sexta-feira, 9 de julho de 2010

"Ninguém vai calar a nossa voz"

Do Blog do Celso Jardim


Os três comandantes da campanha de Serra torcem pela volta da censura






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Os três comandantes da campanha de Serra, os três presidentes de partidos da frente impopular constituída por DEM, Rodrigo Maia, PSDB, Sérgio Guerra, e PPS, Roberto Freire, parece que fazem de tudo para a volta da censura aos meios de comunicação, devem estar com saudades da censura prévia dos anos de chumbo, onde a liberdade de expressão era coibida.


A imprensa foi alvo da censura durante a ditadura instaurada pelo golpe civil-militar de 1964, que assumiu múltiplas formas: a lei da imprensa de 1967, a censura prévia, em 1970, a autocensura.


Tratando-se, por princípio, de violação à liberdade de expressão, direito essencial e elementar da democracia, atingiu a imprensa de maneira diferenciada uma vez que o termo refere-se a um conjunto muito amplo e variado de órgãos de informação.


Assim, se a censura serviu para cercear periódicos de grande circulação como Última Hora e Correio da Manhã e os da imprensa alternativa ou nanica, como Opinião, Movimento, Em Tempo, Pasquim, igualmente foi útil a muitos outros para calar aqueles que veiculavam posições contrárias ao regime e/ou à ordem capitalista.


A censura, assim, desempenhou papel fundamental na implantação e na consolidação da ditadura, silenciando uns e servindo a outros. Houve abençoados pela censura que construíram impérios de comunicações.


Lembrar os jornalistas que resistiram ao arbítrio não pode implicar no esquecimento daqueles – jornalistas e jornais – que estiveram a favor do arbítrio, louvando em suas páginas os grandes feitos dos militares, suas conquistas econômicas e a pacificação do país, celebrando a eliminação dos terroristas e dos maus brasileiros que ameaçavam a ordem e o progresso. Essas palavras eram recorrentes na maior parte da grande imprensa não exclusivamente devido à censura, mas, principalmente, porque seus editores – e leitores - assim viam a realidade.



Naquela época não existia internet e nem a comunicação virtual que existe hoje através dos sites e blogues que tem como principal linha editorial a política. Hoje outras situações são diferentes dos anos de chumbo, parte da imprensa era conivente com o regime militar, só para citar um exemplo a Folha de S.Paulo emprestava seus veículos para os torturadores e colocava a disposição sua frota de camionetes e peruas kombis. A Globo foi fundada em 1965, no auge do golpe militar e cresceu muito nesse período de triste lembrança da história do país


Hoje ela tem a conivência editorial para divulgar favoravelmente o grupo formado pela coligação da candidatura de Serra, que durante seu governo fez diversos contratos e convênios com verba pública para dar de graça assinaturas da revista Veja e entregar na casa dos professores que não escolheram esta revista para assinar ou ler e também o jornal Folha de S.Paulo.


Durante doze anos a Globo utilizou uma área pública ao lado do prédio da emissora em São Paulo, sem pagar nada e nem impostos pelo uso de terreno público sem que os governos de Alckmin e Serra, e também da gestão dos prefeitos Serra e Kassab que nunca importunaram a Globo pelo uso indevido da área.


Esse veículos escrevem o que querem e não são nem de longe questionados, basta ver que um dos maiores defensores de Serra, colocou em sua coluna uma charge em desrespeito as mulheres, que para eles todas devem ter desvio de comportamento como as mulheres de sua própria família. Me recuso a citar o nome do baba-ovo tucanóide.


Agora o alvo são os blogues e sites que apontam a toda hora os factóides e desmontam as mentiras que lançam a toda nas páginas e telas desses órgãos de imprensa que tem o rabo preso e compromisso financeiro com a coligação do candidato José Serra.


Nenhum jornalista pode questionar o candidato José Serra sobre os assuntos polêmicos criados por ele, como as privatizações no governo FHC em que ele era o ministro de planejamento, não se pode afirmar que foi outro autor dos projetos que Serra se irrita com os jornalistas e entrevistadores, como se sabe Serra diz que fez os genéricos e quem fez foi o Ministro da Saúde Jamil Haddad, Serra diz que fez o programa contra a AIDS e quem fez foi o Ministro da Saúde Adib Jatene, e agora desmentiram outro projeto que Serra se diz o criador, e a imprensa progressista apontou que o deputado Jorge Uequed, PMDB/RS, é o verdadeiro autor do Fundo de Assistência ao Trabalhador, o FAT.


