segunda-feira, 5 de julho de 2010

O ÍNDIO MAURICINHO QUE NÃO GOSTA DE POBRE

Brizola Neto, no Tijolaço

Indio faz sua primeira trapalhada

Segunda-feira, 5 julho, 2010
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Depois falam que eu estou implicando com ele. Mas o Indio da Costa, já deu sua primeira mancada na véspera do início da campanha presidencial. O Estadão abre destaque para o rapaz que Serra escolheu sozinho – palavras dele – pisando na bola e pedindo votos pelo Twitter, como você vê na reprodução ao lado (clique para ampliar).
Uma besteira, uma simples mancada, que não interfere nem um milionésimo do que seu chefe Serra fez ao ocupar ilegalmente, por três vezes, uma cadeia nacional de rádio e televisão.  Mas o Estado foi procurar a Justiça e publicou:
“Consultada pelo Estado, a assessoria do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo informou que a prática fere a Resolução 23.191. Eis o que diz o capítulo 5 da norma, intitulado “da propaganda eleitoral na internet”: “Art. 19. É permitida a propaganda eleitoral na internet após o dia 5 de julho do ano da eleição (Lei nº 9.504/97, art. 57-A).”
Os chefes de reportagem deveriam consultar é a lei 9.096, que diz, literalmente:
Art. 45. A propaganda partidária gratuita, gravada ou ao vivo, efetuada mediante transmissão por rádio e televisão será realizada entre as dezenove horas e trinta minutos e as vinte e duas horas para, com exclusividade:
(…)
1º Fica vedada, nos programas de que trata este Título:
I – a participação de pessoa filiada a partido que não o responsável pelo programa;

É preciso mais alguma coisa para saber que era ilegal a participação de serra nos programas do DEM, PPS e PTB? E ninguém fez nada, ninguém publica nada.
Bom, mas o Indio não tem o “campo de força” que tem Serra na mídia e tomou outra hoje, no JB, vejam só:

Um Indio que não gosta de pobre

BRASÍLIA -A notícia divulgada ontem de que o deputado federal Indio da Costa (DEM), vice na chapa presidencial de José Serra (PSDB), foi autor de projeto que criminaliza a esmola foi alvo de ferrenhas críticas de governistas. Matéria publicada pela Folha de S. Paulo mostrou que Índio apresentou a proposta em 1997, quando vereador do Rio de Janeiro, mas não foi aprovada. O texto previa multa ao carioca que fosse flagrado dando dinheiro a pedintes.
O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), foi enfático: – Não aprovaria isso. Ele tem uma visão errada. Deveria explicar isso melhor – disse o petista. – Certamente ele fez esse projeto para aparecer. Porque não depende do âmbito municipal, só federal.
O deputado federal Brizola Neto lembrou que ele já denunciara isso na quinta-feira, no seu blog <www.tijolaco.com>, e reforçou: – Ele (Indio) teve uma passagaem pela Câmara dos Vereadores com um perfil elitista.
É justamente este perfil citado pelo pedetista que preocupa um dos mais representativos deputados federais do PT no Nordeste, Maurício Rands (PE).
– Se fosse vereador, é claro que eu votaria contra.
Porque existem certas pessoas que precisam de apoio – lembrou Rands. – Isso mostra a insensibilidade social de um candidato a vice. Vai que ele vire presidente e coitado dos pobres! Procurados pela reportagem, Indio da Costa e o presidente do DEM, Rodrigo Maia, não foram localizados.

PROVOCAR O MEDO É A ÚNICA ARMA DA DIREITA JUNTO COM A ETERNA IMPRENSA GOLPISTA


DEBATE ABERTO

O Globo cria fantasmas

Com sua histórica tradição golpista o jornal carioca oferece de bandeja à oposição os elementos necessários para que, nos programas eleitorais, ela possa assustar os eleitores, como tentou, sem sucesso, a atriz global em 2002.
O programa da oposição para o horário eleitoral obrigatório no rádio e na TV que vai ao ar de 17 de agosto até 30 de setembro já tem os ingredientes necessários para criar a versão Regina Duarte 2010. Quem os criou foi O Globo, em seu editorial do dia 1º de julho. O medo difuso da atriz em relação a um possível governo Lula é, na nova versão, mais concreto: a candidata da situação, se eleita, importaria para o Brasil o “modelo chavista” de governo.

O Globo não consegue nem ser original ao levantar essa hipótese. Há pouco mais de um ano esses mesmos argumentos foram usados para derrubar, com um golpe de Estado, o presidente Manoel Zelaya de Honduras. Com sua histórica tradição golpista o jornal carioca oferece de bandeja à oposição os elementos necessários para que, nos programas eleitorais, ela possa assustar os eleitores, como tentou, sem sucesso, a atriz global em 2002.

