a melhor atitude é responder com educação, colocando seu ponto de vista e os argumentos do porquê vota em Dilma e não em Serra. “Se receber email de pessoas conhecidas contendo mentiras, responda com a verdade, com seriedade e educação. A melhor forma de convencer algum amigo de boa vontade, mas que esteja mal-informado, é com seriedade e educação”, diz o texto da campanha.

Da redação,
com agências

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Os bons ventos para Dilma... e para o povo brasileiro!


Votos de Marina vão se dispersar, diz professor da FGV


Via Terror do Nordeste

Conversei ontem (4) com o cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas Francisco Fonseca. O assunto: o segundo turno e o fator Marina Silva. Gravei com ele uma entrevista para o “Jornal da Record”. Mas, na TV, ainda mais em matérias rápidas feitas para o mesmo dia, aproveitamos sempre trechos muito pequenos de entrevistas que, muitas vezes, são riquíssimas. Então, descrevo aqui a análise de Francisco sobre a eleição.

Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador


1) A votação de Marina não foi assim tão “surpreendente”; segundo ele, só surpreendeu porque jornalistas e analistas, no Brasil, tem o hábito de transformar pesquisa em oráculo; pesquisas, segundo ele, erram muito porque não apreendem movimentos menos aparentes, e não captam a cristalização dos votos que, no Brasil, se dá (em amplos setores) somente 24 horas antes da eleição.

2) O professor lembra que em países como a França existem restrições à divulgação das pesquisas nos últimos dias da campanha (no Brasil, e aí sou eu que digo, as restrições vem só de candidatos como Richinha, agora eleito, e que barrou várias pesquisas no Paraná).

3) Francisco Fonseca acha que a imprensa está sobrevalorizando o papel de Marina Silva no segundo turno. O eleitorado de Marina é muito heterogêneo: ela teve apoio de jovens ambientalistas, de gente mais à esquerda descepcionada com o PT, e na reta final ganhou também muitos votos conservadores — de quem se deixou levar por esse tema do aborto. Por isso, diz o professor, “os votos de Marina devem se dispersar em três segmentos: uma parte vai para brancos e nulos (é o povo da terceira via, mais jovem, que realmente não quer PT nem PSDB), outra parte vai para o Serra e outra ainda para a Dilma”.

4) “Ainda que esses votos sigam numa proporção maior para Serra, não seriam suficientes para que o candidato tucano virasse a eleição”.

5) Perguntei ao professor se Serra não poderia tirar votos da própria Dilma, ou seja: se a petista não poderia continuar “sangrando”. Ele disse que, historicamente, é muito difícil reduzir os votos de um candidato entre o primeiro e o segundo turno. “O que aconteceu com Alckmin em 2006 foi uma anomalia, e ainda assim ele teve uma redução muito pequena. Serra precisaria ganhar muitos leitores de Dilma, e ainda conquistar três quartos do eleitorado de Marina, acho muito difícil que isso aconteça.

Bem, essa é a análise do professor Francisco.

Agora, os números.

Dilma ficou a 3,1% da vitória em primeiro turno. Teve 46,9%. Em números de votos: 47,6 milhões de votos, num total de 101 milhões de votos válidos.

Ela precisa conter a sangria vinda dos boatos religiosos. Se essa contenção for bem-sucedida, bastaria a Dilma conquistar mais 3 milhões de votos para vencer.

Pesquisas mostram que o eleitorado de Marina estaria dividido sobre o segundo turno: cerca de 50% preferem Serra (principalmente em São Paulo e no Rio), 20% votariam branco ou nulo porque não topam PT nem PSDB. E 30% preferem Dilma aos tucanos (é o eleitorado mais progressista, que já votou no PT no passado, decepcionou-se, mas não quer a volta dos tucanos).

Ou seja: dos 20 milhões de votos que foram para Marina no primeiro turno, Dilma poderia ter cerca de 6 milhões de votos. Há que se levar em conta ainda 1 milhão de votos dados para a esquerda (Plinio e outros). Esse colchão de 7 milhões de votos levaria Dilma para perto de 54 milhões de votos.