Se alguém falar ou perguntar sobre o número de praças de pedágios e o valor mais caro praticado no país pelo governo de São Paulo, pronto o candidato Serra fica alterado e o corajoso que perguntou pode ser mandado embora pela direção do jornal ou da TV.


Recentemente o site "Conversa Afiada", de Paulo Henrique Amorim, teve uma postagem impedida de ser divulgada, o "Blog da Dilma" já foi questionado junto ao TSE, agora o "Blog dos Amigos do Presidente Lula", também está sendo ameaçado de ser retirado da internet.


Mas, uma coisa eles podem ter certeza, como não calaram a quase 50 anos a voz dos progressistas , não calarão os blogues e sites comprometidos com a liberdade de expressão e que apóiam o governo popular do presidente Lula, o mais popular da história do país, e o seu modo de governar que é destacado e reconhecido pela imprensa internacional. "Ninguém vai calar a nossa voz".

QUE ONG É ESSA DESSE CASAL LINDINHO!?

Via blog Terror do Nordeste


Homem da ONG CRIAR constrói mansão com 16 quartos e heliponto


O casal de apresentadores Angélica e Luciano Huck constrói uma mansão de causar inveja até a astros de Hollywood. Segundo o jornal carioca O Dia e o site Terra, os dois se preparam para sair da Barra da Tijuca com destino para Joatinga. No novo lar, os pombinhos terão mais espaço. De acordo com a publicação, a casa terá 16 quartos e até mesmo um heliponto, para que o helicóptero de Huck possa se movimentar com mais facilidade.

Sobre a ONG
Milionários e endinheirados de São Paulo, que ao contrário do povo, vivem o tempo todo sonegando impostos, anunciaram doações milionários para a ONG Criar do apresentador da Rede Globo, Luciano Huck.

Até ai, nada demais, se dois fatos não chamassem atenção.

No mesmo dia em que São Paulo estava debaixo da água, e, pessoas morriam no alagamento, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e o governador paulista José Serra (PSDB), estiveram na festa do apresentador Global, fazendo suas doações para a ONG.

E mais, causa estranheza o fato da Secretária de trabalho de São Paulo, sob o comando do demo, Guilherme Afif Domingos, ter feito contrato com a ONG de Luciano Huck

Criado em 2003, o Instituto Criar tem parceria com a Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo, desde junho de 2004. A secretaria paga bolsas de R$200 para os participantes

Essa ligação do apresentador Luciano Huck, com os demos tucanos, explica o fato dele ter apoiado o movimento Cansei. Explica também, por que Huck, tem participado de comicios de José Serra

O apresentador Luciano Huck arrecadou R$ 2 milhões durante a última festa realizada em São Paulo, informou a Folha de S. Paulo. (Observe aqui, a arrecadação foi na mesma data em que Serra e Kassab, estiveram no palco ao lado de Huck) O dinheiro, foi doado por artistas, empresários e políticos, para a ONG que Huck comanda, o Instituto Criar

Será que a CPI das ONG´s comandada por Heráclito Fortes(DEM) vai investigar isso?

Fonte: Blog do Roberval, acessem este blog.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

LULINHA PARA TODOS

Do blog do Esmael Morais


André Vargas diz que PT planeja vender “Lulinhas” durante a campanha

O deputado federal paranaense André Vargas, secretário Nacional de Comunicação do PT, está cogitando produzir em massa bonecos do presidente Lula para vender durante a campanha eleitoral.
A ideia de confeccionar “Lulinhas” foi levada ao secretário de Comunicação por um petista do estado de Santa Catarina.
Vargas e a direção do PT gostaram do que viram. Agora, o partido pretende usar os bonequinhos de Lula para arrecadar dinheiro e fazer marketing político.
Em 2006, na campanha presidencial da Venezuela, os bonecos de Hugo Chávez — conhecidos naquele país como Chavecitos — faziam um sucesso incrível.
Na coluna Painel, no jornal Folha de S. Paulo, a jornalista Renata Lo Prete conta que protótipos do boneco de Lula foram feito em material sintético.
Segundo a colunista, as miniaturas medem cerca de 15 centímetros e já existem em duas versões: numa, o presidente está de terno azul e gravata verde e amarela; noutra, veste a camisa 13 da seleção. Os petistas já discutiram até o preço do boneco: R$ 5.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

DOIS POEMAS


Assim eu vejo a vida

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.
Cora Coralina


Saber Viver 


Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar
Cora Coralina

terça-feira, 6 de julho de 2010

"O tempo de crianças que tenham o direito de serem crianças"


A infância não pode esperar


Via site pt.org.br

Márcia Lopes


A meta, fixada pela ONU, é um dos nossos compromissos do milênio: erradicação das piores formas de trabalho infantil até 2016. Durante a 2ª Conferência Global sobre o Trabalho Infantil, em Haia (Holanda), da qual participamos, relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) revelou a complexidade do desafio para todo o mundo.