O mote inspirador do editorial foi uma das respostas dadas pela candidata Dilma Roussef no programa Roda Viva da TV Cultura de São Paulo. Ela simplesmente defendeu a necessidade de uma reforma política no Brasil, tema que há muito tempo faz parte do debate nacional na sociedade e no Parlamento. Curiosa é a posição de jornais como o Globo sempre sequiosos de denunciar falcatruas envolvendo parlamentares e administradores públicos, condenando-os junto à sociedade, sem nunca chegar às raízes desse problema, fincadas justamente no sistema político em vigor no pais. Sua modernização é urgente, como salientou a candidata.

O jornal ataca, por exemplo, o financiamento público de campanha, um dos temas centrais de uma possível reforma política. Sem se dar ao trabalho de lembrar que esta é uma das principais distorções do processo eleitoral brasileiro, o qual reserva aos mais afortunados – no sentido literal do termo – o direito de acesso a cargos eletivos com muito mais facilidade que os demais. Ou seja cria cidadãos de primeira e segunda classe. Mas como os representantes do Globo nos parlamentos fazem parte do primeiro grupo, não interessa ao jornal defender o princípio básico de que os direitos políticos são iguais para todos.

O editorial é pródigo em referências negativas aos governos democráticos e populares da América Latina. Além de Hugo Chávez, cita os presidentes Rafael Correa, do Equador e Evo Morales da Bolívia, como inspiradores da candidata petista. Somando-se tudo isso às declarações beligerantes do candidato da oposição ao presidente boliviano é possível fazer algumas conjecturas sobre o que veremos nos programas demo-tucanos de rádio e TV. A esta altura, inspiradas pelo editorial de O Globo, as equipes de produção desses partidos já devem estar revirando arquivos em busca de imagens de manifestações de rua em Caracas, Quito e La Paz. Elas serão cuidadosamente editadas para assustar, especialmente a classe média brasileira, com a “bagunça” existente nos países onde reformas políticas – ainda que distintas das propostas para o Brasil – foram implantadas.

Claro que diante da solidez da candidatura Dilma essas imagens não deverão causar grandes estragos à campanha. O perigo maior está na persistência desses arautos do golpismo em tentar, há várias gerações e por todas as vias, obstruir o processo de aprofundamento da democracia no país. Para enfrentá-los vitórias eleitorais talvez não sejam suficientes. É necessário que venham acompanhadas de reformas políticas capazes de trazer para o centro das decisões nacionais amplas camadas da população, hoje chamadas a se manifestar apenas no momento do voto. 

PS. Agradeço Carlos R.S. Moreira, o Beto, pela indicação do editorial citado. Volto em agosto, depois de um respiro necessário de outros ares. 

Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial).

domingo, 4 de julho de 2010

SE ELE ESCREVER E A FOLHA DE SP PUBLICAR, CUIDADO, TUDO SERÁ AO CONTRÁRIO!

Do Conversa Afiada

POBRES DO BRASIL CUIDADO:
SERRA DEFENDE O BOLSA FAMÍLIA EM 'CARTA'.


Coitada da menininha: o Serra vai escrever uma “carta” para defender ela


Saiu na Folha (*), pág. A16:


“Em ‘carta’, Serra chancela Bolsa Família.”


“Como ‘vacina’ a rumor de que extinguiria programa caso eleito, tucano formaliza terça-feira promessa de mantê-lo.”




Se houvesse alguma duvida, agora não há mais: Serra vai detonar o Bolsa Família.


“Carta” do Serra a Folha (*) já sabe que vale tanto quanto uma arrancada do Kaká pela esquerda: nada.


Quando candidato a Prefeito, numa sabatina na Folha (*), Serra assinou uma “carta” em que jurava que seria Prefeito até o fim do mandato:


“Eu, José Serra, comprometo-me a, se eleito prefeito do município de São Paulo no pleito de outubro de 2004, cumprir os quatro anos de mandato na integra, sem renunciar à prefeitura para me candidatar a nenhum cargo eletivo.”


Tem o timbre da Folha (*).


Ou seja, nem a Folha (*) se leva a sério, porque ainda acredita no que ele diz.


Como prefeito, a única obra que Serra realizou foi tornar íngreme e acidentada uma rampa em que os mendigos dormiam num túnel da Avenida Paulista.


Ele fugiu da Prefeitura, como se sabe.