Serra, que teve 33 milhões de votos no primeiro turno, poderia chegar a 43 milhões se conquistasse mesmo metade do eleitorado de Marina. A dúvida é: Serra será capaz de convencer também os marinistas que não querem saber de tucanos e petistas (cerca de 4 milhões, ou 20% do eleitorado de Marina no primeiro turno)? Se conseguir trazer esse votos, ele se aproximaria mais de Dilma, ainda que a candidata do PT siga como favorita.

Na melhor das hipóteses para Serra, o jogo do segundo turno começaria assim:

— Dilma: 54 milhões de votos (cerca de 54% dos validos)

— Serra: 46 milhões de votos (cerca de 46% dos válidos).

As primeiras pesquisas devem mostrar mais ou menos esse quadro, talvez com Serra mais perto dos 40%.

Qual a estratégia possível para Serra? Conquistar o máximo que puder dos eleitores de Marina, e ainda sangrar Dilma (especialmente nos setores populares e na classe C — mais suscetível, ao que parece, à boataria religiosa). Como faria isso? Aprofundando o terrorismo religioso, aumentando as dúvidas sobre Dilma.

O problema para Serra é que, se fizer isso, ele pode perder eleitores da classe média urbana – que votou em Marina mas que não apoia o fundamentalismo religioso. Se caminhar muito pra direita, Serra perde o voto de “centro” que votou em Marina, e que poderia virar voto nulo.

A saída para Serra: terceirizar o terrorismo e posar de bonzinho nos debates. Deve ser esse o caminho dele. Pode dar certo? No limite, até pode. Mas é muito difícil.

E Dilma?

Dilma só não pode errar muito. Errar é demorar para captar os boatos e as imagens que se disseminam pela internet e pelas ruas (o comando da campanha não deu atenção devida a esse fator no primeiro turno). Errar é começar o segundo turno cercada de políticos pesos pesados do Brasil inteiro, mas na hora de falar para o público ter à mão um microfone que não funciona. Ninguém entendia o que Dilma falava! Errar, por fim, é dar entrevista para o JN mal maquiada, mal ajambrada e cansada – como Dilma fez ontem.

O resumo da ópera é o seguinte: Dilma segue como franca favorita. O bombardeio midiático tirou um pouco de votos, mas isso não foi o importante. O grave foi que a campanha terrorista (e menosprezada pelo comando lulista, apesar do que dizíamos aqui nos blogs) religiosa conseguiu levantar dúvidas sobre o perfil pessoal da candidata. Isso é um fato.

Serra obteve do eleitorado o benefício da dúvida — ainda que usando métodos horríveis, e contando com a ajuda de Marina e com a falta de reação do PT.

Apesar disso tudo, Dilma tem Lula. Lula é a vitória. Lula precisa aparecer mais. A comparação de Lula com FHC é fatal para Serra. E foi pouco usada no primeiro turno. Lula só não pode ser professoral, e dizer “eu sei o que é melhor pra vocês, votem na Dilma”. Não pode dizer que partido da oposição “precisa ser extirpado”. Não. Ninguém quer oposição extirpada. Dilma e Lula podem (e devem, na opinião desse humilde blogueiro) derrotar a oposição. Mas não extirpá-la.

Lula precisa convencer, com humildade, o eleitorado que tem enorme simpatia por ele. Brasileiro gosta de humildade associada à firmeza; Lula sabe muito bem como fazer isso.

O PT só não pode achar que já ganhou, nem menosprezar adversário – como digo aqui há três meses. Isso deu no “Maracanazo” em 1950. Derrota de Dilma nessa eleição só ocorre se houver um Maracanazo” – uma pane geral na campanha.

Tudo conspira a favor de Dilma, apesar dos erros cometidos na reta final do primeiro turno. E não vejo do lado tucano um Giggia avançando pela ponta direita pra marcar 2 a 1.

A grande vitória do Partido dos Trabalhadores

Via Terror do Nordeste

Fernando Ferro celebra vitória do PT e da base aliada e ironiza oposição


O líder do PT na Câmara, deputado Fernando Ferro (PE), ironizou hoje (5) o comportamento da oposição e de parte da mídia por estarem comemorando uma suposta "derrota" do PT nas eleições, contrariando todos os números e evidências. "Trata-se de uma matemágica com fins claramente eleitoreiros. Nós do PT e da base aliada ganhamos esta eleição, com uma vitória expressiva no Parlamento encabeçada pela nossa candidata à Presidência, Dilma Rousseff, que teve 47% dos votos no primeiro turno, um índice inclusive superior aos que foram obtidos pelo presidente Lula em 2002 e 2006, também no primeiro turno", disse o líder.