O cenário mundial inspira muito cuidado: são 215 milhões de crianças, entre 5 e 17 anos, obrigadas a trabalhar, a maioria exercendo algum trabalho considerado "perigoso" ou com jornada extensa. A voz daqueles a quem se dirige nosso compromisso dá cor dramática às estatísticas, como o apelo do indiano Kinsu Kumar, 14, há seis livre do trabalho da rua, no encerramento do evento: "Vocês são aqueles que podem acabar com o trabalho infantil, porque têm dinheiro, têm as leis. A infância não pode esperar, vocês têm que agir rápido".

Ao mesmo tempo, temos chamas de esperanças que se acendem pelo mundo, e o Brasil faz parte dessa empreitada, pois o mesmo relatório indica que conseguiremos erradicar as piores formas de trabalho infantil na meta fixada. Como conseguir isso? Por meio da proteção social integrada, educação universalizada, assistência social, fortalecimento do mercado de trabalho para os adultos e garantia de renda básica, como o programa Bolsa Família. O reconhecimento da atuação do governo brasileiro resultou no convite para que o Brasil sedie a próxima Conferência Global, em 2013.

A proteção e o cuidado com as crianças e adolescentes são política de Estado no Brasil, sendo um dos pilares centrais de nossa Constituição. A partir de 2003, o combate ao trabalho infantil é elevado à condição de meta presidencial. Essa decisão política se concretizou no Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil, de 2004, como resultado de intenso trabalho entre governo e sociedade civil. Mas estamos seguros de que não vamos erradicar essa mazela pela atuação de um plano ou de seus defensores.

É preciso incorporá-la de forma determinada, no cotidiano, como meta prioritária e compromisso ético e político dos Estados, municípios e Distrito Federal, da sociedade organizada, de empregadores, trabalhadores e das famílias. Nesse sentido, temos enfrentado as duas graves consequências da nossa formação social e econômica ao longo da história, desde a colonização: a pobreza e a desigualdade social, responsabilizando o Estado como o provedor de políticas públicas garantidoras de direitos, de caráter universal, de qualidade e respeitando a diversidade étnica, racial e de gênero presente no território brasileiro.

O trabalho infantil vem caindo em nosso país, como resultado da redução da pobreza e da desigualdade e das ações específicas para seu enfrentamento. Contudo, ainda temos desafios importantes a superar, como o trabalho doméstico e rural, além da exploração sexual. É necessário reconhecer especificidades do país e desenvolver estratégias de gestão integradas para cada situação concreta.

É preciso ainda romper com a visão conservadora de que o trabalho infantil é possibilidade de aprendizado e ascensão social e continuar fomentando o pacto nacional em defesa dos direitos das crianças e da erradicação do trabalho infantil. Temos também de manter os olhos abertos ao nosso redor, pois esse combate é nosso, de todos os homens e mulheres do mundo. Tudo para que nosso novo tempo seja o tempo de crianças que tenham o direito de serem crianças. E que a voz do jovem Kumar não nos permita esquecer: temos pressa.

Márcia Lopes é ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
Texto publicado na coluna Tendências/Debates do jornal Folha de São Paulo, edição de 06/07/2010.

MORADORES DE CURITIBA GRITAM POR DILMA

Do blog do Esmael Morais


Moradores gritam por Dilma durante caminhada de Serra em Curitiba

Tucano Serra foi retirado do 'território' da petista Dilma.
Começou atrapalhada a campanha do tucano José Serra, em Curitiba, quando no início desta tarde realizou uma caminhada na tradicional Rua XV de Novembro, a Rua da Flores, ao lado de Beto Richa, que disputará o governo do estado.
Sem as presenças do prefeito Luciano Ducci (PSB) e do senador Alvaro Dias (PSDB), cerca de 500 servidores comissionados da prefeitura participaram da caminhada que deu a largada oficial de Beto e Serra.
A passagem de Serra pela capital paranaense foi marcada pelo constrangimento. Quando foi chamado a usar o microfone, na Boca Maldita, ponto de encontro da política curitibana, moradores dos prédios do entorno gritavam “Dilma! Dilma! Dilma!”.
A equipe tucana teve que amparar Serra até um estacionamento nas proximidades do local.