Vá ao Tijolaço, amigo navegante, porque o Brizola Neto mostra a carta e o vídeo em que, num debate, Serra promete a mesma coisa: ser prefeito até o fim.


E desafia: se romper esse compromisso, jamais votem em mim !


Portanto, o que o Serra fala não presta.


O que escreve é mentira.


E, de mais a mais, a Folha se engana.


Ele não acabaria (“acabaria”, porque não será eleito) com o Bolsa Família: venderia à Wal Mart, como previu aquele amigo mineiro.

Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que avacalha o Presidente Lula por causa de um comercial de TV; que publica artigo sórdido de ex-militante do PT; e que é o que é, porque o dono é o que é ; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

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"MINHA JANGADA VAI SAIR PRO MAR"

Do Tijolaço


O espírito solidário de uma mulher de fibra

Dilma, que nos momentos mais duros, não perdeu a delicadeza, jamais
Recebi hoje por e-mail uma matéria da revista Isto É, que conta a passagem de Dilma no Presídio Tiradentes, em São Paulo, para onde foi levada após as torturas na mão da repressão política, quando combatia a ditadura militar no Brasil, nos anos 70.
Dilma não explora este momento duro para se fazer de vítima, embora seus adversários o façam, com a pretensão de iludir os incautos,  como se ser presa por convicções políticas libertárias fosse  o mesmo que cumprir pena por um delito comum.Aliás, quem o faz são os mesmos que acham que espancar, torturar e até matar pessoas que estão indefesas, sob sua custódia, é algo que “deve ser entendido no contexto político” do período autorítário.
Naqueles tempos de treva, momentos tão duros e difíceis ganham, porém, uma força gigantesca e suave, no relato de suas companheiras de cela, que destacam seu espírito solidário, sua inteligência, seu humor e até sua falta de talento na cozinha.
Se, por acaso, houve alguma intenção de tentar arranhar sua imagem ao trazer seu passado de combate ao arbítrio, o tiro saiu pela culatra. E como! Dilma sai engrandecida pela matéria por seu companheirismo e dignidade em situação tão adversa. O contrário de quem, na primeira e mais leve dificuldade, não hesita em destruir, abandonar ou renegar os seus companheiros.
A matéria está lincada para quem quiser lê-la, mas destaco já  duas passagens.
A primeira contada por uma de sua companheiras de cela, a advogada Rita Sipahi, sobre uma estudante de arquitetura que chegou ao presídio onde estavam, que é muito reveladora do caráter e da força de Dilma. “Quando a menina chegou da tortura, estava muito desestruturada emocionalmente. A Dilma ficou de olho nela o tempo todo para evitar que cometesse algum desatino.” Desatino, para quem não atinou, é  estar tão tomado pelo horror da experiência brutal que a própria pessoa põe fim à vida, por incapaz de conviver com o trauma mental, além do físico, a que foi submetida.
A outra passagem remete sobre a beleza da solidariedade entre essas mulheres que tanto sofreram lutando por um Brasil livre da opressão. Essa é narrada pelos próprios autores da matéria. “Quando Dilma deixou o presídio, as companheiras de cadeia repetiram o ritual criado para o momento da libertação: cantaram “Suíte do Pescador”, de Dorival Caymmi, que começa com o verso “Minha jangada vai sair pro mar”.
Uma canção premonitória do quanto Dilma navegaria até chegar à condição, cada vez mais provável,  de primeira mulher a ser eleita presidente do Brasil.
E o povo brasileiro também vai voltar, já está voltando, e a Deus do céu vamos agradecer.

sábado, 3 de julho de 2010

CIDADANIA: JOVENS FORMAM-SE MÉDICOS GRAÇAS AO PROUNI

Via blog Terror do Nordeste


Jovens médicos formados pelo ProUni derrubam preconceitos

Não esquecer que parlamentares demo-tucanos ingressaram no STF contra o PROUNI.

Visivelmente emocionado com a presença de 218 formandos em medicina que estudaram com bolsas do ProUni, o presidente Lula afirmou estar diante da foto de sua vida, em cerimônia realizada no dia 30 de junho em Brasília. Os jovens presentes, que se formaram superando preconceitos e todo tipo de obstáculo, são grande motivo de orgulho para qualquer governante, disse Lula durante o evento, que marcou o início do seminário Perspectivas Profissionais na Área de Saúde, realizada em Brasília.