Ele observou que o desempenho do PT e dos partidos aliados foi expressivo, dando ampla base parlamentar de apoio a um eventual governo Dilma. O PT, por exemplo, recebeu 16,75% do total de votos nas eleições proporcionais, (16.061.833 de votos), o maior percentual de votos entre todos os partidos. A bancada do partido na Câmara Federal tornou-se a maior, saltando dos atuais 79 para 88 parlamentares.

"O PT também ampliou largamente sua bancada no Senado - de oito para 14 na próxima Legislatura, com uma renovação que tirou daquela Casa os mais reacionários e raivosos representantes da elite brasileira", disse Ferro. O líder observou também que, na Câmara, a oposição teve sua bancada expressivamente reduzida: o DEM com - 33,8%, o PSDB -19,7% e o PPS -45,5%.

"Como, como esse fracasso, a oposição quer tentar desqualificar nossa vitória?", indagou Ferro. "Eu acho que essas pessoas estão em outro planeta", completou o líder.

Fortalecimento do Estado - Ferro assinalou que agora, no segundo turno para as eleições presidenciais, a população poderá julgar melhor as diferenças de propostas para o País. " Vamos comparar o que o Governo Lula fez com os oito anos do governo FHC. Queremos dizer com clareza, por exemplo, que fortalecemos a Petrobras, que hoje tem maior participação do Estado em sua composição acionária e tornou-se a segunda empresa energética do mundo. Uma empresa que é mais do que nunca nacional, diferentemente das pretensões de privatização defendidas no passado pela oposição".

O líder criticou também oposicionistas por difundirem mentiras na internet contra Dilma Rousseff, envolvendo questões religiosas. "Esse tipo de comportamento é revelador da falta de qualidade e da falta de projeto político. Nós somos um Estado laico, temos que continuar nessa linha. Nós não podemos misturar o Estado com religião. Nós já superamos de forma republicana essa questão e não podemos retroceder".
Para Ferro, o debate sobre o projeto que se quer para o Brasil não pode reduzir-se a calúnias.

"Nós somos um Estado multiétnico e plurirreligioso. Não vamos aceitar o expediente mesquinho, tacanho e desqualificado de usar esses elementos para tentar alterar o sentimento da população. O povo brasileiro está vacinado contra isso" .

Ferro alertou que o novo presidente do Chile, Sebastián Piñera, de direita, planeja até a privatização de universidades. "É importante sabernos disso, porque a oposição no Brasil é privatista, como fez o governo FHC. Vamos debater sobre que tipo e de que tamanho de Estado queremos para garantir o desenvolvimento e a evolução do nosso País. Estamos diante de conquistas sociais e econômicas importantíssimas. E é isso que queremos comparar".