UMA MULHER NA PRESIDÊNCIA

Via blog Terror do Nordeste


Dilma: Agora é o momento decisivo para nosso país. Está em jogo tudo que conquistamos


Reunida com a militância do PT e dos partidos aliados em Santo André (SP) hoje, a candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, deu o tom da campanha eleitoral. Segundo ela, é a hora de defender as conquistas do governo Lula e levá-las adiante. “Precisamos de vocês porque agora é o momento decisivo do nosso país. Está em jogo tudo que conquistamos no país”, disse a petista, para euforia dos militantes.

Feliz por estar “no berço da construção do projeto que levou Lula à presidência”, Dilma disse que essas conquistas são desses homens e mulheres ali presentes ao encontro.

“Amanhã o bicho pega. E o bicho pega por um motivo muito simples, porque está em questão tudo o que já conquistamos. Quando a gente olha o Brasil de 2002 a gente se surpreende", disse.

Segundo ela, "era o país da estagnação e do desemprego e sabemos o que o desemprego significa para as famílias, para os jovens que não têm perspectivas. Era o país da desigualdade também. Hoje, podemos olhar nos olhos dos homens e mulheres e ver a perspectiva do emprego formal com carteira assinada”.

Amanhã, Dilma dá início a sua campanha em Porto Alegre e caminha pelas ruas da cidade que a projetou politicamente para o Brasil. A caminhada da petista começa pelpo cruzamento da Rua dos Andradas (conhecida como Rua da Praia) com a Avenida Borges de Medeiros, local conhecido como esquina democrática.

A candidata do PT disse que o Brasil está preparado para ter uma mulher na presidência e provará isso, assim como demonstrou que era possível colocar o primeiro trabalhador no comando do país.

“Eu quero ser presidente porque essa obra fantástica que foi construída nos últimos sete anos e meio no governo do presidente Lula, que eu tive a honra de participar, ela não pode parar e nós não podemos andar para trás igual caranguejo", afirmou. "A gente vai ter que seguir e ir em frente, e temos que perceber que uma mulher pode sim governar o nosso país.”

As meninas do Brasil, ressaltou Dilma, devem ter a chance de sonhar com a presidência da república, o que não era possível quando ela era criança. “E aqui eu estou vendo muitas crianças e muitas meninas nesse nosso plenário. Essas meninas hoje elas podem ser diferentes das meninas da minha época, porque as meninas da minha época não sonhavam como os meninos em ser presidente da República”.

Dilma salientou que os militantes podem ter nela a mesma confiança que depositaram em Lula nos últimos anos. “A gente, como diz o presidente, tinha que dar certo para honrar a confiança que o povo depositou em nós. E vocês podem ter certeza que eu vou honrar a confiança de cada um de vocês. E é a força dessa confiança que vai fazer com que a gente ganhe essa eleição.” (Dilma na Web)

Essa tal FELICIDADE...

Quantas vezes...
Quantas vezes nos perguntamos...
Quantas vezes procuramos...
Quantas vezes encontramos...

"ESSA TAL FELICIDADE"

Então...



VOCÊ É FELIZ?

segunda-feira, 5 de julho de 2010

UMA MULHER DE FIBRA

Via blog do Favre


A torre das donzelas

Como era a vida de Dilma Rousseff na masmorra que abrigava presas políticas durante o regime militar no presídio Tiradentes

Luiza Villaméa e Claudio Dantas Sequeira – ISTOÉ N°  2120 (25/06/2010)