Muitos criticaram o ProUni, afirmando que o programa nivelaria por baixo a educação brasileira, num preconceito injustificável, criticou o presidente, lembrando que uma avaliação feita pelo Ministério da Educação comprovou que alunos do ProUni tinham desempenho superior a outros estudantes universitários em 15 áreas avaliadas. “Eles foram precocemente rejeitados por uma parte preconceituosa da elite brasileira”, criticou o presidente.

“Não sei se até o dia 1º de janeiro vamos ter outra fotografia mais bonita do que essa para justificar a nossa passagem pelo governo. Porque o Brasil historicamente foi governado e pensado para atender uma pequena parcela da sociedade.

Dava-se de barato que uma parte da sociedade tinha direitos e que poderiam fazer curso de doutorado, de graduação e de mestrado, e outra parte que estava predestinada a terminar o ensino fundamental, com muito custo fazer o secundário, e muito mais custo ainda arrumar um emprego.”

Um dos formandos presentes era Sara, do Pará, que vai ser formar médica no final do ano. O presidente contou aos presentes um pouco da história de Sara, que desde os três anos de idade queria ser médica e que enfrentou muitos problemas, financeiros e de saúde, para conseguir realizar seu sonho de infância. Lula elogiou a força de vontade de Sara e agradeceu suas palavras:

“Nós provamos que somos capazes, basta ter oportunidade. Agora eu quero retribuir o que o Brasil fez por mim”, disse ela.

O presidente Lula lembrou que o Brasil foi um dos últimos países da América Latina a ter uma universidade e teve vários presidentes que passaram seu mandato inteiro sem investir em uma única universidade — porque educação era considerado ‘gasto’ em vez de ‘investimento’, frisou Lula. Hoje, educação é prioridade de governo e assim foi possível chegar a números expressivos.

“Em oito anos, eu, o Fernando Haddad (ministro da Educação) e o Zé Alencar (vice-presidente) já somos os que mais fizemos universidades federais neste País (ver aqui) “, lembrou o presidente, citando também o recorde de escolas técnicas criadas no Brasil durante o seu governo (ver aqui).

Isso tudo só aconteceu porque proibimos o uso da palavra gasto ao falar de educação. Dinheiro para educação deveria ser tratado como investimento, porque dá bom retorno ao País, estamos qualificando e preparando gente, para disponibilizar ao País inteligência, e não tem preço que pague isso.

http://www.youtube.com/watch?v=HxKUvBmbBL0

O BRASIL QUE SE VÊ CADA VEZ MELHOR

A Era Lula vista no espelho dos indicadores sociais


“De maneira geral, indicadores subjetivos e objetivos concordam que a imagem de nossos problemas sociais projetada na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF/ IBGE) é ainda grotesca, mas houve melhoras desde 2003”. A análise é do economista Marcelo Neri em artigo na Folha de S.Paulo, 03-07-2010.

A nova Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF/ IBGE) representa ponto de inflexão no modo como a sociedade do país se enxerga no espelho dos indicadores sociais. Por exemplo, a pobreza é menor na POF do que nas demais pesquisas, como a Pnad - respectivamente, 10% e 16% da população dispõem de renda per capita menor que R$ 140 por mês.

Essa diferença se deve ao fato de a POF captar a despesa não monetária, que corresponde a 13% da renda das famílias em geral e o dobro disso nas famílias pobres. O numerário da medição dos avanços sociais pós-POF não será mais renda, e sim consumo, que a POF é a única a captar. Esse é um ganho, pois as pessoas extraem bem-estar dos bens e dos serviços consumidos, e não do valor de seus contracheques.

Em 2010, não haverá Pnad, pois é ano de Censo, e já em 2011 haverá uma revolução estatística, com a integração da Pnad, da PME e de uma mini-POF em uma única pesquisa trimestral.

Mais do que uma sopa de letras e números, o novo sistema de pesquisas domiciliares "ibgeano" privilegiará o consumo para integrar os efeitos de políticas públicas (programas sociais, aposentadorias etc.) e ações privadas no mercado (financeiro, de trabalho etc.) ou fora dele (não monetárias).

A POF não é uma bola de cristal, mas permite antever alguns dos mais sérios problemas brasileiros, medindo peso e altura das crianças, um indicador que não habitava nem os sonhos dos gestores públicos. Um país de crianças nanicas e subnutridas no futuro será econômica e socialmente nanico.

Além disso, a POF permite olhar mais longe no espelho retrovisor dos indicadores sociais. Ela dá um retrato das mudanças de prazo mais longo que a Pnad, a principal referência social no país. A primeira Pnad disponível é de 1976, e a primeira POF nacional data de 1974/75.