www.ptnacamara.org.br

domingo, 3 de outubro de 2010

A esperança e a coragem para vencer o medo e o mal

Por Eduardo Guimarães, em seu blog

Só a esperança não vencerá o medo



Começo a escrever bem antes do fim da apuração dos votos. Neste momento, desenha-se um 2º turno. Ou seja: o bombardeio midiático teve maior êxito do que o previsto, como em 2002 e em 2006, e não foi possível vencer com a facilidade imaginada.
Ainda assim, vamos contextualizar as coisas: Dilma Rousseff era a única candidata que não tinha a perspectiva de ver tudo terminar no 1º turno e vence com larga vantagem o 1º, apesar da frustração de quem esperava ver o fim da disputa em 3 de outubro.
Nesta segunda etapa da eleição, pois, haverá que corrigir a rota da primeira no que diz respeito não só à campanha governista, mas à militância.
A campanha de Dilma optou por apanhar calada, sem se defender e, sobretudo, sem atacar. A mídia pôde tomar partido à vontade e a denúncia do partidarismo se resumiu a um discurso exaltado e destemperado do presidente Lula.
Já a militância, nos dias que antecederam a eleição registrava no Twitter e até em comentários nos blogs que estava com “medo” do 2º turno.
Convenhamos: ninguém vence uma luta em que entra com medo ou na qual se deixa espancar sem reagir. É luta, não campeonato de fleuma, do lado da campanha governista, ou uma terapia psicológica, no que se refere à militância.
Dito isso, vejamos qual é a situação de Dilma e de Serra na segunda rodada.
Dilma termina o 1º turno com quase metade dos votos válidos e Serra, com cerca de um terço. Os votos de Marina se dividirão entre os dois. Em que medida, ninguém sabe. Mas ninguém imagina que o tucano herdará todos os votos daquela que serviu para lhe gerar uma chance adicional na eleição.
Marina teve cerca de 1/5 dos votos válidos. Ora, Dilma só precisa de pouco mais de 1/4 desses votos para vencer a eleição em 2º turno. Não se imagina que ela tenha muito menos de 1/3 desses votos. E há os votos dos nanicos, ainda. O quase 1% de Plínio já está com Dilma.
Dilma continua a franca favorita para vencer a eleição, portanto. Mas se a sua campanha continuar deixando a mídia fazer o mesmo jogo do 1º turno, está demonstrado que a capacidade da população de compreender o jogo não é tão grande, sendo necessário, desta vez, enfrentar as acusações que virão pela mídia.
Este blogueiro já dizia que, de alguma maneira, estava dividido entre o desejo de ver a eleição terminar no 1º turno e o de ela ir para o segundo para que finalmente fosse denunciado o trabalho sujo que a imprensa golpista vem fazendo nesses anos todos.
Diferentemente de 2002 e de 2006, e sem o mito Lula na disputa, para enfrentar a máquina da direita midiática não será possível contar só com a esperança para vencer o medo. Quem terá que ajudar a vencê-lo, desta vez, será a coragem.

sábado, 2 de outubro de 2010

ELEIÇÕES 2010: MOMENTOS DECISIVOS

Caro amigo eleitor: não deixe de escolher com a cabeça e com cuidado os seus candidatos na eleição deste ano. Faça isso em benefício do seu futuro e do futuro daqueles que você ama. E não dê ouvidos a quem prega que não adianta votar porque “todos são iguais”. Essa pessoa está prejudicando a si mesma e a todos nós.


Votemos com consciência.






sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Lula escolheu Dilma para prosseguir seu trabalho. E o povo entendeu a mensagem

Do tijolaço.com

Lula escolheu Dilma para prosseguir seu trabalho. E o povo entendeu a mensagem
Diga uma coisa: se a onda de denúncias irresponsavelmente desencadeada pela mídia estivesse realmente produzindo um desgaste para o Governo e, em consequência, para a candidatura Dilma, o natural seria que as pesquisas também mostrassem uma queda na aprovação e na popularidade deste Governo e de Lula, como presidente, certo?
Mas as pesquisas mostram justamente o contrário.
A pesquisa CNI/Ibope, apresentada na última quarta-feira, deixou para hoje os números sobre a aprovação do governo Lula, que bateu novo recorde.
Em setembro,a aprovação ao governo Lula chegou a 77%, contra 75%, em junho. E a aprovação à sua forma de governar mantevee-se em 85%, mesmo patamar de junho. Lula prepara-se para deixar o governo com a popularidade nas alturas e fazendo o seu sucessor.
Pela pesquisa CNT/Sensus, divulgada na quarta-feira, a aprovação ao governo Lula chegou a 79,4%, índice superior ao da CNI/Ibope, mas sua aprovação pessoal foi de 80,7%, inferior ao da pesquisa divulgada hoje.
De acordo com a pesquisa CNI/Ibope, a maior aprovação a Lula está no Nordeste, com 83%. A menor taxa de satisfação está no Sul, onde tem 71%. Esses percentuais explicam muito a decisão que o povo brasileiro está tomando em relação à eleição de domingo. Um governo tão aprovado não tem porque ser trocado, principalmente para quem defende a volta aos tempos em que o crescimento brasileiro era pífio e incapaz de servir aos seus cidadãos.
Esta história de “onda” isso, “onda” aquilo, no fundo, é só onda mesmo…