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MARCO
Portal tombado pelo patrimônio histórico é o que restou do presídio
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Durante quase três anos, Dilma Rousseff, a candidata do PT à Presidência da República, morou na Torre das Donzelas. A construção colonial não pertencia a nenhum palácio. Encravada no presídio Tiradentes, em São Paulo, ganhou o singelo nome por abrigar presas políticas do regime militar. Para chegar à Torre, Dilma e suas companheiras atravessavam um corredor com celas em uma das laterais. Os cubículos eram ocupados pelas corrós, as presas correcionais, tiradas de circulação por um mês, em geral por vadiagem ou prostituição. Essas mulheres costumavam ficar seminuas ou com a roupa virada pelo avesso, para se apresentarem em trajes limpos quando liberadas.
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COMPANHEIRAS DE CADEIA
Dilma, Eleonora, Guiomar, Rose e Cida na época em que foram presas
“Terrorista! Linda! O que você está fazendo aqui?”, gritavam as corrós ao verem passar uma nova presa política. Depois do corredor, havia um pequeno pátio. Em seguida, vinha a Torre. Dilma atravessou o corredor das corrós em fevereiro de 1970, aos 23 anos, após mais de 20 dias nos porões da repressão política. “Ela chegou fragilizada pela tortura, mas logo se recuperou”, lembra a jornalista Rose Nogueira, 64 anos, que passara pelo mesmo processo três meses antes.
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O presídio Tiradentes, onde Dilma esteve presa, já havia sido usado para encarcerar
os estudantes detidos no Congresso da UNE em Ibiúna (SP), em 1968.
Na era Vargas também abrigara presos políticos, entre eles o escritor Monteiro Lobato
Ao entrar pela primeira vez na Torre, Dilma viu as celas pequenas do térreo e duas escadarias laterais que saíam de uma espécie de hall e se encontravam no piso superior. Nesse andar, havia a cela 4, chamada de celão, pois se espalhava por 80 metros quadrados. Tinha também a cela 5, mais tarde adaptada como cozinha, e a 6, que Dilma dividiu com outras mulheres. “No começo, ficávamos na tranca o tempo todo”, conta a advogada Maria Aparecida Costa, a Cida Costa, 65 anos, uma das ocupantes da cela 6. Depois de algumas semanas e muitas reivindicações, as celas passaram a ficar abertas durante o dia.
Não demorou para que as donzelas da Torre se agrupassem, primeiro com base nas organizações clandestinas às quais pertenciam no “mundão”. Porque a Torre, no vocabulário das presas, era o “mundinho”. Mas as afinidades pessoais também contavam muito, como relata a médica e pesquisadora Guiomar Silva Lopes, 66 anos. “No mundão, o vínculo era de vida e morte”, diz Guiomar. “Na cadeia, estabelecemos uma relação de confiança inabalável.” Dilma é até hoje lembrada pelo espírito solidário. Durante um período, cuidou de uma estudante de arquitetura. “Quando a menina chegou da tortura, estava muito desestruturada emocionalmente”, afirma a advogada Rita Sipahi, 72 anos. “A Dilma ficou de olho nela o tempo todo para evitar que cometesse algum desatino.”
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Com a possibilidade de circular entre as celas, as presas políticas tentavam curar as feridas umas das outras e também se organizavam. Havia escala para as tarefas da limpeza e da cozinha. Com os víveres levados pelas famílias, elas preparavam as próprias refeições. Algumas conseguiam bons resultados, embora só contassem com dois fogareiros elétricos. Outras, nem tanto. A dupla mais desastrada na cozinha era formada por Dilma e Cida. “Não dominávamos a arte do tempero”, reconhece Cida. Numa ocasião, as duas resolveram caprichar no preparo de um prato de legumes. Acabaram servindo uma sopa de quiabo intragável. “Ficamos um pouco frustradas com o resultado, pois havíamos nos esforçado.”
Dilma se sobressaía nos grupos de estudo. “Ela é muito engenhosa na macroeconomia”, elogia outra companheira da Torre, a economista Diva Burnier, 63 anos. Na cadeia, Dilma, que abandonara a faculdade por causa da clandestinidade, dava aulas de economia para as colegas e participava dos debates. Num deles, defendeu a ampliação dos limites marítimos do Brasil. “Embora fosse uma iniciativa dos militares, Dilma apoiava, pois acreditava ser uma questão de soberania”, recorda Rose. “Hoje é fácil perceber a importância daquela decisão, tanto por causa da biodiversidade como pelo pré-sal.”
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Diante do Tiradentes, mães de estudantes fazem protesto contra a prisão de seus filhos. As mães das “donzelas da Torre” chegavam para as visitas nas tardes de sábado. Era o contato delas com o “mundão”