Há ainda ganho de atualização na POF, pois a Pnad mais recente é de setembro de 2008, e a POF, centrada em janeiro de 2009. A POF anterior é de 2002/ 03, o que nos permite captar o período de ouro cercado por duas crises, iniciado naquela associada às incertezas das eleições de 2002 - quando US$ 1 chegou a custar R$ 4 - e encerrado no pós-crise externa de 2008. As duas últimas POFs permitem medição rica da chamada Era Lula. Se não vejamos:

O crescimento da renda familiar média divulgado pelo IBGE é de 10,8% entre POFs. Com a redução do tamanho das famílias de 3,62 para 3,3 pessoas, a renda familiar per capita, que é o que importa para o bem-estar, cresce o dobro: 21,7%. Esse número é equivalente ao da Pnad.

A expansão do PIB per capita foi superada em oito pontos percentuais pela renda calculada diretamente a partir de pesquisas domiciliares como a Pnad e a POF. Segundo a POF, a renda dos 10% mais pobres sobe 42,1%.

A dos 10% mais ricos, 13,3%, ou seja, o bolo de renda cresceu, mas com mais fermento entre os mais pobres. Entre as duas últimas POFs, a proporção de pessoas pobres cai de 18% para 10%. A POF é a única pesquisa a avaliar a evolução da percepção das pessoas sobre pobreza. A proporção de famílias que tinham dificuldade de chegar até o final do mês com o orçamento caiu de 85% para 75%.

De maneira geral, indicadores subjetivos e objetivos concordam que a imagem de nossos problemas sociais projetada na POF é ainda grotesca, mas houve melhoras desde 2003.

O alto nível da desigualdade brasileira é como um astro visível de outras partes do globo. Se os cientistas sociais fossem astrônomos e a renda dos brasileiros fosse uma nuvem de estrelas, as últimas POFs seriam o supertelescópio situado no lugar e no período certos para avaliar o início dos seus movimentos.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

CALA BOCA GALVÃO! QUEM MAIS PERDEU (N)A COPA FOI A GLOBO

Do Conversa Afiada


Quem mais perdeu a Copa foi a Globo.
Por que o Dunga não convocou o Kaká ?






Porque a rejeição à maquina bombástica de lugar comum do Galvão (*) atingiu dimensão global.

Porque o Galvão vai ter que calar a boca.

Porque a Globo nunca mais vai vender um patrocínio pela grana que vendeu este ano.

Porque nunca mais a audiência da Copa vai segurar os custos da cobertura milionária da Globo.

Porque a Fatima só trabalha com acesso privilegiado.

Porque nenhum patrocinador vai querer se misturar com a rejeição que a Globo provoca.

Por que o Itaú vai querer ser contra o Dunga, se o Brasil gosta do Dunga ?

Porque a Globo não vai ter dinheiro para pagar 894 comentaristas que dizem o óbvio ou o inútil.

Porque o Brasil tem mais o que fazer.

Porque a Globo depende mais da Copa do que o Brasil da Globo ou da Copa.

Que culpa tem o Dunga se o Brasil não tem time ?

E viva a Argentina !


Paulo Henrique Amorim


(*) Como se percebe, o Galvão é mitômano. Depois do Ronaldo, o Fenômeno, que ele carregou nas costas, agora, a fixação dele é pelo Kaká. Pergunta-se, amigo navegante: o Kaká foi à Copa ? O Galvão não chamava o Luis Fabiano de Fabuloso ?


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PORQUE ELA É MELHOR... MUITO MELHOR

Via Blog Terror do Nordeste


Por que apoiamos Dilma?



02/07/2010 09

Mino Carta

Resposta simples: porque escolhemos a candidatura melhor

Guerrilheira, há quem diga, para definir Dilma Rousseff. Negativamente, está claro. A verdade factual é outra, talvez a jovem Dilma tenha pensado em pegar em armas, mas nunca chegou a tanto. A questão também é outra: CartaCapital respeita, louva e admira quem se opôs à ditadura e, portanto, enfrentou riscos vertiginosos, desde a censura e a prisão sem mandado, quando não o sequestro por janízaros à paisana, até a tortura e a morte.

O cidadão e a cidadã que se precipitam naquela definição da candidata de Lula ou não perdem a oportunidade de exibir sua ignorância da história do País, ou têm saudades da ditadura. Quem sabe estivessem na Marcha da Família, com Deus e pela Liberdade há 46 anos, ou apreciem organizar manifestação similar nos dias de hoje.

De todo modo, não é apenas por causa deste destemido passado de Dilma Rousseff que CartaCapital declara aqui e agora apoio à sua candidatura. Vale acentuar que neste mesmo espaço previmos a escolha do presidente da República ainda antes da sua reeleição, quando José Dirceu saiu da chefia da Casa Civil e a então ministra de Minas e Energia o substituiu.

E aqui, em ocasiões diversas, esclareceuse o porquê da previsão: a competência, a seriedade, a personalidade e a lealdade a Lula daquela que viria a ser candidata. Essas inegáveis qualidades foram ainda mais evidentes na Casa Civil, onde os alcances do titular naturalmente se expandem.

E pesam sobre a decisão de CartaCapital. Em Dilma Rousseff enxergamos sem a necessidade de binóculo a continuidade de um governo vitorioso e do governante mais popular da história do Brasil. Com largos méritos, que em parte transcendem a nítida e decisiva identificação entre o presidente e seu povo. Ninguém como Lula soube valerse das potencialidades gigantescas do País e vulgarizá-las com a retórica mais adequada, sem esquecer um suave toque de senso de humor sempre que as circunstâncias o permitissem.

Sem ter ofendido e perseguido os privilegiados, a despeito dos vaticínios de alguns entre eles, e da mídia praticamente em peso, quanto às consequências de um governo que profetizaram milenarista, Lula deixa a Presidência com o País a atingir índices de crescimento quase chineses e a diminuição do abismo que separa minoria de maioria. Dono de uma política exterior de todo independente e de um prestígio internacional sem precedentes. Neste final de mandato, vinga o talento de um estrategista político finíssimo. E a eleição caminha para o plebiscito que a oposição se achava em condições de evitar.

Escolha certa, precisa, calculada, a de Lula ao ungir Dilma e ao propor o confronto com o governo tucano que o precedeu e do qual José Serra se torna, queira ou não, o herdeiro. Carregar o PSDB é arrastar uma bola de ferro amarrada ao tornozelo, coisa de presidiário. Aí estão os tucanos, novos intérpretes do pensamento udenista. Seria ofender a inteligência e as evidências sustentar que o ex-governador paulista partilha daquelas ideias. Não se livra, porém, da condição de tucano e como tal teria de atuar. Enredado na trama espessa da herança, e da imposição do plebiscito, vive um momento de confusão, instável entre formas díspares e até conflitantes ao conduzir a campanha, de sorte a cometer erros grosseiros e a comprometer sua fama de “preparado”, como insiste em afirmar seu candidato a vice, Índio da Costa. E não é que sonhavam com Aécio...

Reconhecemos em Dilma Rousseff a candidatura mais qualificada e entendemos como injunção deste momento, em que oficialmente o confronto se abre, a clara definição da nossa preferência. Nada inventamos: é da praxe da mídia mais desenvolvida do mundo tomar partido na ocasião certa, sem implicar postura ideológica ou partidária. Nunca deixamos, dentro da nossa visão, de apontar as falhas do governo Lula. Na política ambiental. Na política econômica, no que diz respeito, entre outros aspectos, aos juros manobrados pelo Banco Central. Na política social, que poderia ter sido bem mais ousada.

E fomos muito críticos quando se fez passivamente a vontade do ministro Nelson Jobim e do então presidente do STF Gilmar Mendes, ao exonerar o diretor da Abin, Paulo Lacerda, demitido por ter ousado apoiar a Operação Satiagraha, ao que tudo indica já enterrada, a esta altura, a favor do banqueiro Daniel Dantas. E quando o mesmo Jobim se arvorou a portavoz dos derradeiros saudosistas da ditadura e ganhou o beneplácito para confirmar a validade de uma Lei da Anistia que desrespeita os Direitos Humanos. E quando o então ministro da Justiça Tarso Genro aceitou a peroração de um grupelho de fanáticos do Apocalipse carentes de conhecimento histórico e deu início a um affair internacional desnecessário e amalucado, como o caso Battisti. Hoje apoiamos a candidatura de Dilma Rousseff com a mesma disposição com que o fizemos em 2002 e em 2006 a favor de Lula. Apesar das críticas ao governo que não hesitamos em formular desde então, não nos arrependemos por essas escolhas. Temos certeza de que não nos arrependeremos agora.

Fonte: CartaCapital

DATAFRAUDE EM AÇÃO

Via blog Terror do Nordeste


Outra pesquisa “conveniente” do Datafolha


por Luiz Carlos Azenha

A mais recente pesquisa Datafolha parece tão fora da curva quanto aquela anterior, que acompanhou o lançamento oficial da candidatura de José Serra. Então, graças a um repentino aumento da preferência entre eleitores do Sul, José Serra “abriu” vantagem de nove pontos sobre Dilma Rousseff (para saber mais sobre a pesquisa divulgada no dia 27 de março, clique aqui).