Aos 82 anos, a advogada Therezinha Zerbini, mulher do general Euryale de Jesus Zerbini, cassado em 1964, também recorda de Dilma com admiração. Presa na Torre durante o ano de 1970, Therezinha se destacava tanto pela origem quanto por ser uma senhora entre a população carcerária extremamente jovem. “As amigas dela me chamavam de ‘burguesona’ e ela me defendeu. Ela tinha uma liderança nata”, diz Therezinha. Quando precisava, Dilma endurecia. No final do ano, Therezinha estava bordando o vestido que a filha usaria no Réveillon quando um grupo de militares a procurou. “Acho que queriam me convencer a entrar num programa de arrependidos”, diz, referindo-se aos presos que foram à tevê renegar a opção pela resistência ao regime. “Não quis atendê-los. Eles voltaram mais tarde e, quando eu estava mandando-os ir embora, a Dilma gritou: ‘Dá duro neles, Therezinha. Se precisar, nós colocamos todos para fora’ .”
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Naqueles tempos, a atitude desafiadora só seria possível mesmo no presídio Tiradentes. Como muitos torturadores costumavam repetir durante as sessões que promoviam, o Tiradentes “era o paraíso”. Isso porque, ao entrar no presídio, a pessoa estava com a prisão reconhecida pelo Estado. Às vezes, era levada para interrogatórios em outras instituições, mas praticamente não corria risco de morrer ou “desaparecer”. Na escala macabra estabelecida nos porões do regime, a Operação Bandeirante (Oban) era o inferno, ficando o purgatório por conta da Delegacia Estadual de Ordem Política e Social (Deops). Como várias companheiras de cadeia, Dilma passou pelo inferno e pelo purgatório antes de chegar à Torre.
Por conta das sevícias, sofreu uma disfunção hormonal que levou anos para ser curada. Não perdeu, porém, o gosto pela vida. Com Cida, passava horas lendo os livros de ficção científica. Quando o rodízio do único aparelho de tevê da Torre caía em sua cela, entrava na madrugada vendo os filmes da sessão “Varig, a dona da noite”. Aprendeu até a bordar. “Ela fez uma tapeçaria com flores coloridas, que colocamos na parede”, lembra Rose. Na Copa do Mundo de 1970, acompanhou os jogos de perto. “A Dilma torceu muito pela Seleção Brasileira”, diz a socióloga Rosalba de Almeida Moledo, 66 anos.
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Criado em 1852, o presídio Tiradentes recebeu no começo escravos recapturados.
A Torre das Donzelas, onde ficaram Dilma e suas companheiras, é a construção redonda ao centro. Todo o complexo foi demolido a partir de 1973, durante a construção do metrô
No período em que o advogado Carlos Franklin Paixão de Araújo, seu companheiro, permaneceu encarcerado no Tiradentes, Dilma se comunicava com ele com a ajuda dos presos comuns. A rota usada por ela e outras presas políticas consistia em baixar mensagens por meio de uma corda artesanal, chamada “teresa”, para a carceragem dos “comuns”, que ficava embaixo da Torre. “De cela em cela, as mensagens chegavam ao destinatário, na ala dos presos políticos”, comenta Guiomar. “O recurso também era fundamental para sabermos o que estava acontecendo lá fora.”
Outro canal com o “mundão” eram as visitas, nas tardes de sábado, a maioria proveniente da capital paulista. “Nossas famílias, de Belo Horizonte, não conseguiam viajar com tanta frequência”, diz a pró-reitora da Universidade Federal de São Paulo, Eleonora Menicucci de Oliveira, 66 anos. “De qualquer forma, a mãe da Dilma e o irmão dela conseguiam vir bastante. Era uma alegria.” Para a mãe e as irmãs de Eleonora, viajar era mais complicado. Elas cuidavam de Maria, a filha de Eleonora, que tinha apenas um ano e dez meses quando a mãe foi presa.
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Conhecidas desde os tempos em que estudavam em Belo Horizonte, Dilma e Eleonora comemoravam com as meninas da Torre o Natal, o Réveillon e o Carnaval. As fantasias eram improvisadas, é claro, mas havia até desfile no “celão”. No caso de Dilma, as estratégias para manter o moral elevado atrás das grades também passava pelo humor. “Ela pôs apelido em todas nós”, conta Rita. “Uma era a Ervilha, outra a Moló, porque tinha jogado um coquetel-molotov em uma ação.” Essa faceta pouco conhecida de Dilma é ressaltada por outras entrevistadas. “Ela tem um humor impagável”, garante Eleonora. Quando a hoje presidenciável deixou a Torre, as companheiras de cadeia repetiram o ritual criado para o momento da libertação: cantaram “Suíte do Pescador”, de Dorival Caymmi, que começa com o verso “Minha jangada vai sair pro mar”. Quase 40 anos depois, tudo o que sobrou do presídio foi o portal de pedra, tombado como patrimônio histórico. No final de 1972, a construção de 1852 começou a ser demolida, para a construção do metrô paulistano.