Desta vez, quando três outros institutos registraram o avanço e a liderança de Dilma, o Datafolha produziu um empate técnico (Serra teria 39%, Dilma 38%) sem que houvesse uma justificativa factível para essa repentina mudança de rumo. Curiosamente, mais uma vez o crescimento de Serra se baseia num aumento da preferência de eleitores sulistas (no Sul, de acordo com o Datafolha, Serra passou de 38% a 50%). Será que os sulistas são mais suscetíveis à propaganda eleitoral do PSDB na TV?

Sabemos que existem diferenças de método entre os diversos institutos de pesquisa, que podem responder pelas diferenças entre Vox Populi, Sensus, Ibope e Datafolha. Sabemos, no entanto, que as pesquisas refletem tendências gerais do eleitorado e nada aconteceu nas últimas semanas que justifique uma reversão repentina das curvas de Serra e Dilma.

De qualquer forma, alguns detalhes me chamaram a atenção:

– Um dia antes da divulgação da pesquisa, já circulavam na internet as justificativas do PSDB para a repentina mudança no quadro eleitoral, como eu mesmo reproduzi, a partir do R7, aqui;

– O tracking do PSDB (levantamento diário feito a partir de pesquisa telefônico) não é confirmado pelo tracking do PT, pelo contrário, os números internos da campanha de Dilma apontam aumento na diferença entre os dois candidatos, com vantagem crescente da ex-ministra;

– Os números da Folha vieram acompanhados de “análises” que tem algo em comum: a sustenção do argumento conveniente para a campanha de Serra na atual conjuntura, aquele de que a campanha vai começar oficialmente com os dois candidatos zerados, empatados;

– Na mesma página que traz os resultados da pesquisa, uma coluna da Folha atribui o resultado, em parte, à decisão de Dilma Rousseff de evitar “alguns debates e sabatinas”. Em junho, 30% dos entrevistados disseram ter visto alguma entrevista com Serra; 25% disseram o mesmo em relação a Dilma. Isso não prova nada. E se o eleitor viu mais o Serra e não gostou? O que a coluna da Folha omite é que Dilma não aceitou o convite para participar de uma sabatina da Folha. Em outras palavras, o jornal está tentando dizer, sem dizê-lo, que Dilma perdeu votos ao não aceitar o convite do jornal. Como seria muito patético dizer isso abertamente, o jornal apenas sugere essa possibilidade.

A ARROGÂNCIA HISTÓRICA DA VOZ DAS ELITES


DEBATE ABERTO

Dunga e a arrogância histórica da Globo

A Seleção Brasileira de Futebol constitui um patrimônio cultural do país que não pode ser apropriado por interesses privados. No entanto, o futebol brasileiro – não só a Seleção – tem sido explorado comercialmente pela Globo como se sua propriedade fosse.
Para Marco Antonio Rodrigues Dias e Geraldo da Rocha Moraes

Embora tenha apoiado o golpe de 64, o regime militar e se consolidado como a mais poderosa rede de televisão do país durante a ditadura, houve períodos em que a percepção de boa parte da elite fardada era de que a Rede Globo de Televisão representava uma ameaça real de controle da opinião pública brasileira e precisava ser enfrentada. 

No governo do General Geisel (1974-1979), sendo ministro das Comunicações o Coronel Euclides Quandt de Oliveira, foi certamente quando surgiram as maiores contradições e divergências entre o regime autoritário e a Globo. Documentos da época e sua análise estão disponíveis, por exemplo, no livro “Dossiê Geisel”, organizado por Celso Castro e Maria Celina D’Araújo e publicado pela FGV em 2002.

Encontro na UnB
Faço esta rápida introdução para relatar um encontro emblemático acontecido há 35 anos, entre professores do então Departamento de Comunicação da Universidade de Brasília e altos dirigentes globais, entre eles, Walter Clark (diretor geral), Luiz Eduardo Borgerth (diretor), Otto Lara Resende (assessor da presidência), infelizmente, já falecidos.

O contexto do encontro trazia, no mínimo, preocupações para as Organizações Globo:

(1) A Globo havia perdido a disputa por um canal de TV aberta em João Pessoa, PB, por interferência direta do ministro Quandt que considerava um risco “aumentar o monopólio da emissora”. 

(2) O ministro vinha fazendo uma série de críticas públicas à televisão brasileira, todas de grande repercussão. Uma delas, a aula inaugural no curso de comunicação do CEUB, Centro de Ensino Unificado de Brasília, sobre “A televisão no Brasil” (17/2/1975). Na sua fala ele destacava os “perigos do monopólio” tanto de canais, quanto de audiência, quanto na programação “alienígena”. 

(3) Estava em andamento a criação da Radiobras [Lei n. 6301 de 15/12/1975] que era vista com desconfiança pela Globo pelo temor de que se transformasse em destinação preferencial de verbas publicitárias do governo.

(4) Estava em discussão, dentro do governo, um pré-projeto de regulação da radiodifusão que deveria substituir o superado Código Brasileiro de Telecomunicações [Lei 4. 117/1962].

(5) O Departamento de Comunicação da UnB era uma unidade acadêmica que produzia pesquisa crítica sobre a radiodifusão brasileira e acabara de elaborar um pioneiro projeto de unificação das televisões públicas que recebeu o nome de SINTIS, Sistema Nacional de Televisão de Interesse Social. Além disso, circulava que alguns de seus professores tinham acesso ao ministro das Comunicações e o abasteciam com dados nos quais ele fundamentava sua posição, direta e/ou indiretamente, contrária à hegemonia da Globo. 

O objetivo do encontro, realizado por iniciativa da Globo, na UnB, era “trocar idéias” sobre as comunicações no Brasil. O que acabou acontecendo, todavia, foi quase um bate-boca. 

Apesar da conjuntura politicamente adversa – para a Globo – em que se realizava o encontro, a memória de professores presentes é unânime em afirmar a arrogância de seus dirigentes. Não houve diálogo possível e cada um saiu do encontro ainda mais convicto em relação às respectivas posições. Divergimos em relação à existência de um virtual monopólio na TV brasileira; às finalidades educativas da televisão (previstas em lei); à prioridade ao conteúdo nacional e à necessidade de criação de uma rede pública de radiodifusão.

No presente como no passado
Relembro este encontro e a memória que dele ficou para reforçar os inúmeros comentários já escritos e publicados nesta Carta Maior sobre o enfretamento que a Globo faz a Dunga, aparentemente, por ele não ser conivente com os privilégios da emissora em relação aos demais veículos de mídia que estão cobrindo a Copa do Mundo na África do Sul.

Ao longo de sua existência, uma característica da Rede Globo tem sido ignorar que a televisão é apenas a concessão de um serviço público que tem como soberano o cidadão e seu interesse. Ao contrário, a Globo tem historicamente se comportado como proprietária das concessões de radiodifusão. 

A própria Seleção Brasileira de Futebol constitui um patrimônio cultural do país que não pode ser apropriado por interesses privados. No entanto, o futebol brasileiro – não só a Seleção – tem sido explorado comercialmente pela Globo como se sua propriedade fosse. 

A Globo, por óbvio, não tem mais em 2010 o poder que teve na década de 70 do século passado, enfrentado, por razões próprias, pelo regime militar. Mas conserva a arrogância.

Por outro lado, uma diferença do passado para o presente é que o inconformismo em relação à Globo não está mais restrito a alguns professores isolados em departamentos universitários. Repetindo a resistência que se expressou em outras situações históricas no lema popular “o povo não é bobo, abaixo a rede Globo”, a internet fornece hoje o suporte tecnológico necessário para que milhões de pessoas se mobilizem em torno de iniciativas como “cala a boca Galvão” e “cala a boca Tadeu”. Além disso, dezenas de blogs e sites alternativos tornaram pública a opinião daqueles que fazem contraponto à TV hegemônica.

Outro mundo possível
Resta manter a esperança de que – um dia – a transmissão de jogos dos campeonatos locais, regionais e nacional de futebol e a cobertura dos jogos da Seleção Brasileira, não serão exclusividade de concessionárias comerciais, mas estejam disponíveis nas redes públicas de televisão. 

Em se tratando de um patrimônio cultural brasileiro, as redes comerciais privadas não deveriam remunerar as redes públicas para distribuir e comercializar este tipo de conteúdo?

O episódio Globo versus Dunga – que certamente ainda não terminou – deixa claro que já existe no país, não só uma ampla consciência da arrogância e dos privilégios históricos da Globo, como também novas e eficientes formas de expressar inconformismo diante dessa situação. E mais importante: novas e eficientes formas de apoiar aqueles que, como Dunga – correndo o risco de perder o emprego – não se curvam ao poder de concessionários de um serviço público que continuam a se comportar como se dele fossem proprietários.

Venício A. de Lima é professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Liberdade de Expressão vs. Liberdade de Imprensa – Direito à Comunicação e Democracia, Publisher, 2010.